É um fenômeno o Sult, italiano em meio ao fervo de Botafogo. Quando Nelson Soares instalou o restaurante de cozinha mais elaborada em uma transversal da Arnaldo Quintela, pensei cá com os meus garfinhos: não vai dar certo, isso. Que bom que não sou e nem dou uma de vidente, porque quem não daria certo seria eu. O improvável aconteceu. O Sult faz sucesso há cinco anos ininterruptos e está hoje entre os bons italianos que temos. Tudo sem arredar pé do tal canto fora do eixo gastronômico da Zona Sul carioca. Se impôs, é point por lá, por cá, por todo lugar. Quem comanda agora a cozinha é a Julia Lottus, que veio do Cipriani para ocupar o lugar de Nelson, que foi para Portugal (e por lá ficou) abrir o Sult Cascais. Lottus é uma grata revelação (para mim). É das melhores. E assim, segue o baile por lá, afinado, afiado e animado.
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Massas maravilhosas, frescas, feitas na casa e finalizadas no balcão ao fundo do salão. É um espetáculo ficar de olho na bancada. Lasanha clássica com ragu de carne finalizada com fonduta de grana padano (R$ 85); cavaletti com siri (dos que eu mais gostei),uma pasta fresca com carne de siri e picles de pimentão, colorida, perfumada, gostosa (R$ 77); tagliolini all limone com camarões levemente grelhados e molho azedinho de limão-siciliano (R$ 79), ou os suppli, bolinhos pelando de risoto com geleia de tomate por cima (R$ 44). Não sei qual foi o melhor deles.
Comecei o noite (e minha mesa era grudada à tal bancada) com um prato bonito, que não decifrei de imediato: um crudo de vieiras colorido, que trazia um leche de tigre de romã, com direito a sementes do fruto salpicadas pelo prato (R$ 75). É uma combinação bastante interessante, além da beleza da composição. Estava na mesa com um grupo de portugueses produtores de vinhos, que se deliciavam, elogiavam e ainda me ensinavam coisas como: “siri? Não, não tem. Tudo é chamado lá de caranguejo”. Anotado.
O crudo de carne veio com avelã e salpicado de pão carasau, típico da Sardenha e feito ali (R$ 59,) e o frito misto do mar, sequinho e dourado, trouxe “peixinho da horta”, para a alegria dos patrícios. Bons vinhos pelas taças, garimpo da sommelière Camilla Rosso, que me serviu um alvarinho gaúcho que gostei muito — com direto a playlist para harmonização. E vizinho ao Sult, dos mesmos donos e rua, fica o Tão Longe, Tão Perto, bar de vinhos naturais servidos em torneiras. E aí tem um animadíssimo vai e vem entre as duas casas. Onde mais?
Rua Fernandes Guimarães 77, Botafogo. Ter a qui, das 12h às 17h e das 19h às 23h. Sex e sáb, das 12h às 17h e das 19h à meia-noite. Dom, das 12h às 17h.
