Em uma cena que mais parece saída de um filme, a fachada de um dos prédios mais emblemáticos do governo do Rio Grande do Sul vai se transformar em rampa de skate. A estrutura em questão é o Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre, que será cenário de uma manobra radical com um atleta multicampeão mundial, em uma ação inédita prevista para setembro.
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A proposta faz parte de um projeto audiovisual de visibilidade internacional, promovido pela Red Bull, e prevê a descida do esportista pela empena curva da Ala Norte do edifício — uma parede curva na lateral do prédio de 85 metros de altura.
Apesar da promessa de espetáculo, a intervenção tem gerado polêmica. Nas redes sociais, internautas criticam o uso de um prédio público para fins comerciais e apontam possíveis danos ao patrimônio. Comentários que falam em “espetacularização de um bem estatal” e “apropriação do espaço público” dividem espaço com elogios à iniciativa como forma de incentivo ao esporte.
A iniciativa é fruto de um acordo de cooperação entre a Red Bull e a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), e segundo o governo estadual, não vai gerar custos para os cofres públicos.
Em nota oficial, a SPGG afirmou que o projeto está em fase final de análise, e rebateu as críticas afirmando que a proposta “tem como objetivo valorizar o esporte e a cultura no Rio Grande do Sul”. Como contrapartida à utilização do espaço, a empresa se comprometeu a construir duas rampas públicas de skate em locais ainda não divulgados.
A pasta também ressaltou que, por questões contratuais e cláusulas de confidencialidade, alguns detalhes da operação seguem em sigilo até a conclusão das tratativas.
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Apesar das garantias do governo, críticas começaram a circular nas redes sociais logo após o anúncio. Usuários questionam o uso de um prédio público, que abriga secretarias estaduais e representa um marco modernista da cidade, para uma ação de caráter comercial.
Há também preocupação com possíveis danos à estrutura e à imagem institucional do local. Por outro lado, apoiadores destacam o potencial da ação para promover o esporte, atrair visibilidade internacional para Porto Alegre e fomentar o uso criativo de espaços urbanos.
Procurada pelo GLOBO, a RedBull não quis se manifestar.