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outubro 8, 2026
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Quem é a veterinária brasileira que deixou Minas pelos EUA e descobriu nos cavalos uma paixão para a vida

Por · outubro 8, 2026
Quem é a veterinária brasileira que deixou Minas pelos EUA e descobriu nos cavalos uma paixão para a vida


Quando entrou na faculdade de Medicina Veterinária, Izabela Rocha não tinha experiência com animais. Foi nos primeiros semestres, durante um estágio com equinos, que descobriu uma nova área de interesse. Ao mesmo tempo, as aulas de neuroanatomia e neurofisiologia estavam entre suas preferidas. A combinação acabou apontando para uma especialização bastante específica: a neurologia.
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A confirmação veio no primeiro congresso profissional de que participou. Depois de assistir a uma palestra do neurologista Steve Reed, Izabela decidiu que era aquele o caminho que queria seguir. Anos mais tarde, a profissão a levou de Minas Gerais para os Estados Unidos, onde passou a dividir a rotina entre atendimento, ensino e pesquisa. Hoje, no Tennessee, também trabalha no desenvolvimento de medicamentos veterinários.
Mudar de país significou começar uma vida nova em vários sentidos. Além de se adaptar ao idioma, aos sotaques regionais e a uma cultura diferente, Izabela precisou lidar com a distância da família e dos amigos. No ambiente profissional, encontrou outro tipo de desafio: trabalhar ao lado de nomes que já eram referências internacionais em suas áreas.
“Existem inúmeros desafios associados à construção, do zero, de uma vida fora do Brasil, como a adaptação ao idioma estrangeiro e aos sotaques regionais, a imersão em uma cultura diferente e a distância da família e dos amigos. O maior desafio foi trabalhar ao lado de profissionais que são referência internacional em suas áreas de atuação. É uma sensação inacreditável saber que essas pessoas depositam confiança em você. Isso me fez buscar a excelência a todo momento, seja na pesquisa, na prática clínica ou no ensino”, conta.
Da veterinária à pesquisa: a trajetória de Izabela Rocha nos EUA
Divulgação
Entre a clínica e a pesquisa
Há 15 anos, Izabela trabalha com atendimento e investigação científica voltados aos equinos. Na neurologia, parte do desafio está justamente no que a ciência ainda não conseguiu responder. Há doenças cujos mecanismos permanecem pouco conhecidos, o que também dificulta a criação de métodos mais precisos de diagnóstico e tratamento.
É nesse espaço que está o foco de sua pesquisa: buscar respostas que possam contribuir para o cuidado desses animais. Para ela, o processo tem menos a ver com chegar a uma resposta definitiva e mais com entender o que ainda falta descobrir.
“Diagnosticar e tratar doenças neurológicas em cavalos é um dos aspectos mais desafiadores da clínica de equinos. Ainda há muito a descobrir sobre os mecanismos por trás das afecções neurológicas nesses animais, o que dificulta o desenvolvimento de métodos precisos de diagnóstico e tratamento. O objetivo da minha pesquisa é fornecer respostas que contribuam para o manejo desses animais”, reflete.
Parte desse trabalho envolve o desenvolvimento de medicamentos veterinários. Antes que uma nova opção chegue à prática, os pesquisadores passam por diferentes etapas para entender como um composto funciona, avaliar sua segurança e verificar se ele pode ser eficaz no tratamento de determinada doença.
Izabela Rocha faz da paixão pelos cavalos uma carreira na ciência nos EUA
Divulgação
A primeira fase é a pesquisa básica, realizada em laboratório. É ali que são investigados mecanismos que podem servir de alvo para novos medicamentos. Os compostos também passam por aprimoramentos para buscar maior eficácia e reduzir possíveis efeitos tóxicos.
Na etapa seguinte, chamada de pesquisa translacional, os estudos avançam para testes preliminares e avaliações com a espécie para a qual o tratamento está sendo desenvolvido. A diferença de metabolismo entre os animais é um dos motivos para essa etapa ser necessária.
“Na etapa translacional, são realizados testes preliminares em animais de laboratório e estudos com indivíduos da espécie para a qual o medicamento está sendo desenvolvido. Como o metabolismo varia entre as espécies, os resultados obtidos em animais de laboratório podem não refletir adequadamente a resposta de animais domésticos ao composto. Por isso, é necessário avaliar o metabolismo e a toxicidade do medicamento em animais saudáveis da espécie-alvo”, detalha.
Os estudos clínicos são feitos com animais que apresentam a doença pesquisada. O tratamento experimental é comparado a um placebo ou a uma medicação já aprovada, em um processo que permite avaliar sua eficácia.
“A pesquisa clínica avalia a eficácia do medicamento em ensaios clínicos randomizados com animais afetados pela doença em estudo. Um grupo recebe o composto experimental; os demais recebem placebo ou algum medicamento já aprovado para o tratamento da doença. É importante ressaltar que o desenvolvimento de medicamentos veterinários é tão regulado quanto o de medicamentos para humanos. Todas essas etapas são essenciais para que a empresa farmacêutica obtenha a aprovação dos órgãos reguladores e possa comercializar um novo produto”, explica.
Izabela Rocha saiu de Minas Gerais para se especializar e hoje atua no desenvolvimento de medicamentos veterinários no Tennessee
Divulgação
A experiência de trabalhar com animais de grande porte
O trabalho com animais de grande porte também colocou Izabela diante de um desafio que vai além da prática veterinária: os estereótipos que ainda cercam a atuação das mulheres na profissão. Em alguns procedimentos, ela percebe olhares de desconfiança, como se seu porte físico pudesse determinar sua capacidade de lidar com equinos.
“Apesar do aumento no número de mulheres na medicina veterinária, ainda existe uma associação entre a presença feminina e a clínica de pequenos animais. Persiste a percepção de que um menor porte físico influencia a capacidade de trabalhar com equinos, como se isso nos gerasse insegurança ao lidar com animais de grande porte. Ocasionalmente, as pessoas observam os procedimentos clínicos e esperam que não demos conta, mas se surpreendem ao ver que tudo correu sem intercorrências”, observa.
Para Izabela, a pesquisa também é movida por perguntas que permanecem em aberto e que podem surgir justamente a partir de uma nova descoberta. “A ciência é como um quebra-cabeça com peças faltando. A cada resposta, várias perguntas se revelam. E é essa busca que me inspira a continuar nessa trajetória”, resume.

Quem é a veterinária brasileira que deixou Minas pelos EUA e descobriu nos cavalos uma paixão para a vida