
Milhares de estudantes e professores argentinos protestam, nesta quinta-feira, em Buenos Aires e outras cidades do país, para reivindicar que o governo do presidente Javier Milei cumpra uma lei que atualiza o financiamento nas universidades públicas.
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Na capital, foram registrados confrontos entre policiais e manifestantes durante uma marcha que reuniu milhares de pessoas, constatou a AFP.
Manifestantes entram em confronto com membros da Guarda Nacional da Argentina durante uma manifestação contra o governo do presidente argentino Javier Milei, em Buenos Aires, no dia 15 de outubro de 2026
EMILIANO LASALVIA / AFP
Os incidentes ocorreram durante o ato central do protesto na praça em frente ao Congresso e envolveram dezenas de pessoas que atiraram pedras, enquanto policiais disparavam gás lacrimogêneo.
Também houve manifestações em outras cidades do país.
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A mobilização ocorre após vários dias de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que determinam que o Executivo cumpra a chamada Lei de Financiamento Universitário.
Manifestantes caminham em direção a policiais durante um protesto contra o governo do presidente da Argentina, Javier Milei, em Buenos Aires, no dia 15 de outubro de 2026
EMILIANO LASALVIA / AFP
A norma prevê a reposição das perdas salariais dos professores pela inflação desde dezembro de 2023, além da recomposição das bolsas estudantis e dos recursos para o funcionamento das universidades.
Os recursos destinados às universidades registraram queda de 40,5% em termos reais no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2023, segundo um estudo do Centro de Pesquisa em Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires.
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Na capital, milhares de pessoas já se concentravam após o meio-dia perto do Congresso com bandeiras de entidades estudantis e sindicatos de professores com inscrições como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”.
— Estamos exigindo que nos paguem o que nos devem — disse à AFP Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato de professores Conadu Histórica.
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A dirigente afirmou que as restrições orçamentárias se refletem no “acúmulo de empregos ou na saída dos cargos” de professores.
Conflito prolongado
A Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, foi vetada por Milei e depois ratificada pelo Parlamento em outubro do ano passado. No entanto, o Executivo nunca a aplicou.
Desde então, diversas decisões judiciais, entre elas uma da Suprema Corte em junho, obrigam o governo a efetuar os pagamentos.
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O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, disse na terça-feira que “não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida”, mas que sua aplicação “está interrompida” enquanto o governo recorre à Justiça.
Homens lançam bombas de gás lacrimogêneo durante uma manifestação que exige que o governo do presidente argentino Javier Milei cumpra uma lei que atualiza o financiamento das universidades públicas, em Buenos Aires, no dia 15 de outubro de 2026
EMILIANO LASALVIA / AFP
O Executivo também argumenta que a legislação não indica de onde virão os recursos para financiá-la.
Esta é a quinta marcha federal universitária desde o início do mandato de Milei, em dezembro de 2023.
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Desde que chegou ao poder, ele determinou aumentos nas verbas, mas as universidades os consideram insuficientes.
A marcha universitária contou com a participação de partidos da oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados.
Os grupos também convocaram uma mobilização em frente ao Congresso para exigir a revogação de um megadecreto de Milei que, entre outras medidas, elimina a restrição à venda de terras rurais a estrangeiros.