A Samsung Electronics vai produzir chips de inteligência artificial (IA) para a Tesla, como parte de um acordo de US$ 16,5 bilhões, em uma grande conquista que fez a ação da maior empresa sul-coreana disparar 6,8% na Bolsa de Seul, atingindo o maior nível desde setembro passado.
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A maior empresa da Coreia do Sul anunciou nesta segunda-feira que garantiu o contrato de fabricação de chips no valor de 22,8 trilhões de won, que terá vigência até o final de 2033. A ideia é que uma nova fábrica em Taylor, no Texas, produza o chip de próxima geração AI6 da Tesla, confirmou o CEO da Tesla, Elon Musk, na rede social X.
Procurado pela Bloomberg, um porta-voz da Samsung recusou-se a comentar, citando cláusulas de confidencialidade do contrato.
“A importância estratégica disso é difícil de exagerar”, escreveu Musk na X.
O bilionário descreveu o valor divulgado do acordo pela Samsung como “apenas o mínimo”.
“A produção real provavelmente será várias vezes maior”, completou.
O CEO da Tesla e dono da rede social X afirmou que caminhará pessoalmente pela linha de fabricação dos chips e recebeu autorização da Samsung para ajudar na otimização da produção. O componente AI6 será a base da plataforma de hardware de direção autônoma da Tesla nos próximos anos. Segundo Musk, a Samsung também é responsável pela produção do sistema atual, o AI4.
A conquista desse contrato — o primeiro após o presidente executivo Jay Y. Lee ser absolvido de todas as acusações legais pendentes — ocorre em um momento em que a Samsung vem perdendo espaço gradualmente na fabricação de chips.
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A empresa, que produz seus próprios chips de memória e também fabrica semicondutores para clientes, tem enfrentado dificuldades para conseguir pedidos suficientes que justifiquem a plena utilização de sua capacidade de fundição. A Samsung adiou a conclusão da construção e o início das operações de sua nova fábrica no Texas para 2026.
— A divisão de fundição da empresa tem registrado prejuízos e sofrido com a baixa utilização, então esse contrato será de grande ajuda — disse Vey-Sern Ling, diretor administrativo do Union Bancaire Privée, em Cingapura. — O negócio com a Tesla também pode ajudar a atrair outros clientes.
Isso contrasta com a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), líder do setor, que ainda não consegue atender toda a demanda. A TSMC deteve uma participação dominante de 67,6% no mercado global de fundição no primeiro trimestre deste ano, segundo a consultoria TrendForce, com sede em Taipei. Já a participação da Samsung caiu para 7,7%, ante 8,1% no trimestre anterior.
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Samsung e TSMC estão no caminho para entregar a próxima geração de avanços em semicondutores — migrando para a fabricação em dois nanômetros — e o novo acordo é visto como um sinal de confiança na tecnologia de fabricação futura da empresa.
Embora o contrato possa representar uma pequena parcela da receita anual da divisão de fundição da Samsung, ele tem um valor mais significativo como catalisador para o aprimoramento tecnológico e inovação a longo prazo, segundo Ryu Young-ho, analista da NH Investment & Securities.
O acordo também ajuda a reforçar a reputação da Samsung como a alternativa mais forte à TSMC, num momento em que a Intel enfrenta dificuldades para conquistar investidores céticos quanto à sua estratégia e plano de longo prazo.
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Na Tesla, Elon Musk afirmou que o futuro da empresa dependerá de alcançar o há muito prometido objetivo de uma tecnologia de direção totalmente autônoma. Na semana passada, após um relatório de lucros decepcionante, ele disse que a montadora enfrentará “alguns trimestres difíceis” até conseguir lançar veículos autônomos em larga escala — o que ele prevê para a segunda metade de 2026 ou até o fim do ano.
Ainda assim, há ceticismo quanto a essa meta. As publicações de Musk na X após o acordo com a Samsung sugerem que a Tesla adotará dois chips de próxima geração em rápida sucessão, cruciais para seus sistemas de direção automatizada. Ele escreveu que a montadora passará de chips AI4 atualmente fornecidos pela Samsung, para chips AI5 recém-desenhados pela TSMC, e então para chips AI6 da Samsung.
Essas mudanças aceleradas aumentam o risco de reação negativa por parte dos proprietários de veículos da Tesla, que foram informados ainda em 2016 de que todos os carros produzidos a partir daquele ano já teriam o hardware necessário para condução autônoma futura.
No início de 2023, Musk afirmou em uma teleconferência de resultados que a Tesla deixaria de oferecer atualizações retroativas para clientes com chips de gerações anteriores, devido ao custo e à complexidade do processo.
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A Tesla fez alguns avanços recentes em sua tentativa de competir com o Waymo, da Alphabet, ao iniciar a oferta de um serviço de táxi autônomo em Austin. No entanto, a montadora ainda não oferece viagens sem operadores de segurança nos veículos, e usuários iniciais postaram vídeos dos robotáxis aparentemente violando leis de trânsito.
O pacote de recursos que a Tesla comercializa como Full Self-Driving (Condução Totalmente Autônoma) ainda exige que os motoristas supervisionem o sistema o tempo todo.