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Projetos de educação ensinam alunos restaurando ambientes degradados

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junho 5, 2025
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Professores e alunos do IFF e IFRJ, na Região dos Lagos, recuperam mata — Foto: Divulgação

A mata queimada no Parque Estadual Costa do Sol virou sala de aula para os alunos do Instituto Federal Fluminense (IFF), em Cabo Frio, e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), de Arraial do Cabo, cidades vizinhas na Região dos Lagos. Ali, estudantes do ensino médio se uniram a alunos de graduação em Biologia e, devagarinho, estão restaurando um pedaço da Mata Atlântica enquanto aprendem observando animais-símbolos do Brasil.

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— Na última visita que fizemos, vimos um mico-leão-dourado se alimentando de camboim, um tipo de pitanga que tem muito por aqui. Ele estava lá se deliciando. Posso falar um milhão de vezes que esse animal é um dispersor de sementes. Mas é outra coisa quando o aluno vê — diz Murilo Minello, professor do IFRJ que é um dos responsáveis pelo projeto de restauração.

No país, um terço das escolas públicas declarou ao Ministério da Educação (MEC) não ter realizado qualquer tipo de educação ambiental em 2024, ano do último Censo Escolar. No entanto, experiências como essa na Região dos Lagos mostram o impacto positivo das atividades tanto para a comunidade no entorno da escola quanto para a formação dos alunos.

Professores e alunos do IFF e IFRJ, na Região dos Lagos, recuperam mata — Foto: Divulgação

— Os estudantes em campo colocam em prática o que aprendem na sala. Estão todos muito ansiosos com as mudanças climáticas e se sentem satisfeitos em botar a mão na terra — conta Minello, que explica: — O trabalho é capinar bastante.

Depois de terem aulas teóricas sobre o tema, os alunos pegam na enxada ao lado de Minello e dos professores André Luiz dos Santos Fonseca e Ocimar Ferreira de Andrade, ambos do IFF. O grupo prepara a terra para receber mudas que os próprios estudantes produziram. Além disso, coloca em prática técnicas de nucleação, que são formas de acelerar a restauração da área degradada, como espalhar serrapilheira (camada de matéria orgânica que se acumula no solo da mata ainda preservada) e despejar ali sementes de plantas que são encontradas na região.

— Estamos fazendo isso sem bolsa nenhuma, com recursos próprios. Temos uma área de meio hectare e, se não tiver nenhum investimento diferente, a gente deve levar uns dez anos até conseguir fechar a mata toda. Mas não estamos tão preocupados com o resultado final. O nosso interesse é que os alunos aprendam, cheguem ao final do processo sabendo restaurar bem — conta o professor, que faz este trabalho há pouco mais de um ano.

Especialistas afirmam que a educação ambiental tem o potencial de criar uma conexão de crianças e jovens com a natureza. Ela passa, por exemplo, por ensinar sobre conflitos socioambientais, a exploração e a degradação do ambiente — além do valor da restauração e das formas de fazer isso.

Em Capitão Poço, no nordeste paraense, os alunos da Escola Estadual Oswaldo Cruz começaram, há um ano, plantando mudas de açaí nas beiras de igarapés e de nascentes. Atualmente, os estudantes que já tiveram as lições no campo estão indo a outros colégios da cidade ensinar seus colegas e plantar as mudas nos pátios das unidades escolares. Nessa nova fase, estão sendo priorizadas espécies que dão sombra, como o pau-preto, ou frutíferas, como a laranjeira e a aceroleira.

— Fiz um mapa para eles e mostrei que o desmatamento na cidade é muito extenso. Capitão Poço é considerado um município agrícola. Temos poucas árvores de grande porte. Por isso, resolvemos plantar — conta Altielis Lima, responsável pelo projeto, professor de Geografia e de Educação Ambiental.

Sede da COP30, que será realizada em novembro deste ano, o estado do Pará criou em 2024 a disciplina Educação Ambiental, obrigatória na grade curricular de todas as escolas da rede. A disciplina tem material didático próprio e regionalizado para, de acordo com o governo, “potencializar o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes paraenses”.

— Nosso objetivo é que os alunos vejam essas árvores crescendo e se beneficiem do açaí maduro. Entendam, no futuro, que aquela ação de anos antes leva a um resultado positivo, aumentando a biodiversidade e até gerando renda para os moradores — conta Altielis.

Já no Paraná, o Colégio Agrícola Estadual Adroaldo Augusto Colombo, da zona rural de Palotina, no oeste do estado, vem recuperando nascentes há quase dez anos. Já foram restauradas 265 fontes d’água de produtores rurais locais. Sob a orientação de técnicos da prefeitura, os estudantes são responsáveis pelo levantamento dos materiais necessários (geralmente PVC, cascalho, cimento e areia), agendamento com os proprietários da região e mão de obra.

— Recuperar nascentes é fundamental para garantir o abastecimento contínuo de água limpa. Nascentes bem conservadas filtram naturalmente impurezas e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas locais — afirma o diretor do colégio, Gelso Dalla Costa. — Esse projeto é uma oportunidade para os nossos alunos de unir o conhecimento técnico com a vida fora da sala. Eles aprendem na prática, atuam junto à comunidade e contribuem para a preservação ambiental.

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  • Impacto além da formação
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Impacto além da formação

Projetos de educação ambiental têm impactos que vão além da formação de alunos. Desde 2024, o Instituto Alana realiza o Prêmio Criativos: Escola + Natureza, que busca mapear e celebrar iniciativas que coloquem em prática ações voltadas para a melhoria de problemas relacionados à natureza. Este ano, foram 1.593 projetos inscritos de todos os estados do Brasil. Estima-se que somente as iniciativas inscritas tenham envolvido 60 mil estudantes. No entanto, essas ações podem ter impactado 165 mil pessoas, levando em conta a comunidade onde as escolas estão situadas.

No Brasil, mais de 92 mil escolas públicas — cerca de 70% — declararam ter atividades de educação ambiental em 2024. Juntas, elas reúnem 2,4 milhões de estudantes. De acordo com Narjara Mendes, professora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a melhor abordagem da educação ambiental se dá de forma “curricular, transversal e interdisciplinar”. No entanto, ela diz, as escolas têm apresentado dificuldades para essa implementação.

— Defendemos uma proposta de “ambientalização curricular” em que se consideram a questão ambiental e a urgência de se repensar os modos de ser e estar em sociedade. Isso deve ser parte inerente da ação pedagógica docente e do coletivo escolar — diz a especialista. — Entendemos que, para implementação desse processo de ambientalização, ainda precisamos avançar na promoção da formação inicial e continuada de professores.

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