O acesso à integra dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez alguns dos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal dedicarem equipes, ainda que reduzidas, para analisar as mensagens trocadas pelo ex-dono do Master com autoridades.
Um desafio, no entanto, tem sido levantado por interlocutores de ministros: o tamanho e volume dos diálogos a serem revisados. São cerca de 510 GB que reúnem 32,7 mil arquivos, entre chats, áudios e registros de chamadas telefônicas.
Como mostrou o GLOBO, a primeira medida adotada pelos gabinetes que receberam acesso ao celular do ex-banqueiro foi restringir o acesso ao material, em razão de um grande volume de informações de caráter pessoal e relacionadas à intimidade.
Esta restrição, em alguns dos gabinetes, também tem relação com o tamanho da equipe. Há indicações de que a “falta de braço” nos times impede a escalação de um grupo maior para analisar diálogos, sem prejuízo das demais funções internas.
De outro lado há uma alerta sobre o tamanho dos dados remetidos aos ministros que solicitaram o material: Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Assim, cada equipe tem avaliado diferentes métodos e abordagens para buscar as referências nos diálogos do ex-dono do Master.
Dentre os ministros que tiveram acesso ao celular de Vorcaro, o mais novo na Corte, Zanin, tem ressaltado a cautela na análise do material e defendido que seja usado somente de acordo com o que foi solicitado: a análise sobre os argumentos levantados pela Procuradoria-Geral da República no pedido de declaração de nulidade do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Antes de entrar na Corte, Zanin foi responsável pelo pedido de acesso às provas da Operação Spoofing, quando era advogado de Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação tratava sobre o hackeamento de autoridades, entre elas o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro. Com base nos diálogos, a defesa de Lula requereu a anulação de condenações impostas ao petista.
A autorização foi deferida por Ricardo Lewandowski, o qual acabou sucedido por Zanin no STF.
Em abril de 2021, por exemplo, Lewandowski pediu que fosse enviado a seu gabinete cópias das perícias realizadas em cada uma das mídias apreendidas na Operação, assim como o relatório final da investigação. As mídias foram entregues ao gabinete em um CD.
O material apreendido na Operação Spoofing tinha cerca de 7 TB, mas a defesa de Lula teve acesso somente a mensagens que lhe dissessem respeito, direta ou indiretamente, e as que tivessem relação com investigações e ações penais contra ele movidas.
Com base nos diálogos, Zanin apresentou ao STF mais de 15 relatórios, elaborados por peritos, citando diálogos entre Moro e ex-integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
Gabinetes do STF dedicam equipes para analisar celular de Vorcaro, mas veem volume de conversas como desafio
