Sucesso desde a estreia, em 1968, em um pequeno teatro off-Broadway, o musical “Hair” logo ganhou o mundo, com montagens em diversos países e versão de Milos Forman para os cinemas, em 1979. No Brasil, já foram diversas adaptações desde 1969, quando Ney Latorraca, Antônio Fagundes, José Wilker e Ivone Hoffman, entre outros, levaram aos palcos, sob direção de Ademar Guerra, a história de jovens hippies que protestam contra a Guerra do Vietnã.
- Premiada por musical sobre Rita Lee, Mel Lisboa quase recusou papel por medo de cantar: ‘Minha atriz é melhor do que minha cantora, é truqueira e finge que canta’
- Grupo Corpo celebra 50 anos com turnê pelo Brasil e obra inédita; veja datas divulgadas
Amanhã, o musical retorna ao Rio, no Teatro Riachuelo, sob direção da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que já montou o espetáculo há 15 anos.
— O texto nunca perderá sua atualidade, já que antecipou tantas discussões que temos hoje, como igualdade racial, sexual e de gênero. Mas o “Hair” que estamos montando é novo. Nós não somos mais as mesmas pessoas, o mundo também não é o mesmo — argumenta Möeller.
No palco, 30 atores dão vida à “tribo”, um grupo de hippies na Nova York da contracultura. Com muito rock psicodélico e canções icônicas, como “Aquarius” e “Let the sunshine in” — e alguns arranjos que remetem a ritmos nacionais —, os personagens celebram a liberdade e o amor e contestam valores tradicionais da sociedade americana.
Prestes a embarcar para lutar no Vietnã, Claude (Eduardo Borelli), de 19 anos, se depara com um conflito. Dividido entre os ideais de sua família tradicional e os amigos, ele questiona se deve ceder à pressão e ir para a guerra ou viver de acordo com seus próprios valores.
— É um menino cheio de contradições. Os conflitos dele são parecidos com os que tive com meus familiares — revela Borelli, que estrela o musical após “A noviça rebelde” e “Mamma mia”. — “Paz e amor” parece uma ideia ingênua. Já vivemos em uma época que não parecesse o fim do mundo? Nesse cenário, queremos pertencer a algo, algo como a tribo.
Se preparando para cantar profissionalmente pela primeira vez, Rodrigo Simas interpreta George Berger, líder do grupo e personagem que sintetiza temas que marcaram a época, como luta pela liberação sexual, pelo uso de drogas psicodélicas e pela desobediência civil.
— Somos fiéis ao texto original, mas a nossa musicalidade nos aproxima da história do nosso país nessa década, para além dos EUA — acrescenta Simas.
- Onde: Teatro Riachuelo, Centro.
- Quando: Qui e sex, às 20h. Sáb, às 16h e 20h. Dom, às 15h. Até 21 de setembro. Estreia amanhã.
- Quanto: R$ 50 a R$ 300.
- Classificação: 18 anos.