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Seu relógio ou anel inteligente sabe quando você está ovulando? A resposta pode surpreender

Virginia Fonseca chamou atenção nas redes ao mostrar que usa um anel inteligente para acompanhar indicadores como sono e recuperação. O acessório faz parte de uma geração de dispositivos que coleta dados fisiológicos e os transforma em informações apresentadas diariamente no celular. Entre as possibilidades que despertam interesse está o acompanhamento do ciclo menstrual: afinal, […]

Seu relógio ou anel inteligente sabe quando você está ovulando? A resposta pode surpreender


Virginia Fonseca chamou atenção nas redes ao mostrar que usa um anel inteligente para acompanhar indicadores como sono e recuperação. O acessório faz parte de uma geração de dispositivos que coleta dados fisiológicos e os transforma em informações apresentadas diariamente no celular. Entre as possibilidades que despertam interesse está o acompanhamento do ciclo menstrual: afinal, um relógio ou anel inteligente consegue indicar quando uma mulher está ovulando?
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A resposta passa por uma diferença importante entre estimar um período de maior probabilidade de ovulação e confirmar que ela de fato aconteceu. Alguns dispositivos monitoram mudanças fisiológicas, como temperatura corporal e frequência cardíaca, e cruzam esses dados com informações sobre o ciclo para identificar padrões que podem estar associados à janela fértil.
Segundo a ginecologista e obstetra Cris Provatti, essas informações podem contribuir para o conhecimento do próprio ciclo, mas não devem ser interpretadas como uma confirmação médica.
“Temperatura corporal, frequência cardíaca, duração dos ciclos e outros dados podem ajudar a identificar padrões. Essas informações são interessantes para a mulher conhecer melhor o próprio organismo, mas não devemos transformar uma estimativa feita pelo dispositivo em certeza de que a ovulação ocorreu exatamente naquele momento”, explica.
A temperatura corporal, por exemplo, pode sofrer alterações ao longo do ciclo. Quando associada a outros indicadores, ela pode ajudar a construir uma estimativa sobre o período fértil. O funcionamento, porém, varia de acordo com a tecnologia utilizada por cada dispositivo e com as características de cada pessoa. O acessório não substitui um exame capaz de confirmar a ovulação.
Virginia Fonseca usa anel inteligente
Reprodução Instagram
A tecnologia pode ajudar quem quer engravidar?
Para a ginecologista e especialista em reprodução humana Rosaly Bustelo Saab, acompanhar os dados do ciclo pode ser uma ferramenta complementar para mulheres que estão tentando engravidar. Observar a duração dos ciclos e possíveis padrões pode ajudar a identificar os dias em que há maior probabilidade de fertilidade.
“Identificar padrões e entender melhor o próprio ciclo pode ajudar a mulher a reconhecer o período em que existe maior probabilidade de fertilidade. Mas um dispositivo não consegue avaliar sozinho a capacidade reprodutiva. Idade, reserva ovariana, funcionamento das trompas, condições ginecológicas e fatores masculinos também fazem parte dessa investigação”, afirma.
A situação é diferente quando a intenção é evitar uma gestação. Uma estimativa sobre a janela fértil não oferece a mesma segurança de um método contraceptivo.
“Se a intenção é evitar uma gestação, a mulher não deveria abandonar o método contraceptivo apenas porque o relógio ou o anel apontou que ela não estaria no período fértil. A ovulação pode variar de um ciclo para outro e diferentes fatores podem interferir nesse padrão”, alerta Cris.
O que os dados dizem sobre o ciclo
O interesse por dispositivos que acompanham o organismo também se relaciona a uma tendência que ganhou força nas redes: usar informações do ciclo menstrual para adaptar exercícios, alimentação, sono e outros aspectos da rotina. A ideia de observar variações individuais pode ser útil, desde que os números sejam interpretados dentro de um contexto mais amplo.
Para Rosaly, o principal benefício está no autoconhecimento. A tecnologia pode ajudar a perceber padrões e mudanças ao longo do tempo, mas não deve transformar uma sequência de dados em diagnóstico.
“Tecnologia pode ajudar a mulher a observar o próprio corpo, mas não deve criar uma falsa sensação de precisão absoluta. Quando existe dificuldade para engravidar ou alguma alteração importante do ciclo menstrual, o aplicativo não substitui uma avaliação médica”, conclui.

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Autor

BRCOM