Depois de 25 anos juntos, Thiago Lacerda e Vanessa Lóes decidiram seguir caminhos diferentes. O ator confirmou recentemente o fim da relação e descreveu o momento como delicado e doloroso. Juntos desde 2001, os dois construíram uma família e são pais de Gael, de 18 anos, Cora, de 16, e Pilar, de 12.
Thiago Lacerda e Vanessa Lóes: por que separações após décadas de relação repercutem tanto
Entenda: Por que é tão difícil acreditar no fim de casais famosos que ficaram juntos por anos?
A história do casal também chama atenção para uma mudança que ultrapassa o universo das celebridades. Em diferentes partes do mundo, separações entre pessoas que passaram décadas casadas ganharam espaço nas discussões sobre relacionamentos na maturidade. O fenômeno é conhecido como “divórcio grisalho” ou “divórcio cinza”, expressão usada para descrever rompimentos que acontecem, em geral, a partir dos 50 anos.
No Brasil, os dados apontam uma transformação no perfil de quem se divorcia. Em 2023, 21,54% dos divórcios registrados envolviam mulheres com mais de 50 anos, contra 17,16% em 2013. A mudança acontece em um contexto de maior longevidade, autonomia financeira e novas expectativas sobre a vida a dois.
Viver mais também significa ter mais tempo para rever escolhas e imaginar diferentes possibilidades para os próximos anos. Para algumas pessoas, isso pode significar deixar de enxergar a permanência no casamento como a única alternativa, principalmente quando a relação já não acompanha as mudanças individuais.
Por que um casamento termina depois de 20 ou 30 anos?
Uma relação construída ao longo de décadas raramente se resume a um único momento de ruptura. As pessoas mudam, os filhos crescem, a carreira toma novos rumos e prioridades que antes pareciam compartilhadas podem deixar de coincidir.
No caso de Thiago e Vanessa, o próprio ator indicou que a decisão não foi repentina. Ao falar sobre o rompimento, afirmou que se tratou de “um processo de muito tempo” e reconheceu que os 25 anos de união foram marcados tanto por momentos importantes quanto por dificuldades.
A criação dos filhos também pode ocupar uma parte significativa da dinâmica familiar durante muitos anos. Quando eles conquistam mais autonomia, o casal pode se deparar com uma rotina em que a parentalidade deixa de ser o principal ponto de conexão. Diferenças que antes ficavam diluídas entre compromissos, responsabilidades e tarefas do dia a dia podem ganhar outra dimensão.
Há ainda uma mudança na própria percepção sobre a passagem do tempo. Chegar aos 50, 60 ou 70 anos não significa necessariamente considerar encerrada a possibilidade de fazer planos. Com o aumento da expectativa de vida, uma separação nessa etapa pode representar, para quem toma essa decisão, o início de uma nova organização pessoal e afetiva.
Separar depois de décadas também significa dividir uma vida construída
O fim de uma união longa envolve mais do que a decisão de deixar de viver como casal. Ao longo dos anos, patrimônio, contas, imóveis, investimentos, empresas e planos de aposentadoria podem ter sido construídos de maneira conjunta, tornando a reorganização financeira uma das questões envolvidas no processo.
A advogada internacional Patricia Mutzke, que atua há mais de 30 anos entre Brasil e Europa e já abordou o crescimento do chamado divórcio grisalho, chama atenção justamente para essa particularidade.
“Separar-se nessa fase não significa apenas terminar uma relação. Significa reorganizar uma vida inteira”, afirma.
A divisão pode envolver aposentadorias, previdência, investimentos, imóveis, empresas, contas bancárias e outros direitos adquiridos ao longo da união. Quanto maior o período de convivência, portanto, mais aspectos podem precisar ser analisados antes que cada um consiga estabelecer uma nova estrutura.
“Existem aposentadorias, previdência, investimentos, imóveis, empresas, contas bancárias e direitos adquiridos”, detalha a advogada ao abordar as particularidades das separações na maturidade.
O impacto financeiro de passar de uma casa para duas
A mudança também aparece na rotina. Uma estrutura financeira que durante anos sustentou uma única residência pode precisar ser reorganizada quando o casal passa a viver separadamente. Moradia, contas domésticas, viagens, cuidados com a saúde e planejamento da aposentadoria entram em uma nova equação.
Nesse cenário, a organização financeira ganha importância. Mais do que definir a divisão de um patrimônio, é preciso considerar como cada parte poderá manter a própria estrutura nos anos seguintes.
A situação pode exigir ainda mais atenção quando há bens no exterior, residência em diferentes países ou casamentos que envolvem mais de uma legislação. Regime de bens, regras aplicáveis, previdência e direitos patrimoniais podem variar de acordo com o caso e demandar uma análise específica.
E os filhos?
Mesmo quando já são adolescentes ou adultos, os filhos podem sentir os efeitos de uma separação depois de tantos anos de casamento. A diferença é que, nessa fase, a convivência com os pais já não envolve necessariamente os mesmos cuidados cotidianos de quando eram crianças.
Ainda assim, uma mudança na configuração familiar pode alterar encontros, festas, viagens e outras tradições construídas ao longo do tempo. O fim do casamento não precisa significar, porém, o rompimento dos vínculos criados entre familiares durante esse período.
Essa é uma das particularidades do chamado “divórcio grisalho”. Diferentemente de uma separação no início da vida adulta, não se trata apenas de encerrar uma união. Há uma história compartilhada, patrimônio acumulado, famílias que se aproximaram e muitos anos de experiências em comum.
Depois de 20, 30 ou 40 anos juntos, a separação muda mais do que o estado civil. Casa, finanças, hábitos e planos precisam ganhar uma nova configuração. E, com mais anos de vida pela frente, também pode surgir espaço para pensar em outros projetos, relações e maneiras de viver essa fase.parte das possibilidades da maturidade.
'Divórcio grisalho': por que casamentos de décadas terminam na maturidade?
