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outubro 7, 2026
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Quando distração parece egoísmo: o que pode estar por trás desse comportamento

Por · outubro 7, 2026
Quando distração parece egoísmo: o que pode estar por trás desse comportamento


Claudia Leitte voltou a falar sobre o diagnóstico de TDAH e chamou atenção para uma questão que costuma aparecer menos nas discussões sobre o transtorno: a forma como determinados comportamentos podem ser interpretados nas relações. Segundo a cantora, depois de tornar o diagnóstico público, ela também passou a perceber situações de preconceito.
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Entre os julgamentos que mencionou está a associação entre algumas características do TDAH e comportamentos vistos como egoísmo ou falta de consideração.
A interpretação pode surgir de situações comuns do cotidiano. Esquecer de responder uma mensagem, perder um horário, interromper alguém durante uma conversa, parecer distraído ou adiar uma tarefa são atitudes que podem gerar conflitos quando se repetem. Em pessoas com TDAH, porém, algumas dessas dificuldades podem estar relacionadas a alterações em atenção, memória de trabalho, organização e controle dos impulsos.
“O TDAH interfere na regulação da atenção e pode repercutir na organização, na percepção do tempo e no controle dos impulsos. Então, alguém pode esquecer um compromisso importante ou interromper uma conversa sem que exista a intenção de desrespeitar o outro. Isso não elimina o impacto que o comportamento provoca, mas muda a maneira de compreender por que ele acontece”, explica Tales Vilela, psiquiatra especialista em Psiquiatria Infantil e diretor clínico do Instituto Essencialmente.
Nem todo esquecimento é TDAH
A discussão também exige cuidado diante da popularização de conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais. Distração, esquecimento e dificuldade de concentração fazem parte da experiência de muitas pessoas e, isoladamente, não caracterizam um transtorno.
Para a neuropsicóloga Roberta Machado, o que precisa ser observado é a combinação entre frequência, intensidade e impacto dessas dificuldades.
“Não podemos transformar características isoladas em diagnóstico. No TDAH, avaliamos um conjunto de funções, como atenção, planejamento, organização, controle inibitório e regulação emocional, além de observar como essas dificuldades aparecem em diferentes contextos e interferem efetivamente na rotina. É essa análise mais ampla que diferencia uma dificuldade pontual de um quadro que precisa ser investigado”, pondera.
O diagnóstico também não significa retirar da pessoa a responsabilidade sobre a maneira como seus comportamentos afetam os outros. A diferença está em compreender a dificuldade para buscar formas de administrá-la.
“Entender o diagnóstico não significa dizer que tudo está permitido. Significa reconhecer uma dificuldade real e desenvolver recursos para lidar com ela. Alarmes, agendas, organização da rotina e estratégias para controlar interrupções, por exemplo, podem ajudar. O TDAH não define a capacidade intelectual, profissional ou afetiva de uma pessoa”, completa Tales.

Quando distração parece egoísmo: o que pode estar por trás desse comportamento