A brasileira Scheila Santos, de 34 anos, radicada em Londres e com carreira em ascensão na cena internacional, revelou recentemente que se identifica como melossexual, termo usado informalmente em comunidades da internet para descrever pessoas cuja atração e interesse afetivo são influenciados diretamente pela música. A descoberta aconteceu durante um processo terapêutico, quando ela percebeu que o que sempre derrubou seus relacionamentos não era a rotina intensa de DJ, mas a falta de sintonia musical com os parceiros.
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Scheila conta que passou anos sem entender por que perdia o interesse repentinamente nas relações. Ao revisitar experiências passadas, percebeu que a quebra de conexão surgia exatamente quando não havia troca musical. Para ela, mostrar uma música sempre foi um gesto íntimo, quase uma demonstração de vulnerabilidade. “Eu mostrava uma música que me arrepiava inteira e a pessoa respondia com um ‘legal’. Aquilo me desanimava completamente. Achei que era exagero, mas não era. Era falta de sintonia”, afirma ao GLOBO.
O insight veio quando a DJ comentou esse padrão recorrente com sua terapeuta. A profissional sugeriu que ela pesquisasse vínculos afetivos mediados pela música. Nessas buscas, Scheila encontrou descrições que espelhavam sua própria experiência e esbarrou no termo melossexual. Ela explica que, naquele momento, todas as peças se encaixaram. Ao ler relatos de pessoas que também sentem atração pela maneira como alguém vibra com uma música, pela sensibilidade ao ritmo, pela conexão emocional ao som, ela se reconheceu imediatamente.
A DJ, que estudou na Point Blank Music School e toca principalmente afro-house e afrotech, explica que sua sensibilidade musical sempre orientou seus afetos, mesmo quando não percebia. “Eu tentava ignorar isso, achava que não era importante, mas era justamente o que guiava tudo. Meu termômetro emocional sempre foi a música”, diz.
Desde que compartilhou sua descoberta, Scheila tem recebido mensagens de pessoas que se identificam com a experiência. Algumas relatam padrões parecidos nas próprias vidas, mostrando que a melossexualidade, embora não seja um termo clínico, tem servido como ferramenta de autocompreensão para muitas pessoas que vivem relações moldadas pela música.
Para ela, entender a melossexualidade foi um processo libertador. “Quando você entende o que te move, você para de insistir no que não faz sentido. Descobrir isso me ajudou a reconhecer o tipo de relação que realmente me toca e me transforma”, conclui.
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