Uma tendência de beleza que ganhou espaço nas redes sociais chinesas transforma uma região pouco associada à experimentação estética em destaque: os pelos das axilas. Jovens têm descolorido e tingido os fios em tons como rosa, azul, verde e loiro, compartilhando o resultado e mostrando o processo em plataformas como a RedNote.
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A mudança acompanha um movimento de maior liberdade na relação com os pelos corporais, que deixam de ser apenas algo a ser removido e passam a integrar escolhas de estilo. Mas, antes de aderir à ideia, surge uma dúvida importante: produtos usados para clarear e colorir os fios são seguros para a pele das axilas?
Segundo a médica Fernanda Nichelle, especialista em estética, a região exige atenção por reunir características que podem favorecer irritações.
“A pele das axilas é uma região mais delicada e que está constantemente sujeita à umidade e ao atrito. Quando colocamos em contato com ela produtos químicos utilizados para descolorir ou tingir os pelos, podemos aumentar o risco de irritação, vermelhidão, ardência e até reações alérgicas”, explica.
Descoloração exige atenção
Para alcançar tonalidades mais vivas, a etapa de clareamento costuma vir antes da aplicação da cor. É justamente nesse momento que o cuidado deve ser redobrado, principalmente quando são utilizados produtos formulados para outras áreas do corpo.
“O processo de descoloração merece uma atenção especial porque envolve substâncias químicas que podem sensibilizar a pele. Não é porque determinado produto pode ser utilizado no cabelo que automaticamente ele é seguro para outras regiões do corpo”, alerta Fernanda.
Outro ponto é o estado da pele no momento da aplicação. O procedimento não deve ser feito sobre uma área machucada, irritada ou recém-depilada. Mesmo sem cortes ou lesões visíveis, a remoção dos pelos pode deixar a superfície mais vulnerável.
“Depois da depilação, a pele pode ficar mais vulnerável, mesmo quando não existem lesões aparentes. Aplicar uma substância química nesse momento pode aumentar a chance de ardência e irritação. O ideal é respeitar um intervalo e nunca fazer o procedimento sobre uma pele sensibilizada”, orienta.
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Reprodução Instagram
Teste de contato também é importante
Quem nunca utilizou determinado produto deve observar as recomendações do fabricante sobre o teste de contato antes da aplicação. A ausência de reação ao usar uma tintura no cabelo, por exemplo, não garante que a pele das axilas terá a mesma resposta.
“Mesmo que a pessoa já tenha usado uma tintura no cabelo sem apresentar nenhuma reação, isso não significa que ela terá a mesma resposta na pele das axilas. Cada região tem características diferentes e o contato com determinadas substâncias pode desencadear uma reação”, observa a médica.
Depois da aplicação, também é importante ficar atento à resposta da pele. Coceira intensa, ardência, inchaço, vermelhidão persistente, descamação ou lesões não devem ser encarados como efeitos esperados. Caso algum desses sinais apareça, a recomendação é suspender o uso do produto e evitar uma nova aplicação.
“Se houver uma reação importante, a pessoa deve interromper o uso do produto e não tentar reaplicar para ver se a pele se adapta. Persistindo os sintomas, é importante procurar avaliação médica”, afirma Fernanda.
A tendência mostra como os pelos corporais também podem ganhar espaço nas escolhas de beleza e estilo. Para a especialista, porém, a liberdade estética precisa vir acompanhada de atenção à região onde o produto será aplicado.
“A pessoa pode escolher manter, remover ou até colorir os pelos. O ponto principal é lembrar que o procedimento não acontece apenas nos fios. Existe uma pele ali, que precisa ser protegida. A estética pode ser uma forma de expressão, mas a saúde da pele deve estar sempre em primeiro lugar”, finaliza.
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