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outubro 7, 2026
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Quando a internet começa a pesar? A decisão de Viih Tube reacende o debate

Por · outubro 7, 2026
Quando a internet começa a pesar? A decisão de Viih Tube reacende o debate


A decisão de Viih Tube de deixar seus perfis pessoais nas redes sociais coloca em evidência uma questão que acompanha cada vez mais a rotina de quem vive conectado: como perceber quando o uso da internet deixa de ser uma escolha prazerosa e começa a ocupar espaço demais no dia a dia?
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A influenciadora anunciou que pretende encerrar suas contas pessoais em 30 de novembro de 2026. Segundo ela, a decisão vinha sendo planejada havia meses e está relacionada à sensação de que a internet deixou de fazer sentido em sua vida. A relação com o ambiente digital, no entanto, não será totalmente interrompida. Viih pretende continuar ligada ao setor por meio de um projeto voltado para pessoas que desejam trabalhar como influenciadoras.
A experiência chama atenção para uma discussão que vai além de quem trabalha com exposição nas redes. Para a médica especializada em saúde mental Mariellen Freitas, o ponto está em observar a função que esses espaços ocupam na rotina e os efeitos que produzem.
“As redes sociais não são, por si só, vilãs. Elas podem promover conexão, informação, pertencimento e até oportunidades profissionais. O problema aparece quando a pessoa começa a sentir que precisa estar constantemente disponível, produzir, acompanhar o que os outros estão fazendo ou receber aprovação para se sentir bem. Nesse momento, é importante observar o impacto que essa dinâmica está provocando na saúde mental”, explica.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que os ambientes digitais podem oferecer benefícios, mas também apresentam riscos para a saúde mental em determinadas circunstâncias. Entre os fatores associados estão uso excessivo, exposição a conteúdos prejudiciais, comportamentos de dependência, cyberbullying e isolamento. Essa relação também pode acontecer nos dois sentidos: dificuldades emocionais podem levar a um uso maior das telas, enquanto determinadas experiências no ambiente digital podem intensificar problemas já existentes.
Quando a comparação entra em cena
Um dos aspectos presentes nessa relação é a comparação. No feed, o usuário costuma encontrar recortes selecionados da vida de outras pessoas, que podem incluir viagens, relacionamentos, conquistas profissionais, aparência e momentos de felicidade.
A comparação, por si só, faz parte do comportamento humano. O problema pode surgir quando esses fragmentos passam a funcionar como parâmetro para avaliar a própria vida.
“Existe uma diferença importante entre se inspirar em alguém e usar a vida daquela pessoa como régua para avaliar a própria existência. Quando alguém começa a pensar que todo mundo está evoluindo, viajando, trabalhando, ganhando dinheiro ou tendo uma vida perfeita enquanto ela está ficando para trás, pode surgir uma sensação permanente de inadequação. A comparação deixa de ser pontual e passa a interferir na autoestima”, avalia Mariellen.
Também existe a relação com a validação. Curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações oferecem respostas imediatas ao conteúdo publicado e, para algumas pessoas, podem acabar associados à percepção sobre o próprio valor.
“Quando a pessoa começa a vincular o próprio valor à quantidade de curtidas, visualizações ou comentários que recebe, existe um sinal de alerta. Um conteúdo que performou mal não significa que a pessoa fracassou, assim como um conteúdo viral não determina o valor de quem o produziu. É fundamental separar identidade e autoestima dos resultados obtidos nas plataformas”, ressalta a médica.
Para quem trabalha com internet, a relação é outra
Entre influenciadores, estabelecer limites pode ser mais complexo. Nesse caso, estar nas redes não é apenas uma atividade de lazer, mas parte do trabalho, da renda e da construção profissional. Produzir conteúdo, acompanhar tendências, responder ao público e lidar com críticas podem fazer parte da rotina.
Por isso, a possibilidade de simplesmente se desconectar nem sempre está disponível para quem depende da presença digital. Ainda assim, a especialista ressalta que reduzir o uso pode assumir diferentes formas.
“Para algumas pessoas, reduzir drasticamente o uso ou até sair das redes pode ser uma escolha saudável. Para outras, o caminho pode estar em estabelecer horários, silenciar determinados perfis, deixar de acompanhar conteúdos que provocam sofrimento e criar períodos do dia sem celular. O mais importante é entender qual é a função que aquela rede está ocupando na vida daquela pessoa e se ela está trazendo mais benefícios ou mais sofrimento”, orienta.
Como perceber quando é hora de rever o uso
Não existe uma quantidade de horas que determine, sozinha, se alguém tem uma relação problemática com as redes. Alguns comportamentos, porém, podem indicar que vale observar com mais atenção a maneira como a internet está sendo incorporada à rotina.
Entre eles estão a necessidade frequente de verificar notificações, dificuldade de permanecer longe do celular, irritação diante da impossibilidade de acessar as plataformas, comparação recorrente, perda de concentração, alterações no sono e ansiedade relacionada à necessidade de acompanhar ou produzir conteúdo.
“O sinal mais importante talvez seja perceber se você ainda escolhe entrar nas redes ou se sente que precisa entrar. Quando existe a sensação de obrigação, ansiedade ou culpa por estar desconectado, vale parar e observar essa relação. Desconectar-se também pode ser uma forma de autocuidado”, pontua Mariellen.

Quando a internet começa a pesar? A decisão de Viih Tube reacende o debate