Seja qual for a sua tribo ou o seu esporte, o importante é que você se sinta confortável e inspirado no seu grupo Henri Wallon (1879-1962), psicólogo, filósofo e pedagogo francês, já dizia que “o homem é um ser social”. Ele ficou conhecido por sua teoria psicogenética, que enfatiza o desenvolvimento integral do ser humano, ou seja, fatores biológicos, emocionais, cognitivos e sociais. Ele dizia que ninguém se desenvolve sozinho, porque nossa biologia e o ambiente social andam de mãos dadas. Logo que nasce, o bebê já depende dos outros para sobreviver, e é aí que a emoção entra como a grande ponte pra conectar a gente ao mundo.
A necessidade de o ser humano se sentir parte de um grupo é uma característica profundamente enraizada, como já apontava Henri Wallon. Essa busca por pertencimento, que começa com laços afetivos na infância e continua na vida adulta, se reflete diretamente em nossos hábitos diários.
O sentimento de pertencer a um grupo atende a uma necessidade psicológica fundamental, descrita por teorias como a “hierarquia de necessidades de Maslow”, em que o pertencimento e a conexão social aparecem logo após as necessidades básicas fisiológicas e de segurança.
Estar em um grupo proporciona apoio emocional, através de trocas de experiências que fortalecem a autoestima e reduzem a sensação de isolamento. A dinâmica em grupo cria um senso de responsabilidade mútua, incentivando a adesão a hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios. Por outro lado, o grupo também pode nos guiar para hábitos bem menos saudáveis, como aqueles que preferem socializar apenas com um copo na mão e um cigarro na boca.
De volta ao grupo com foco em bons hábitos, une-se a boa sensação de pertencimento que reduz o estresse e a ansiedade, e aumenta a liberação de hormônios como a ocitocina e a dopamina, que são secretados com a prática de atividades físicas, como a serotonina. Ou seja, é uma festa de liberação de hormônios do bem, que estão diretamente ligados a menor risco de depressão e maior longevidade.
A prática de atividades físicas é muito influenciada pelo senso de pertencimento, já que grupos proporcionam motivação, apoio e um ambiente onde as pessoas se sentem mais confortáveis para se engajar. Isso é especialmente evidente em contextos como as academias que foram criadas apenas para mulheres, mas se expande para toda e qualquer atividade. Vide os grupos de corrida e ciclismo que ganham adeptos a cada dia.
Treinar em grupo, seja em aulas coletivas ou com amigos, cria um ambiente de incentivo mútuo. A pressão positiva do grupo ajuda a manter a consistência, já que ninguém quer “ficar para trás”.
Exercitar-se com pessoas que compartilham características ou objetivos semelhantes, reduz a auto critica negativa e o constrangimento, criando um espaço seguro para o desenvolvimento físico e emocional. A interação durante o exercício, como conversar durante uma caminhada ou celebrar conquistas em grupo, fortalece laços e torna a atividade mais prazerosa.
Estudos mostram que pessoas que treinam em grupos têm maior probabilidade de manter a consistência, com taxas de abandono até 26% menores em comparação com quem treina sozinho. A interação social durante o exercício reduz sintomas de ansiedade e depressão em até 20%, segundo pesquisas em psicologia do esporte. O apoio do grupo aumenta a confiança na capacidade de alcançar metas físicas, como perder peso ou ganhar força, o que é encorajado através de trocas de conquistas e desafios.
Por isso, seja qual for a sua tribo, seja qual for o seu esporte, o importante é que você se sinta confortável e inspirado no seu ambiente, no seu grupo. E quando achar que o grupo está indo por um caminho que talvez não seja o que você procura, é hora de trocar de galera!

