A maneira como Letícia Colin aparece em “Quem Ama Cuida” tem chamado atenção por um detalhe que vai além da atuação: a atriz mantém visíveis suas marcas de expressão e os movimentos naturais do rosto diante das câmeras. Aos 36 anos, ela já experimentou toxina botulínica, mas conta que não se adaptou à sensação de ter parte da expressividade reduzida. Hoje, prefere “cultivar rugas”, uma escolha pessoal que se conecta a uma discussão cada vez mais presente na estética: até que ponto cuidar da pele precisa passar pela eliminação das marcas que surgem ao longo da vida?
O bumbum mudou depois da gravidez? Entenda por que isso pode acontecer
Virginia Fonseca usa eletrólitos no treino. O que há por trás da tendência?
Lábios mudam com o tempo? Alinne Moraes chama atenção e levanta a questão
A questão acompanha uma transformação na forma como parte dos pacientes chega aos consultórios. Segundo a enfermeira Bárbara Peres, a busca por resultados mais discretos e individualizados tem ganhado espaço.
“Hoje muitas mulheres não querem necessariamente um rosto sem nenhuma linha. Elas querem cuidar da pele, suavizar aquilo que incomoda e continuar se reconhecendo no espelho. A naturalidade passou a fazer parte do resultado desejado, e isso exige um tratamento muito mais individualizado”, explica.
Nesse contexto, a toxina botulínica não precisa resultar em um rosto imóvel. O procedimento atua principalmente sobre as chamadas rugas dinâmicas, que aparecem ou ficam mais evidentes durante movimentos como sorrir, franzir a testa ou fazer outras expressões. A resposta, no entanto, depende da indicação, da aplicação e das características de cada pessoa.
Especialista em harmonização orofacial, Simone Lima explica que a substância reduz temporariamente a contração de determinados músculos da face. Com aplicações sucessivas, a diminuição dessa força muscular também pode retardar a transformação de algumas linhas de movimento em marcas que permanecem aparentes mesmo quando o rosto está em repouso.
“A toxina botulínica faz as duas coisas, mas é importante entender seus limites. Ela age reduzindo temporariamente a contração de músculos específicos da face. Ao diminuir repetidamente essa força muscular sobre a pele, também podemos retardar a transformação dessas linhas de movimento em marcas que permanecem visíveis mesmo com o rosto em repouso”, detalha.
A especialista ressalta que o recurso não interrompe as demais transformações que acontecem com o passar do tempo. Perda de colágeno, exposição à radiação ultravioleta, alterações hormonais e mudanças na estrutura da pele continuam fazendo parte desse processo.
“Ele não bloqueia a perda de colágeno, a ação da radiação ultravioleta, as alterações hormonais ou todas as outras mudanças estruturais que acontecem com o tempo. Não existe uma ‘pele sem envelhecimento’ porque alguém começou a usar toxina cedo. O que conseguimos é modular um dos fatores envolvidos na formação das rugas”, afirma Simone.
Letícia Colin mantém marcas de expressão e abre debate sobre naturalidade na beleza
Divulgação TV Globo
Naturalidade ganha espaço nos consultórios
A valorização de rostos que preservam movimentos e características individuais acompanha uma mudança em relação à estética que privilegia uma aparência excessivamente uniforme. Para Simone, a procura por procedimentos não desapareceu, mas os objetivos de quem os realiza podem ser outros.
“Hoje percebo um movimento contrário: muitos pacientes querem continuar se reconhecendo, manter suas expressões e até determinadas características do envelhecimento, apenas envelhecendo de uma maneira que considerem mais saudável e harmoniosa”, avalia.
Isso também altera a própria lógica dos procedimentos. Doses, pontos de aplicação e músculos tratados podem ser definidos de acordo com a anatomia de cada rosto e com a expectativa do paciente. Em vez de um resultado único, a proposta passa a considerar diferentes possibilidades de intervenção.
“É perfeitamente possível tratar uma pessoa sem apagar sua história do rosto. O objetivo da estética contemporânea deveria ser oferecer escolha, e não impor a juventude como padrão”, defende.
Bárbara segue uma linha semelhante ao destacar que procedimentos estéticos e aceitação das características individuais não são necessariamente caminhos opostos.
“Cuidar da aparência e aceitar o envelhecimento não são ideias opostas. Podemos melhorar a qualidade da pele e suavizar algumas marcas sem eliminar aquilo que dá identidade e expressão ao rosto”, pondera.
Outro ponto importante é que as rugas não podem ser explicadas apenas pela idade cronológica. Genética, exposição solar, hábitos de vida, características da pele e movimentos faciais contribuem para a maneira como as marcas se formam e se distribuem. Por isso, duas pessoas com a mesma idade podem apresentar características bastante diferentes.
“As rugas contam uma história muito mais complexa do que simplesmente a idade cronológica. As dinâmicas aparecem principalmente durante a contração muscular e, com o passar dos anos, algumas podem se tornar estáticas, permanecendo mesmo quando o rosto está em repouso. Já outras estão mais relacionadas às alterações estruturais da pele e ao fotoenvelhecimento. Essa distinção é fundamental para indicar corretamente cada tratamento”, esclarece Simone.
A escolha de Letícia Colin de manter suas marcas de expressão, portanto, vai além de uma preferência individual. Ela ajuda a colocar em pauta uma ideia que vem ganhando espaço na estética: não existe obrigação de intervir em toda característica que surge no rosto. Para Bárbara, a decisão deve partir do que cada pessoa deseja modificar e também daquilo que escolhe preservar.
“Nem toda ruga precisa ser apagada. O tratamento deve partir daquilo que realmente incomoda a paciente e respeitar suas características. Um bom resultado não precisa fazer alguém parecer outra pessoa”, conclui.
Por que cada vez mais mulheres estão escolhendo preservar a expressão natural do rosto
A maneira como Letícia Colin aparece em “Quem Ama Cuida” tem chamado atenção por um detalhe que vai além da atuação: a atriz mantém visíveis suas marcas de expressão e os movimentos naturais do rosto diante das câmeras. Aos 36 anos, ela já experimentou toxina botulínica, mas conta que não se adaptou à sensação de […]