Negociadores chineses e americanos devem passar todo o fim de semana discutindo possíveis acordos antes da visita de Estado de Xi Jinping, que chega a Washington no dia 23. Essa é a primeira viagem de Xi aos EUA desde 2023, quando se encontrou com o ex-presidente Joe Biden durante uma visita que incluiu a participação na cúpula da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em São Francisco.
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O encontro será marcado pelas negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo e pela disputa em torno de inteligência artificial e outras tecnologias estratégicas.
De acordo com o roteiro da viagem, divulgado pela Casa Branca, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, chegam à Base Conjunta de Andrews, nos arredores de Washington, onde serão recebidos por Trump e Melania. Os casais participarão de uma cerimônia de boas-vindas, algo raro de acontecer em uma base militar.
No dia 24, ambos se reúnem na Casa Branca. A programação prevê uma cerimônia de chegada, uma cerimônia militar no Rose Garden e uma reunião bilateral. À noite, o casal presidencial oferecerá um jantar de Estado no East Room, no qual Trump e Xi devem discursar.
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Antes das negociações bilaterais, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, vai se reunir com autoridades chinesas em Nova York neste domingo, de acordo com um comunicado divulgado por seu gabinete. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng vão preparar o terreno para a reunião de alto nível entre Trump e Xi Jinping no dia 24.
Bessent e He Lifeng se encontraram pessoalmente pela última vez nas proximidades de Seul há cerca de quatro meses, poucos dias antes da visita de Trump a Pequim, em maio.
Os EUA e a China vêm trabalhando para reduzir as tarifas sobre produtos energéticos e agrícolas americanos, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg, como parte de uma iniciativa mais ampla para diminuir as barreiras sobre US$ 30 bilhões em produtos menos sensíveis de cada lado, no âmbito de um acordo abrangente firmado durante a última cúpula entre os líderes dos EUA e da China.
A inteligência artificial (IA) deve ocupar um lugar de destaque nas conversas entre Trump e Xi, já que Estados Unidos e China são as duas potências dominantes na corrida pelo domínio dessa tecnologia.
Apesar dos crescentes apelos para moderar o ritmo de desenvolvimento da IA diante do risco de perda de controle, o governo americano considera que os principais atores do setor, como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, não podem se dar ao luxo de desacelerar, por temer que a China assuma a dianteira.
Durante muito tempo considerada atrasada no campo da IA avançada, Pequim vem reduzindo rapidamente a distância que a separa dos Estados Unidos. Washington tenta conter esses avanços limitando as exportações para a China de chips avançados, em particular os semicondutores da Nvidia.
Apesar dessa rivalidade, ainda há esperança de que as duas superpotências possam chegar a um acordo durante o encontro. No entanto, não parece provável que cheguem a um consenso para desacelerar o desenvolvimento da IA ou implementar salvaguardas em escala mundial.
Em um sinal do papel central que a agricultura provavelmente terá nas discussões, representantes da Cofco, empresa estatal de comércio de alimentos, podem acompanhar Xi na viagem aos EUA, segundo duas pessoas a par do assunto.
Mais de uma dezena de empresas também estão sendo consideradas para integrar uma delegação de CEOs, embora ainda não haja uma decisão final, disseram as pessoas. Até agora, esta é uma das incógnitas mais interessantes da semana, com a liderança da BYD entre os nomes avançados. Se esses executivos terão algum tipo de protagonismo é um dos poucos aspectos realmente incertos da visita.
Em visita de Estado em maio, Trump levou mais de uma dezena de CEOs à China, entre eles Jensen Huang, da Nvidia e Elon Musk, da Tesla. Os executivos se reuniram com o primeiro-ministro Li Qiang, e Xi afirmou a eles que as empresas dos EUA “estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, um processo do qual os dois lados se beneficiaram”.
O Banquete de Estado que será oferecido à delegação chinesa contará com a presença de vários convidados, incluindo executivos dos setores de tecnologia e finanças, uma lista pouco habitual.
“Será um evento muito cobiçado, com lugares bastante disputados”, disse a uma fonte da organização do evento durante uma conversa com jornalistas.
Segundo ela, os CEOs Sam Altman, da OpenAI, Jensen Huang, da Nvidia, Cristiano Amon, da Qualcomm, e o presidente da Apple, Tim Cook, são esperados. Também estão previstas as presenças do fundador da Amazon, Jeff Bezos; do chefe da SpaceX e da Tesla, Elon Musk; e do CEO do Google, Sundar Pichai.
A Anthropic recusou dizer se foi convidada. Altman, por seu lado, sugeriu que Trump e Xi poderiam ganhar o Prêmio Nobel da Paz se chegarem a um acordo sobre inteligência artificial, o que dá uma medida do que a indústria espera deste encontro.
Na sexta-feira (25), os dois casais devem participar de um chá privado na Casa Branca e visitar os Arquivos Nacionais, onde verão alguns dos principais documentos históricos dos Estados Unidos no ano em que o país celebra seus 250 anos. Depois, Xi seguirá para a Base de Andrews para deixar Washington.
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