Há algo de contraditório no visual que ganhou espaço entre as tendências de beleza do verão de 2026: passar maquiagem para parecer que acabou de passar tempo demais ao sol. O chamado “sunburn blush” leva tons rosados e avermelhados às bochechas e ao nariz para reproduzir aquele aspecto corado associado a um dia de praia, só que, desta vez, sem precisar sair de casa.
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O efeito conversa com uma estética que valoriza a aparência fresca, luminosa e naturalmente corada. A referência é a pele que ganhou cor depois de algumas horas ao ar livre, com o rubor concentrado no centro do rosto. A diferença fundamental é que, no lugar da exposição à radiação ultravioleta, entram pincéis e cosméticos.
É justamente aí que está a contradição da tendência. A vermelhidão provocada pelo sol não é um sinal de saúde ou de vitalidade, mas uma resposta inflamatória à radiação ultravioleta. Reproduzir essa aparência com maquiagem, portanto, é muito diferente de provocar a alteração na pele por meio da exposição solar.
“O blush produz apenas uma alteração visual na pele, por meio da pigmentação. Já a vermelhidão provocada pelo sol acontece porque existe uma resposta inflamatória à radiação ultravioleta. São situações completamente diferentes. Podemos reproduzir a aparência com maquiagem, mas não devemos buscar a vermelhidão por meio da exposição solar”, explica a dermatologista Mariana Paixão.
Bronzeado não é sinônimo de pele saudável
A associação entre bronzeado e uma aparência saudável é antiga e justamente por isso pode ser difícil de desconstruir. A mudança de cor provocada pela exposição aos raios ultravioleta é uma resposta do organismo à radiação, enquanto a vermelhidão intensa pode indicar inflamação e, dependendo da intensidade, queimadura solar.
“Uma pele bronzeada não deve ser interpretada automaticamente como uma pele saudável. Quando existe vermelhidão acompanhada de ardência, dor, calor, descamação ou bolhas, estamos diante de sinais de agressão. A maquiagem pode imitar a cor, mas não devemos confundir esse efeito com uma resposta saudável da pele”, afirma a dermatologista Silvia Quaggio.
A questão, portanto, não está no blush em si, mas no significado atribuído ao visual. Reproduzir com cosméticos o aspecto de quem tomou sol é uma coisa; procurar deliberadamente a exposição solar para conquistar o mesmo resultado é outra. A primeira é uma escolha estética. A segunda envolve submeter a pele à radiação ultravioleta sem que exista qualquer benefício estético que justifique o dano.
“Se a pessoa gosta do visual corado, pode reproduzi-lo com cosméticos. O cuidado está em não transformar a queimadura solar em um padrão de beleza ou acreditar que é necessário se expor ao sol para conquistar esse resultado”, reforça Mariana.
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Magnific
No fim, a tendência diz mais sobre a relação atual com a imagem do que sobre a maquiagem em si. A estética do rosto corado pode ser reproduzida em poucos minutos diante do espelho. O que não deveria entrar nessa equação é a ideia de que, para parecer que passou o dia na praia, é preciso de fato passar o dia ao sol.

