A morte de Charlie Kirk, fundador do grupo Turning Point USA, provocou uma onda de luto, raiva e mobilização entre os conservadores americanos. Muitos o chamam de mártir, e enxergam em seu assassinato uma oportunidade para engajar o movimento que ele iniciou e consolidar os valores conservadores cristãos na vida americana.
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Um espaço-chave dessa mobilização é uma igreja em Phoenix, no estado do Arizona, onde Kirk promovia eventos mensais de sua iniciativa “Freedom Night in America”.
Os encontros mensais de Kirk eram realizados na Dream City Church. Mesmo lugar no qual, na última quarta-feira, o pastor Luke Barnett se dirigiu à congregação, afirmando que a morte de Kirk “libertou o dragão” e incentivando os jovens a se engajarem.
— É hora de vocês se levantarem por causa do que aconteceu com Charlie Kirk. Eu consigo imaginar, agora mesmo, 10 mil Charlie Kirks mobilizando campi universitários por todos os Estados Unidos, proclamando a verdade de Jesus Cristo. Agora, quem vai ocupar o lugar dele? — disse.
A igreja foi fundada em 1923 como Phoenix First Assembly, por John Eiting, ligada ao movimento pentecostal das Assembléias de Deus. Surgiu de reuniões em tendas, em uma cidade pequena que ainda se desenvolvia no deserto de Sonora.
Um ponto de virada aconteceu em 1979 com a chegada do pastor Tommy Barnett, que trouxe métodos inovadores de ministério, como sermões ilustrados e produções teatrais, além de expandir significativamente a congregação. Sob sua liderança, a igreja ganhou influência e visibilidade.
Nos anos 1990 e 2000, a Dream City Church ampliou sua atuação social com a criação do Dream Center em Phoenix, com atendimento a pessoas em situações de vulnerabilidade. Em 2015, a igreja adotou oficialmente o nome Dream City Church e passou a operar em múltiplos campi, consolidando-se como uma das maiores megaigrejas conservadoras dos EUA.
Em 2020, o presidente Donald Trump chegou a realizar um evento de campanha na instituição religiosa, durante o auge da pandemia de Covid-19. Na época, a igreja afirmou que seus filtros de ar eram capazes de eliminar o coronavírus do ambiente, dispensando, inclusive, o uso obrigatório de máscaras, mesmo diante de recomendações oficiais.
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Especialistas, porém, contestaram a alegação. Epidemiologistas e engenheiros ambientais afirmaram que a tecnologia de ionização usada pelo filtro não poderia proteger os milhares de participantes de contrair a doença. O sistema apenas retira algumas partículas do ar, mas não “mata” o vírus nem garante que ele se torne inofensivo.
Assassinato de Charlie Kirk
A morte de Kirk ocorreu menos de uma semana depois de ele ter sido fatalmente baleado em um evento na Universidade de Utah Valley. Desde então, a raiva e o luto permanecem intensos em diversas partes do país, e especialistas afirmam que é difícil prever os efeitos políticos de longo prazo desse assassinato em um clima já altamente polarizado.
Ainda assim, aliados de Kirk prometeram assumir seu legado e expandir o alcance de suas ideias.
— É isso que acontece quando você transforma alguém em mártir: você encoraja todos que compartilham das mesmas crenças — disse Allie Beth Stuckey , uma escritora e podcaster cristã conservadora, que ofereceu tanto um elogio a Kirk como um amigo quanto uma condenação de seus críticos. — Charlie e a verdade que ele representa vão se espalhar cada vez mais, como nunca.

Influenciador conservador Charlie Kirk é morto durante palestra em universidade dos EUA
O assassinato também gerou preocupações sobre retaliações a organizações democratas e valores liberais, já sob pressão. Em paralelo, conservadores têm usado casos de figuras como Kirk ou Ashli Babbitt, veterana da Força Aérea morta durante a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro, como símbolos de perseguição e de “martírio político”.
Entre os eventos recentes que galvanizaram a direita americana, a morte de Kirk se destaca: o crime, cometido em um campus universitário e visto por muitos cristãos conservadores como um ato de maldade bíblica, tem potencial para acelerar a mudança geracional para a direita que ele buscava impulsionar em vida.
‘Um verdadeiro mártir americano’
Embora tenha defendido posições polêmicas sobre gênero, controle de armas e raça, Kirk era voz de muitos evangélicos conservadores e responsável por atrair jovens eleitores, especialmente homens, para apoiar Trump. Alguns membros do Gabinete e legisladores estiveram entre os que se reuniram no Kennedy Center, em Washington, para prestar homenagem.
— Acho que ele é um verdadeiro mártir americano — afirmou Carson Carpenter, recém-formado pela Universidade Estadual do Arizona que conheceu Kirk enquanto era presidente do College Republicans da instituição. Para ele, a influência de Kirk “permanecerá por muitas gerações, no movimento conservador, mas também em todos os Estados Unidos”.
O Turning Point USA relatou um aumento expressivo no interesse online: mais de 32 mil consultas em 48 horas sobre como iniciar novas filiais, atualmente somando cerca de 3,5 mil em escolas e universidades.
— Sabemos que nossas vozes são importantes. Charlie Kirk não tem mais permissão para falar, mas nós ainda podemos — disse RaeAnna Morales, de 20 anos, diretora de mídia do College Republicans da Universidade Vanderbilt e uma das alunas interessadas em iniciar uma filial.