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sem apoio das Forças Armadas, militares ucranianas servem até o sétimo mês

BRCOM by BRCOM
setembro 1, 2025
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Nadia deu à luz por cesariana em fevereiro. Ela disse que queria provar a si mesma e aos seus companheiros da 111ª Brigada de Defesa Territorial que "não deixaria nada a impedir". — Foto: Oksana Parafeniuk / The New York Times

Agachada em uma trincheira na linha de frente no leste da Ucrânia, Olena sentiu o aplicativo de ovulação em seu celular vibrar. “Percebi que realmente precisava estar em casa fazendo um bebê, não sentada nesta trincheira”, lembrou Olena, uma médica combatente. Mas essa não era uma opção imediata, e seu desejo de constituir família era tão forte quanto sua necessidade de servir.

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Após cerca de seis meses de tentativas — conciliando consultas com médicos especialistas em fertilidade com sua licença limitada — “finalmente aconteceu”, disse ela, que, como outras mulheres entrevistadas para esta reportagem, pediu que apenas seu primeiro nome fosse usado por motivos de protocolo militar. Ela engravidou, mas continuou a servir.

Embora algumas pessoas possam achar que lutar em uma guerra durante a gravidez é loucura, Olena afirmou que vê isso “de forma um pouco diferente”, e acrescentou:

— Guerra é guerra, mas a vida continua.

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As Forças Armadas da Ucrânia estão tendo dificuldade em recrutar jovens à medida que a guerra com a Rússia se prolonga, mas as mulheres (todas voluntárias) fogem à regra. A presença feminina no serviço militar cresceu mais de 20%, para cerca de 70 mil, desde a invasão da Rússia em 2022.

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  • ‘É aterrorizante — todos os dias’
  • Luta pelo futuro, em duas frentes
      • sem apoio das Forças Armadas, militares ucranianas servem até o sétimo mês

‘É aterrorizante — todos os dias’

Aquelas que engravidam muitas vezes servem em condições difíceis, sob bombardeios implacáveis, vivendo sem aquecimento no inverno ou água corrente e banheiros adequados.

— É aterrorizante, todos os dias — definiu Nadia, 25, que serviu como operadora de rádio na linha de frente até ficar grávida de oito meses e meio. — Você acorda se perguntando se está tudo bem, se todos ainda estão vivos.

Pelas manhãs, ela limpava o gesso da cama que havia caído do teto após uma noite de explosões. A gravidez tornou tudo ainda mais difícil, diz. A clínica onde ela fazia ultrassons fechou. O mesmo aconteceu com muitos hospitais próximos.

— Você fica pensando constantemente no bem-estar do seu filho — conta Nadia, que deu à luz um menino, Yaroslav, em fevereiro. — Era um estresse contínuo todos os dias, combinado com atividade física constante.

Nadia deu à luz por cesariana em fevereiro. Ela disse que queria provar a si mesma e aos seus companheiros da 111ª Brigada de Defesa Territorial que “não deixaria nada a impedir”. — Foto: Oksana Parafeniuk / The New York Times

Enquanto o Exército dos EUA e muitos outros retiram as soldadas grávidas das zonas de combate, as mulheres ucranianas geralmente servem até o sétimo mês. E isso em uma tropa que, segundo médicos e soldados, está mal equipado para apoiá-las (desde uniformes que não servem para gestantes até a falta de cuidados pré-natais e creches) em meio aos custos e desafios de lutar na guerra.

Luta pelo futuro, em duas frentes

Apesar das dificuldades, muitas soldadas grávidas dizem que entendem que as Forças Armadas têm prioridades mais urgentes e que estão motivadas a servir pelo futuro da Ucrânia — e de seus filhos.

— Nossos filhos são o futuro deste país — pontuou Olya, 39, médica de combate no leste da Ucrânia que deu à luz uma menina em maio. — Temos que proteger nossos filhos. E temos que libertar o país para o futuro deles.

Depois de dar à luz, as mulheres também enfrentam decisões difíceis sobre quanto tempo ficar em casa com seus bebês ou se devem retornar ao exército, que precisa desesperadamente delas. Nadia disse que, após o nascimento de seu bebê, ela teve direito a 126 dias de licença remunerada se quisesse retornar ao front. Caso contrário, ela poderia se afastar por três anos, sem remuneração.

— Como posso deixá-lo? — ela se questionou, antes de escolher pela segunda opção, com a intenção de retornar ao serviço depois disso.

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Já Valentyna encurtou sua licença maternidade para retornar ao serviço. No exército desde 2019, ela trabalhava como mecânica de infantaria antes da invasão em grande escala — uma função incomum para uma mulher.

— Eu queria desafiar a sociedade, dizendo que uma mulher em uma posição de combate complexa pode desempenhar suas funções em pé de igualdade com um homem — conta Valentyna.

Inicialmente, ela hesitou em retornar ao serviço após dar à luz no final de 2021, preocupada que o salário militar não fosse suficiente para sustentar sua família. Mas a invasão russa mudou tudo.

— Às vezes, você precisa tomar decisões difíceis para melhorar as coisas — reflete.

Encontrar uma unidade que a aceitasse de volta não foi fácil, relata Valentyna, em parte devido ao sexismo que, segundo especialistas, é generalizado nas Forças Armadas ucranianas. Várias unidades a recusaram, incluindo uma cujo comandante disse que ela deveria ficar em casa com seu bebê. Ela só obteve aprovação em agosto de 2023 — quando seu filho tinha um ano e seis meses.

A major Viktoria Kravchenko serve nas Forças Armadas da Ucrânia há mais de 16 anos e é psicóloga, tendo pesquisado a questão de gênero no Exército. Ela disse que as mulheres que engravidam podem enfrentar barreiras consideráveis, como comandantes que questionam sua decisão de retornar ao combate após terem filhos ou sua aptidão para servir.

Viktoria Kravchenko brincando com seus filhos em casa, em Kiev. "Sou grata por trazer crianças ao mundo", disse ela — Foto: Oksana Parafeniuk / The New York Times
Viktoria Kravchenko brincando com seus filhos em casa, em Kiev. “Sou grata por trazer crianças ao mundo”, disse ela — Foto: Oksana Parafeniuk / The New York Times

— Não é segredo que existe preconceito de gênero — disse a major Kravchenko, enquanto sua filha mastigava uma fatia de manga em seus braços em sua casa em Kiev no inverno passado.

Ela acrescentou que as preocupações financeiras também eram um desafio. Na Ucrânia, as Forças Armadas cobrem 126 dias de licença maternidade. Depois disso, o estado fornece cerca de US$ 170 (cerca de R$ 920, na cotação atual) por mês para a criança. Várias entidades privadas estão ajudando. Um grupo, Zemliachky, confecciona e envia uniformes de maternidade para soldados em serviço. A Kvitna, uma organização sem fins lucrativos, oferece atendimento médico gratuito para mulheres em uma clínica móvel.

— Havia uma necessidade urgente — disse Taras Yeftemii, ginecologista da Kvitna.

Em uma rotação recente, segundo ela, a clínica móvel examinou 573 mulheres. Cinco estavam grávidas. As forças armadas ucranianas não responderam às perguntas sobre quantas mulheres estavam grávidas ou tinham dado à luz nas fileiras, nem sobre os cuidados pré-natais para as soldados.

A médica Vita Marchenko, 62, cuidou de soldados grávidas em seu hospital em Sloviansk, no leste da Ucrânia. O hospital não tem pessoal nem equipamentos para exames avançados, mas pode realizar partos.

— Nunca pensei que teríamos tantas mulheres na guerra. A gravidez de uma soldada difere da de uma civil apenas por proporcionar mais propósito. Elas são lembradas do motivo pelo qual estão lutando.”

Olya, em Sloviansk, Ucrânia, em janeiro, não conseguia mais abotoar as calças e aguardava um uniforme de maternidade de Zemliachky. Médica de combate, ela disse que ia "com os rapazes para todas as posições de combate, para as trincheiras" em um Nissan Pathfinder coberto de lama, com as portas laterais abarrotadas de torniquetes e gloss labial no console central — Foto: Brendan Hoffman / The New York Times
Olya, em Sloviansk, Ucrânia, em janeiro, não conseguia mais abotoar as calças e aguardava um uniforme de maternidade de Zemliachky. Médica de combate, ela disse que ia “com os rapazes para todas as posições de combate, para as trincheiras” em um Nissan Pathfinder coberto de lama, com as portas laterais abarrotadas de torniquetes e gloss labial no console central — Foto: Brendan Hoffman / The New York Times

Olya, médica militar sênior no leste da Ucrânia, disse que ficou surpresa ao descobrir que estava grávida em setembro passado:

— Não planejava engravidar. Quando fui para a guerra, queria lutar até a vitória — revela.

Com medo de ser transferida, Olya manteve a gravidez em segredo até ser internada por um sangramento, em dezembro, e precisar contar ao comandante. Os médicos recomendaram repouso, mas, como era a única médica da companhia, seguia atendendo os colegas. Diante disso, o comandante fez ajustes e a retirou das posições de combate.

Ainda assim, a guerra estava ao seu redor durante toda a gravidez. Olya lembra conversar com seu bebê ainda no ventre, para contar o que estava acontecendo ao redor deles. E para dizer que a amava, que eles ficariam bem e que estavam realizando uma tarefa importante.

Ela se irritou com a sugestão de que alguns poderiam questionar suas prioridades. “Estou pronta para assumir a responsabilidade de estar perto da zona de combate com meu filho. Faço tudo para protegê-la”, diz.

— Tenho que ficar e ajudar aqui — garantiu.

No final de maio, ela deu à luz uma menina, Iryna. Embora tenha se desligado oficialmente do exército, Olya planeja se alistar novamente em cerca de um ano.

— Restam muito poucas pessoas com o nível necessário de experiência e profissionalismo. E esta é uma longa batalha, então somos necessários.

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