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outubro 7, 2026
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Primeiro deputado cassado por fake news volta à Câmara pelo Paraná, que também elege três parentes

Por · outubro 7, 2026
Primeiro deputado cassado por fake news volta à Câmara pelo Paraná, que também elege três parentes


O primeiro parlamentar a ser cassado por fake news, Fernando Francischini (PL), foi escolhido no último domingo pelos eleitores do Paraná para uma das vagas na Câmara Federal. Com 53.207 votos, ele voltará à Casa legislativa junto do filho, o deputado federal Felipe Francischini (Podemos), que obteve o dobro de apoio: 106.907 votos. A mulher de Fernando, Flávia Francischini (PL), também foi reeleita para a Assembleia estadual, onde a mãe de Felipe, Lu Bonatto (Podemos), irá estrear em 2027.
Fernando Francischini promoveu a campanha basicamente com recursos próprios — R$ 107 mil de seu bolso — e doações. O parlamentar não recebeu nenhum recurso do fundo eleitoral da PL. Segundo integrantes da sigla, a decisão do dirigente Valdemar da Costa Neto de zerar o caixa de Francischini tem como motivo uma mágoa que o presidente da sigla carrega há 15 anos.
Francischini foi relator do processo contra Valdemar no Conselho de Ética da Câmara, em 2011, envolvendo o Ministério dos Transportes. Na ocasião, ele votou pela cassação do mandato do então deputado, mas a ação foi arquivada. Indignado, Francischini apareceu com uma vassoura em punho no plenário da Casa para protestar. Valdemar chegou a dizer que tiraria a legenda de Francischini, mas foi demovido da ideia pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Sergio Moro (PL-PR).
Embora estejam cada um em uma legenda, Fernando e Felipe romperam com o grupo político alinhado ao governador Ratinho Júnior (PSD) para engrossar as fileiras bolsonaristas no Paraná e se aliar ao então candidato ao governo Sergio Moro (PL), eleito em primeiro turno. Na Assembleia, Moro poderá contar com o apoio da madrasta e da mãe de Felipe na base governista.
Enquanto Felipe fez campanha com a mãe, Lu Bonatto, Fernando Francischini e Flávia se impulsionaram em conjunto — foram duas dobradinhas bem-sucedidas às bancadas estadual e federal. Ao longo da disputa, o patriarca afirmou ter sido “calado” pelo sistema e atribuiu ao atual governo federal e ao Judiciário uma suposta conduta de perseguição contra si.
Em 2021, o então deputado estadual bolsonarista do Paraná Fernando Francischini foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propagar fake news sobre fraudes nas urnas eletrônicas e o sistema eletrônico de votação durante uma live feita no dia das eleições de 2018. Foi a primeira condenação por fake news na Corte eleitoral, sob o argumento de que ele atentou contra o sistema eleitoral brasileiro e levou ao erro “milhões de eleitores”. Na época, o político lamentou a decisão e disse que reassumiria o cargo de delegado enquanto recorria.
Então candidato a deputado federal, Francischini foi investigado por uso indevido dos meios de comunicação e por abuso de autoridade pela realização de uma live, durante o primeiro turno das eleições de 2018, na qual afirmou, sem provas, que as urnas eletrônicas estavam fraudadas para impedir a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Bolsonaro, como se sabe, foi eleito na ocasião com mais de 57 milhões de votos.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) absolveu Francischini por entender que não há prova de que a sua live tenha tido o alcance necessário para influenciar o resultado do pleito, mas o MPE recorreu ao TSE. Já em 2023, o caso dele serviu como precedente para o Ministério Público Eleitoral se manifestar pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro, pela reunião com embaixadores estrangeiros, realizada em julho de 2022 no Palácio da Alvorada, na qual também disseminou informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Fernando Francischini ficou inelegível, mas agora pôde concorrer novamente após alterações na legislação feitas pelo Congresso.

Primeiro deputado cassado por fake news volta à Câmara pelo Paraná, que também elege três parentes