Erick Pulgar foi alvo de críticas no Chile por não ser um dos nomes do novo ciclo da seleção de seu país, e resolveu responder. Em contato com o blog, o volante do Flamengo falou com mais clareza sobre a decisão de não defender La Roja neste momento.
Você tem planos de voltar à seleção e participar do ciclo para 2030?
Hoje tenho 32 anos e a próxima Copa do Mundo é daqui a quatro anos. Eu adoraria ver o Chile de volta a uma Copa do Mundo, mas não seria honesto garantir que vou chegar a disputá-la. Não sabemos como estará minha condição física nem qual será meu momento no futebol na época.
A seleção sempre será importante para mim e, se mais adiante eu puder contribuir, estarei disposto a conversar sobre isso. Mas hoje o foco precisa estar nos jovens. É preciso apoiá-los, dar confiança e ter paciência com esse processo. São eles que precisam crescer e levar o Chile de volta à Copa do Mundo.
No Chile tem sido dito que você não quer voltar à seleção por causa das críticas que recebeu. Essa é realmente a razão da sua decisão?
Não. E acho que algumas coisas que conversei com o presidente foram bastante tiradas de contexto. Eu falei sobre críticas, nunca disse que não queria ir à seleção porque não suportava a pressão. Na verdade, até acho um pouco engraçado quando falam em pressão. Jogo partidas com 60 ou 70 mil pessoas, já disputei fases decisivas da Copa Libertadores e também uma final de Libertadores. Se, depois de tudo isso, o problema fosse eu não conseguir suportar a “pressão” de jogar no Chile, seria bastante curioso. E, sendo sincero, também não gosto de exagerar com essa palavra. Pressão tem uma pessoa que trabalha 12 horas e, no fim do mês, não sabe se vai conseguir levar comida para casa. O meu é futebol. Tenho a sorte de fazer o que gosto.
O ex-jogador Esteban Paredes (maior artilheiro da história do Campeonato Chileno) afirmou que, se as críticas fossem o motivo da sua ausência, você teria uma “mente muito frágil”. Como você recebe esse comentário?
Eu achei um pouco engraçado, principalmente porque o Esteban nunca falou comigo. Então ele conseguiu analisar minha força mental sem sequer me perguntar o que aconteceu. Um diagnóstico bastante completo. Ele também falou sobre a pressão de jogar pelo Chile e voltamos ao mesmo ponto: jogo futebol profissional há anos, passei oito anos na Europa. Disputei partidas decisivas e uma final de Copa Libertadores. Alguma pressão eu já tive que enfrentar. Respeito muito o que o Esteban fez como jogador de futebol, mas, se ele queria saber o que estava acontecendo comigo, seria muito mais fácil me perguntar do que fazer uma análise psicológica pela televisão.
Existe algum problema com a seleção chilena, com a comissão técnica ou com algum jogador, ou sua decisão responde a outras razões?
Não tenho nenhum problema com meus companheiros e não existe essa história que alguns quiseram construir. Existem conversas e decisões pessoais e profissionais que não necessariamente preciso tornar públicas. O que me incomodou foi ver como uma conversa acabou se transformando em uma explicação que eu nunca dei. Uma coisa é dizer que existem críticas e outra completamente diferente é dizer: “Pulgar não vem porque não suporta a pressão”. Eu nunca disse isso.
Que mensagem você gostaria de dar ao torcedor chileno nesse momento?
Que, quando quiserem saber o que Erick Pulgar pensa, o melhor é ouvir Erick Pulgar. Ultimamente, aprendi muitas coisas sobre mim lendo a imprensa, principalmente alguns veículos chilenos que me confundem. Em alguns momentos, até eu fico esperando a próxima notícia para descobrir o que penso. Mas, falando sério, tenho enorme respeito pela seleção e pelo torcedor chileno. Vestir essa camisa sempre significou muito para mim. Por isso, se algum dia tiver algo a explicar sobre minhas decisões, prefiro fazer isso eu mesmo, e não deixar que outros tenham que interpretar ou inventar minhas razões.
Pulgar cita pressão no Flamengo para rebater críticas por ausência no Chile e admite dúvidas sobre próxima Copa: 'Foco precisa estar nos jovens'
