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‘Soft power’ pode levar Brasil a papel de destaque global

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julho 24, 2025
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G20 no Rio. O presidente Lula se une a lideres mundiais na conferência realizada na cidade em novembro de 2024: país conseguiu bons resultados nos eventos que sediou — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Num mundo que vive a transição entre a ordem mundial construída após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a construção de uma nova ordem que ainda não mostra seus contornos, o Brasil enfrenta o desafio de encontrar espaços de destaque e, num cenário otimista, de liderança. Em momentos que muitos definem como de desordem global, com duas guerras apavorando o mundo, ataques ao sistema multilateral e uma ofensiva comercial do presidente americano Donald Trump contra diversos países, entre eles o Brasil, o país organizou, antes e depois da chegada do republicano ao poder, cúpulas de chefes de Estado e de governo do G20 e do Brics, e em novembro será sede da COP30, em Belém. Numa ordem global que está se desestabilizando, o Brasil busca construir pontes, consensos e, no caso dos conflitos bélicos, encontrar caminhos que possam levar à paz.

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O Brasil não tem poder militar, nem é uma grande potência econômica. Para alguns analistas, uma potência intermediária; para diplomatas brasileiros como Mauricio Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores e sherpa (representante do presidente) do Brasil no Brics e no G20, o país é “uma potência considerável, apesar de não ter elementos tradicionais de poder”.

— Não temos bomba atômica ou capacidade militar, mas acho que é subestimada a capacidade de dialogar e ter credibilidade com todos — aponta Lyrio, principal negociador das declarações presidenciais das duas cúpulas realizadas no Rio, em novembro de 2024 e julho de 2025.

Pisando em ovos, o Brasil conseguiu alcançar consensos, atendendo aos interesses e demandas de todos envolvidos nas negociações. Na cúpula do G-20, em meio a bombardeios intensos da Rússia sobre a Ucrânia e com governos europeus pedindo para abrir uma declaração já fechada, os negociadores liderados por Lyrio encontraram caminhos possíveis mudando apenas palavras do texto finalmente assinado pelos presidentes. Na diplomacia, muitas vezes, uma palavra resolve. E o Brasil tem expertise em matéria de negociações diplomáticas.

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Entrou em campo o soft power brasileiro, visto por diplomatas estrangeiros como Thomas Shannon, ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil e ex-subsecretário do Departamento de Estado, como uma de suas principais ferramentas de política externa. O mundo, afirma Shannon, “vai se cansar da disputa entre EUA e China, e verá como perigosas demais as guerras que afetam a paz e a prosperidade. Para controlar os danos, é preciso que um grupo de países atue. O Brasil pode estar entre eles”:

— São os chamados “buffer states” (estados “tampão” ou “de amortecimento”, em tradução livre), que falam com todos.

Para ele, não há dúvidas que o Brasil terá um papel muito importante no trabalho de dar forma ao século XXI, pois “o país domina a geografia da América do Sul, a economia, tem grandes recursos como água, minerais, energia, alimentos”.

— Geograficamente, o Brasil está bem posicionado e não precisa se preocupar com ataques de vizinhos ou forças externas. Tem uma democracia sólida e instituições que se posicionaram de maneira impressionante nos últimos anos. Existe compromisso com a democracia, e isso é importante — frisa o americano.

O Brasil, ele acrescenta, tem tudo para ser um player importante em grandes temas como alimentos, energia, e na reformulação do multilateralismo.

Em sua análise, Andrés Malamud, pesquisador do Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa, traz da ciência política clássica três dimensões do poder: porrete, cenoura e a palavra. O porrete, diz ele, é a capacidade de liderar na alta política, e para chegar a isso é preciso ter poder econômico e militar. É o que Trump está tentando fazer desde que assumiu seu segundo mandato. A cenoura, explica ele, é contar com recursos que possam interessar ao mundo. Finalmente, a palavra, o poder de sedução e persuasão. Mais uma vez, a diplomacia e seu soft power. Como fez Nelson Mandela quando foi presidente da África do Sul, diz Malamud, Lula faz com o Brasil, tornando o país num foco de atração e impulsionando uma agenda baseada em causas globais como a fome, a pobreza, proteção do meio ambiente. “O Brasil pode atrair, mas não usar a força”, frisa o pesquisador da Universidade de Lisboa.

— O Brasil atua por presença. Já foi líder regional, em países como a Venezuela. Isso se perdeu, mas o país tem a expectativa de mediar no mundo — afirma Malamud.

O Brasil conduziu bem seu papel como presidente do G-20, do Brics e, no segundo semestre de 2025, está à frente do Mercosul. Neste último caso, seu grande desafio é conseguir que o acordo com a União Europeia (UE) seja assinado. A guerra comercial lançada por Trump contra o resto do mundo deveria ser um elemento que impulsione os europeus a resolverem suas diferenças internas, mas, mesmo com um cenário amplamente favorável, o Brasil terá que dobrar os europeus que boicotam o entendimento, pressionados por setores internos de seus países. Se conseguir a assinatura do acordo em sua presidência do Mercosul, o Brasil voltará a mostrar capacidade de liderança regional e global.

G20 no Rio. O presidente Lula se une a lideres mundiais na conferência realizada na cidade em novembro de 2024: país conseguiu bons resultados nos eventos que sediou — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na opinião de Guilherme Casarões, cientista político e professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, “o soft power brasileiro pode permitir ao país estar numa posição de liderança no combate às mudanças climáticas, defesa da democracia, direitos humanos, produção de alimentos e energia. Mas não é tão simples como há 15 anos”:

— Num contexto de insegurança global, o Brasil pode tentar ter um papel, mas precisa mostrar sua capacidade de exercer algum tipo de mediação. Há 15 anos, éramos amigos de todo mundo. Hoje não vejo tão fácil criar pontes, por exemplo, entre Rússia e Ucrânia.

— Diante de um mundo mais difícil, os recursos diplomáticos que fizeram do Brasil uma voz relevante se limitam. Não é menos confiança em Lula, mas as circunstâncias são diferentes.

A COP30 será o último grande teste. Há otimismo no Itamaraty, mas também a consciência de que depois de uma COP29 que deixou muito a desejar no Azerbaijão, conseguir resultados em Belém será difícil. Alcançar consensos sobre temas como fome e pobreza, a exemplo do que foi feito no G20, é bem mais simples do que convencer países desenvolvidos a financiarem o combate às mudanças climáticas em países em desenvolvimento.

— Apostamos numa diplomacia propositiva. Com todos os conflitos que o mundo está enfrentando, o Brasil conseguiu bons resultados em todos os eventos que organizou até agora — conclui Lyrio, que comandará as negociações em Belém.

Janaína Figueiredo é repórter especial e colunista do GLOBO

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