Cada vez mais consolidado como palco para grandes eventos, o Rio de Janeiro tem potencial para receber cada vez mais visitantes — só o show de Lady Gaga, em Copacabana, atraiu 2,1 milhões de turistas, segundo a Riotur. Para discutir a vocação do estado para o turismo de eventos, a primeira edição de 2025 do Diálogos RJ, realizado pelo GLOBO, reuniu, na manhã de ontem, especialistas, autoridades e representantes do setor em um encontro repleto de reflexões. No encontro, os participantes abordaram a importância do turismo no interior fluminense, os desafios do setor e formas de atrair ainda mais visitantes e investimentos ao Rio. Editor de Rio do GLOBO, Rafael Galdo mediou os debates.
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A primeira mesa, chamada de “Vocação para polo estratégico no turismo de eventos”, reuniu o o secretário estadual de Turismo, Gustavo Tutuca; o diretor-presidente da Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins (Apresenta), Pedro Guimarães; o presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), Fernando Blower; e o presidente da Associação Brasileira dos Agentes de Viagem do Rio de Janeiro (ABAV-RJ), Marcelo Siciliano.
Os megashows de Madonna (em 2024) e Lady Gaga (2025) foram destacados como iniciativas de sucesso, que atraíram turistas e movimentaram a economia da cidade. Secretário estadual de Turismo, Gustavo Tutuca reafirmou que o evento, intitulado “Todo mundo no Rio”, está garantido por mais três anos. E disse que, para além do show de maio, a pasta quer investir em potencializar o carnaval e difundir a folia para o restante do ano, além de fortalecer a imagem do Rio para o mundo.
— Vimos como um acerto muito grande abrir os desfiles para o quarto dia e ampliar a estadia dos visitantes por aqui. Mas o carnaval ainda é uma marca muito grande para ficar presa. Quemos difundir para o restante do ano e potencializar o samba e a folia — explicou. — Além disso, vamos participar da Copa do Mundo de Clubes da Fifa (que começa no próximo sábado), criando as casas Rio de Janeiro em parceria com os clubes. Teremos a Casa Fluminense– Rio de Janeiro, em Miami e Nova York; a Casa Flamengo– Rio de Janeiro; em Orlando; e a Casa Botafogo– Rio de Janeiro, em Los Angeles. É o momento de aproveitar para captar o turista americano e também atrair o mundo inteiro, que estará de olho no evento.
Tutuca acrescentou ainda que o estado se destaca por ser um destino convidativo não só para o turismo de entretenimento, mas por atrair congressos, reuniões de negócios e diplomáticas. Somado a isso, disse Fernando Blower, presidente do SindRio, há também a gastronomia:
— A gastronomia é um vetor que passa pela experiência não só dos turistas, mas de todos que estão no Rio, já que todo mundo come e bebe. Gosto muito de lembrar que o visitante pode trazer de tudo na mala, menos comida. Então, nós somos parte da memória construída pelo turista — afirmou. —Mas, para além disso, o Rio é lembrado por ser um local onde as pessoas querem estar. O primeiro-ministro do Japão vem aqui e posta uma foto do nascer do sol em Copacabana. A Lady Gaga vem se apresentar, e os bailarinos dela saem e fazem publicações curtindo o Rio. São essas coisas que fazem que o Rio seja esse local de desejo das pessoas.
Para Marcelo Siciliano, da ABAV-RJ, o Rio ainda tem a vantagem de ter locais que agradam a todos os públicos. No entanto, lembrou Pedro Guimarães, diretor-presidente da Apresenta: o turismo cresce em consequência da melhoria de outros setores, que afetam os visitantes e os moradores do estado.
— A gente tem que fazer valer a nossa vocação, de realizar grandes eventos, ser anfitrião, receber bem as pessoas. E o turismo vai bem quando os outros fatores vão bem, como segurança, transporte, malha aérea. É uma equação simples — alertou.
Apesar do cenário favorável, um dos desafios que apareceu durante o debate como um dos principais problema para um maior desenvolvimento do setor de turismo é o da mão de obra especializada. Tutuca pontou que já está em desenvolvimento, em conjunto com a Faetec, uma escola estadual de turismo que vai ter o primeiro polo no Pavão-Pavãozinho, justamente para atender essa demanda:
— A gente quer que essa escola tenha uma grade bem adequada ao que o setor precisa, mas para isso vamos pedir a empregabilidade dos estudantes. Será uma ferramenta de transformação social muito grande.
A segunda mesa, chamada “Além da capital: oportunidades regionais e novos destinos”, contou com a presença do presidente da Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado do Rio, Guilherme Abreu; da superintendente executiva da Casa da Cultura de Paraty, Cristina Maseda; da CEO da Backstage Produções e diretora de produção do Festival Vale do Café, Roberta Pimentel Kelab; e do presidente da TurisRio, Sérgio Ricardo de Almeida.
Durante o debate, Guilherme Abreu pontuou que os investimentos públicos feitos no turismo do interior do estado estão fomentando o desenvolvimento das cidades pequenas.
— A partir da ocupação do interior, fruto de investimento, estamos observando o crescimento de novos empreendimentos nas cidades. A verdade é que você olha para todos os lados do Estado do Rio e há grandes eventos acontecendo. Nosso objetivo é trabalhar em conjunto para fazer o turista que chega à capital conhecer a riqueza do interior — disse. — Pegar o visitante que veio para um show na cidade e pretende estender a viagem, e fazer com que ele visite o interior do Rio. Você pode curtir o dia na praia e, no fim do dia, subir a serra e beber um vinho diante da lareira. O Rio tem de tudo.
Voltando a um tema já abordado na primeira mesa, Cristina Maseda, superintendente executiva da Casa da Cultura de Paraty, afirmou que os principais desafios dos grandes eventos na cidade histórica estão justamente na mão de obra especializada e nas estruturas temporárias.
— Acho que uma coisa a se pensar são as estruturas permanentes que poderiam existir na cidade para reduzir os custos; a outra é a necessidade de mão de obra especializada para o turismo. Hoje, não há nenhuma escola técnica voltada à vocação da cidade. Isso é uma questão importante a ser avançada porque o jovem de Paraty não tem oportunidades para ocupar essas vagas, fica em subempregos, e uma pessoa de fora acaba ficando com as melhores posições.
Sérgio Ricardo Almeida reforçou que é preciso investir na imagem do estado sem ignorar os problemas. “Aqui é o estado mais bonito do mundo, e a missão de descentralizar o turismo tem sido um processo permanente”, disse. Já a CEO da Backstage Produções e diretora de produção do Festival Vale do Café, Roberta Pimentel Kelab, contou que sua experiência mostra que o investimento no interior é capaz de transformar uma região:
— A região do Vale do Café quase abrigou um presídio de segurança máxima há cerca de 20 anos. Hoje, com todo o investimento público feito, vimos melhorar a rede hoteleira da região e o Brasil redescobrir esse local que tem um valor cultural incrível. A verdade é que o nosso estado é rico, diverso e acolhedor, com clima para todos os gostos.

