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Repórter da CNN relata crachá confiscado ao tentar acessar Casa Branca após proibição de Trump

A repórter da CNN Betsy Klein teve a entrada negada na Casa Branca e o crachá de imprensa confiscado neste sábado, um dia depois de o presidente Donald Trump anunciar que proibiria CNN, MS NOW e Politico de acessar as dependências da sede do governo americano. Em um relato ao vivo, Klein descreveu passo a […]

Repórter da CNN relata crachá confiscado ao tentar acessar Casa Branca após proibição de Trump


A repórter da CNN Betsy Klein teve a entrada negada na Casa Branca e o crachá de imprensa confiscado neste sábado, um dia depois de o presidente Donald Trump anunciar que proibiria CNN, MS NOW e Politico de acessar as dependências da sede do governo americano. Em um relato ao vivo, Klein descreveu passo a passo a tentativa de entrar no complexo pelo procedimento que, segundo ela, utiliza diariamente para trabalhar.
Klein afirmou que cobre a Casa Branca para a CNN desde o governo de Barack Obama, em 2015, inicialmente como produtora e, atualmente, como repórter. Segundo ela, todos os dias em que vai à sede do governo para trabalhar, chega ao cruzamento da 17th Street Northwest com a Pennsylvania Avenue e passa por um posto de controle do Serviço Secreto.
— Mostro a eles meu passe de acesso e então passo pelo prédio de escritórios executivos Eisenhower e entro pelo Portão Noroeste — relatou.
De acordo com a jornalista, o procedimento continuou normalmente naquele sábado. Ela colocou seus pertences em uma esteira semelhante às utilizadas em aeroportos e, em seguida, encostou o crachá em um leitor de cartões. Depois, digitou o código de quatro dígitos usado para liberar sua entrada.
— Fiz tudo isso hoje. A única diferença é que havia um grupo de câmeras esperando do lado de fora daquele portão para me ver entrar — disse.
Klein também contou que uma banda militar ensaiava nas proximidades para uma visita de Estado da China prevista para o fim da semana. O problema ocorreu quando a jornalista tentou concluir o acesso. Segundo Klein, o leitor emitiu uma série de sinais sonoros, exibiu luzes vermelha, azul e verde, mas não aceitou o número do PIN.
Um agente do Serviço Secreto que estava na guarita e com quem, segundo ela, já havia tido contato anteriormente pediu para ver o crachá. Klein entregou a credencial ao funcionário.
— Ele me disse que ela havia sido desativada — relatou.
A repórter então perguntou ao agente se ele poderia explicar por que o crachá havia sido desativado. Segundo Klein, ele respondeu que não tinha informações adicionais. Ela voltou a perguntar se havia algum outro detalhe que pudesse ser compartilhado. Dessa vez, o agente a orientou a procurar o escritório de imprensa da Casa Branca, responsável pelo contato com os jornalistas que trabalham no local.
Klein também perguntou se poderia receber o crachá de volta. O agente respondeu que ficaria com a credencial.
— Ele, no entanto, me devolveu esta capa transparente com o cordão que a acompanhava — contou a jornalista, mostrando o objeto durante a transmissão. Assita:
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Depois de recolher seus pertences, Klein deixou o local pelo mesmo portão pelo qual havia tentado entrar.
— Mas nós tínhamos ouvido o presidente Trump dizer no início desta semana que ele iria proibir CNN, MS NOW e Politico das dependências da Casa Branca. O presidente claramente está cumprindo essa promessa — afirmou.
Proibição inconstitucional
A jornalista lembrou, porém, que especialistas em Primeira Emenda, advogados e outros especialistas jurídicos ouvidos pela CNN afirmaram que uma proibição baseada na cobertura jornalística dos veículos pode ser considerada inconstitucional.
Trump havia sido questionado anteriormente sobre esse tipo de argumento. Segundo Klein, o presidente afirmou que seria possível apontar que a imprensa era “tendenciosa” e que a questão sobre a legalidade da medida dependeria de um juiz.
— Obviamente, vamos continuar fazendo nosso trabalho, seja dentro das dependências da Casa Branca ou bem aqui neste cruzamento. Podemos fazer nosso trabalho em qualquer lugar — concluiu Klein.
Jornalistas da MS NOW e do Politico também foram barrados
A situação enfrentada por Klein ocorreu cerca de um dia depois de Trump anunciar a proibição de CNN, MS NOW e Politico na Casa Branca. Jornalistas dos três veículos tiveram problemas para acessar o complexo neste sábado.
Akayla Gardner, correspondente da MS NOW na Casa Branca, afirmou que conseguiu passar por dois portões, mas foi impedida de prosseguir quando chegou ao ponto em que sua credencial precisava ser escaneada. Segundo ela, um agente de segurança informou que o crachá havia sido desativado e pediu que ela o entregasse. Questionado sobre o motivo, o funcionário teria respondido que a decisão “vinha de cima”.
Um fotógrafo da MS NOW também teve a credencial desativada. Já Cheyenne Haslett, repórter do Politico, teve a entrada negada e a credencial confiscada, segundo o veículo. O editor-chefe Jonathan Greenberger afirmou que o Politico está ao lado da jornalista e dos demais profissionais que cobrem a Casa Branca e que defenderá “vigorosamente” os direitos garantidos pela Primeira Emenda.
Trump diz que pode ampliar proibição
Trump anunciou na sexta-feira, em uma publicação nas redes sociais, que estava proibindo CNN, MS NOW e Politico de entrar na Casa Branca. O presidente acusou os três veículos de produzir o que classificou como “notícias falsas” sobre seu governo.
Mais tarde, questionado por jornalistas no Salão Oval, afirmou que estava cansado das reportagens publicadas pelos veículos e disse que poderia ampliar a medida.
— Há algo de errado com um país que pode permitir que as pessoas escrevam matérias propositalmente negativas — afirmou Trump. — Agora, se eles quiserem escrevê-las, tudo bem, mas eu não preciso deixá-los entrar na minha… na casa do povo.
O presidente também acusou os veículos de produzirem deliberadamente notícias negativas para prejudicar os republicanos e seu governo. Na mesma ocasião, criticou The New York Times e The Washington Post e indicou que outras organizações poderiam ser incluídas na proibição.
A assessoria de imprensa da Casa Branca não respondeu aos questionamentos sobre a implementação da medida e remeteu às declarações anteriores do presidente.
Associação de correspondentes pede fim da medida
A White House Correspondents’ Association, entidade que representa centenas de jornalistas que cobrem a Presidência americana, pediu neste sábado que o governo restabeleça imediatamente o acesso dos profissionais dos três veículos.
“A ação de hoje, ao revogar o acesso de jornalistas da CNN, do Politico e da MS NOW, viola a Primeira Emenda”, afirmou a organização, acrescentando que o governo Trump deveria “restaurar imediatamente o acesso de nossos colegas”.
A CNN classificou a proibição como ilegal e afirmou que continuará cobrindo o governo americano, mesmo que seus profissionais sejam impedidos de entrar fisicamente na Casa Branca e em outros prédios públicos.
A MS NOW também declarou apoio aos jornalistas e afirmou que pretende tomar as medidas necessárias para defender seus direitos garantidos pela Primeira Emenda e o papel do jornalismo independente.
A decisão ocorre após outros confrontos entre Trump e organizações de imprensa. No ano passado, o governo impediu repórteres da Associated Press de participar de eventos como reuniões no Salão Oval e voos no Air Force One depois que a agência decidiu não adotar “Golfo da América” como nome principal para o Golfo do México. A AP contestou a decisão na Justiça.
Durante o primeiro mandato de Trump, em 2018, a Casa Branca também revogou temporariamente a credencial do correspondente da CNN Jim Acosta após uma discussão durante uma entrevista coletiva. A emissora recorreu à Justiça, e um juiz federal determinou o restabelecimento temporário do acesso do jornalista.
(Com AFP e New York Times)

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BRCOM