Mesmo em um momento de polarização eleitoral no Brasil, e em uma Copa do Mundo realizada em um país — os EUA — que recentemente iniciou uma guerra, e cujo governo interferiu na logística e presença de seleções, árbitros e jornalistas, despertando acaloradas opiniões, os jogadores da seleção brasileira raramente se manifestam publicamente sobre política. Com exceção de Neymar, que já pediu votos para Jair Bolsonaro, os comandados de Carlo Ancelotti evitam associações partidárias ou a candidatos específicos. Nas redes sociais, porém, há nomes da esquerda e da direita que contam com seguidores da equipe.
No campo da esquerda, não há apoiadores declarados. Mas há nomes, em especial Vinicius Jr e Danilo Luiz, que se engajam em causas sociais e progressistas. O lateral direito destacou, em entrevista recente ao programa Sem Censura, da TV Brasil, a necessidade de investimentos em educação no país e defendeu que jogadores tenham maior participação social no país.
Entusiasta da psicanálise, Danilo segue, no seu Instagram, o deputado federal Pastor Henrique Vieira, do PSOL do Rio, o ex-presidente americano Barack Obama, o pré-candidato a deputado federal do PSOL da Bahia, Tukumã Pataxó, além de páginas ligadas ao movimento negro, como Ubuntu Esporte Clube e Mundo Negro. Seguir políticos nas redes, porém, não significa, necessariamente, endosso ou preferência partidária.
O jogador também segue o escritor Augusto Cury, no momento pré candidato a presidente pelo Avante. Leitor assíduo, é possível que o movimento no Instagram tenha motivação literária.
- Danilo Luiz: Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Barack Obama, Tukumã Pataxó, pré-candidato a Deputado Federal pelo PSOL-BA, Augusto Cury, escritor e pré-candidato a presidente, e páginas de movimento negro e causas sociais, como Ubuntu Esporte Clube, Mundo Negro e Block no Tigrinho
- Neymar: Jair Bolsonaro (PL-RJ), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Alisson: Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul
- Leo Pereira: Nikolas Ferreira e Thiago Gagliasso, deputado estadual pelo PL-RJ
- Douglas Santos: Nikolas Ferreira
- Lucas Paquetá: Flavio Bolsonaro e Nikolas Ferreira
- Weverton: Nikolas Ferreira, Augusto Cury, e delegado Tito Barichello , pré-candidato a Deputado Federal pelo PR-PL
- Bruno Guimarães: Eduardo Paes (PSD)
Já Vinicius Jr, vítima de racismo tantas vezes na Espanha se transformou em um ícone da luta antirracista no mundo. Em 2023, ele recebeu o Prêmio Sócrates, da Bola de Ouro, que homenageia jogadores com destaque em causas sociais e humanitárias, já inspirou leis estaduais de combate ao racismo no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul e recebeu apoio de diversas autoridades internacionais nos últimos anos. Mas nunca declarou, publicamente, apoio a candidatos políticos.
O caso mais explícito de apoio político na seleção está em Neymar. Em 2014, ele já havia apoiado Aécio Neves (PSDB) em sua disputa presidencial contra Dilma Roussef (PT), mas seu alinhamento mais claro aconteceu em 2022, quando, uma semana antes da eleição, ele participou de uma live com Jair Bolsonaro, declarando seu voto e o apoio à tentativa de reeleição do ex-presidente, hoje condenado por tentativa de golpe de estado. Na ocasião, o craque disse compartilhar dos mesmos “valores” do então presidente, especialmente em relação à família.
O posicionamento gerou boatos de um suposto pacto para que o elenco brasileiro não falasse sobre política na Copa de 2022, disputada após a eleição vencida por Lula. Na época, o técnico Tite negou a informação, mas frisou que as manifestações deveriam acontecer de forma privada.
Antes, em 2020, Alisson disse que a esquerda “afundou o Brasil economicamente” em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.
“Fizeram coisas boas, ajudaram principalmente os mais pobres, mas qual era o objetivo? O que eles fizeram de ruim foi muito mais grave do que as coisas positivas”, disse o goleiro, que segue, no Instagram, Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Polêmica com esposa de Fabinho
O volante Fabinho é discreto nas redes, inclusive nas pessoas que segue, mas sua esposa Rebeca Tavares, costuma se manifestar a favor do bolsonarismo, o que gerou críticas de torcedores do Liverpool, clube ligado à causa operária. Em 2022, ela engajou na campanha presidencial, em especial no X (antigo Twitter).
Outros jogadores da seleção que seguem figuras políticas no Instagram são: Leo Pereira (Nikolas Ferreira), Douglas Santos (Nikolas Ferreira), Lucas Paquetá (Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira), Weverton (Nikolas Ferreira e Delegado Tito Barichello, pré-candidato a Deputado Federal pelo PL no Paraná) e Bruno Guimarães (Eduardo Paes). Não foram encontrados, porém, manifestações públicas deles.

