O paciente que se tornou alvo de uma ação criminosa dentro do Hospital municipal Pedro II, em Santa Cruz, Na Zona Oeste do Rio, na madrugada desta quinta-feira, foi identificado como Lucas Fernandes de Sousa, de 31 anos. Morador de Paciência, ele já exerceu função de praça do Exército Brasileiro e denunciado por organização criminosa e extorsão a comerciantes e moradores da região. Segundo investigação, ele era responsável pelo recolhimento de valores como parte de um esquema paramilitar que cobrava “taxas de segurança” e explorava atividades ilícitas na região.
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De acordo com uma denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), Lucas e outro acusado foram flagrados, no dia 19 de julho de 2019, por policiais civis, extorquindo comerciantes e moradores na Rua Graça e Paz, em Paciência, e bairros vizinhos. O esquema de cobrança de dinheiro exigia pagamentos sob a justificativa de “taxa de segurança” e praticava também extorsões conhecidas como “arrego” e exploração de serviços irregulares de TV a cabo, a “gatonet”, transporte irregular e outras atividades ilícitas.
Em 2019, policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) prenderam Lucas Fernandes de Sousa e outro suspeito, flagrados entrando em comércios para recolher pequenas quantias, entre eles o Bar do Botafogo e o Bar do Vasco, na localidade conhecida como Monte Sinai. Durante a abordagem, foram apreendidos R$ 1.102,02 em espécie, e, segundo os policiais, Lucas sempre guardava consigo os valores arrecadados, como parte da rotina de operação do grupo.
A investigação aponta que a milícia à qual Lucas pertencia era um grupo estável, estruturado e com divisão informal de tarefas, que expandia seu controle territorial por meio de violência armada, ameaças e intimidação. O grupo empregava armas de fogo, inclusive de grosso calibre, e buscava cooptar agentes públicos para manter seu poder. Além das extorsões, os membros exploravam uma série de atividades criminosas e contravencionais, incluindo jogos de azar, transporte público irregular, fornecimento clandestino de TV a cabo, usura e outros negócios ilícitos, sempre para obter vantagem econômica de forma ilícita.
Em primeira instância, Lucas Fernandes de Sousa foi condenado pela Vara de Execuções Penais a 12 anos e 10 meses de reclusão, a serem cumpridos na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.
Além do histórico militar, Lucas Fernandes de Sousa também tem uma empresa ativa em seu nome. A LF Fernandes Comercial Ltda, registrada em 2024, tem capital social de R$ 100 mil e está localizada em Paciência, bairro onde ele mora. A microempresa declara como atividade principal os serviços combinados para apoio a edifícios e reúne ainda atividades secundárias, que vão desde fabricação de móveis e artigos de serralheria até construção civil, manutenção elétrica, pintura de edifícios, comércio de vidros e até imunização e controle de pragas urbanas.
Na manhã desta quarta-feira, Lucas deu entrada no Pedro II após ser baleado e sofrer outras lesões de raspão em uma tentativa de homicídio. A informação chegou às forças de segurança de que ele teria ligação com um grupo paramilitar. Durante a madrugada, oito homens encapuzados, armados com fuzis e pistolas e ligados à milícia, invadiram o hospital em busca do paciente. Eles renderam seguranças por volta das 2h40 e seguiram até o centro cirúrgico, acreditando que ele estivesse em operação. No entanto, Lucas já havia descido para a enfermaria.
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A ação criminosa interrompeu o funcionamento da unidade e provocou momentos de pânico entre médicos, pacientes e funcionários. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, classificou o episódio como “uma situação que mostra total falência da política de segurança no Estado do Rio de Janeiro”.
Policiais da 36ª DP (Santa Cruz) informaram que trabalham para identificar os homens armados que invadiram o Hospital Pedro II, na madrugada desta quinta-feira, na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, o grupo — aparentemente ligado a uma milícia — entrou na unidade por uma abertura em um muro que separa o hospital de um estacionamento. Os criminosos chegaram a seguir até o centro cirúrgico em busca de um paciente que já havia sofrido uma tentativa de homicídio, mas ele havia sido transferido para a enfermaria e não foi localizado.