Com a seleção sem competições pelos próximos meses e tendo dois adversários pouco competitivos em amistosos pela frente (Autrália, duas vezes; e Índia), um desavisado pode achar que Carlo Ancelotti e seus comandados estão a passeio nesta Data Fifa. Mas não é bem assim. Ainda que a CBF não tenha conseguido marcar amistosos contra rivais mais desafiadores (as equipes europeias e africanas estão envolvidas em suas competições continentais), há muito em jogo para os brasileiros nos próximos dias.
Os objetivos de Ancelotti estão claros desde o momento em que ele anunciou a lista de convocados. O treinador vai aproveitar o primeiro momento sem algum tipo de pressa no cargo para fazer observações.
Chance para as caras novas
Individualmente, ele vai acompanhar nomes com os quais ainda não teve a oportunidade de trabalhar. Para isso, abriu o leque de opções até para alguns que nunca estiveram cotados pela opinião pública. O grupo levado para os amistosos conta com nove estreantes: os goleiros Pedro Morisco e Otávio, os zagueiros Arthur Dias e Jair; o lateral Matheuzinho e Mauro Junior, e os volantes, Martinelli, Breno Bidon e Gabriel Bontempo.
O que está em jogo por posição
Por posição, o italiano quer ganhar opções para o gol, para a zaga, para as laterais e, principalmente, para o meio. Debaixo das traves, o técnico busca novos nomes para não voltar a passar pela tensão que marcou a preparação para a última Copa, quando Alison era dúvida por seu estado físico os reservas viviam má fase.
Na zaga, embora Marquinhos e Gabriel Magalhães sigam como titulares, Ancelotti quer encontrar outros nomes com os quais tenha segurança. No último Mundial, acabou levando Brenner e Leo Pereira com apenas uma convocação.
As laterais e o meio são os setores em que Ancelotti de fato mais precisa achar soluções. Com o fim do ciclo de Casemiro com a Amarelinha, a vaga de primeiro meio-campista está aberta.
Dois ou três no meio?
Taticamente, por outro lado, Ancelotti não deve ter muito o que observar. Como Austrália e Índia não representam um grande teste para a seleção defensivamente, o dilema entre escalar a equipe com dois ou três no meio não se justifica. A tendência é de uma dupla na posição, abrindo espaço para quatro atacantes.
Importância para novatos e recomeço para outros
Para os atletas, a Data Fifa têm importâncias diferentes. Os novatos, logicamente, buscam aproveitar a oportunidade para seguirem sendo lembrados nas próximas convocações.
Para os já acostumados a vestir a Amarelinha, os amistosos têm valor de recomeço. Pedro, por exemplo, irá atuar sob o comando de Ancelotti pela primeira vez. Prejudicado pelas lesões no ciclo anterior, ele tem no atual sua grande oportunidade de se firmar como camisa 9, posição até hoje não preenchida.
Quem também vive um recomeço é Raphinha. Cobrado pela torcida por não ter conseguido repetir na seleção as boas atuações do Barcelona, ele quer aproveitar o período sem pressão para, enfim, deslanchar.
O sentimento também é de recomeço para Estêvão. Fora da Copa do Mundo por uma lesão na coxa direita, o atacante do Chelsea, que chegou a ser o xodó de Ancelotti, retorna disposto a mostrar que segue digno da titularidade na direita do ataque.
— (Neste período) Usei muito uma palavra que é a resiliência. De encarar dia após dia, esquecer o que passou e focar no futuro — disse Estêvão, na Austrália, onde o Brasil joga na sexta-feira. — Fico muito feliz por estar de volta.
Afinal, qual a importância dos amistosos contra Austrália e Índia para a seleção brasileira? Entenda
