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setembro 24, 2026
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Superfecundação heteroparental: como gêmeas inglesas descobriram que tinham pais diferentes após teste de DNA aos 49 anos

Por · setembro 24, 2026
Superfecundação heteroparental: como gêmeas inglesas descobriram que tinham pais diferentes após teste de DNA aos 49 anos


Lavinia e Michelle Osbourne passaram 49 anos acreditando que, além de serem gêmeas e terem nascido no mesmo dia e com poucos minutos de diferença, tinham, naturalmente, o mesmo pai. Mas não era bem assim. A descoberta veio depois que Michelle começou a desconfiar da paternidade ao perceber que não tinha semelhança física com James, homem que acreditava ser o pai das duas. Um teste de DNA revelou que elas eram, de fato, gêmeas, mas tinham pais biológicos diferentes.
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As duas compartilharam a mesma bolsa durante a gestação e sempre tiveram uma ligação muito próxima. Michelle descreveu a relação entre elas como algo que vai além da convivência entre irmãs.
— Existe uma magia entre gêmeas. Sim, existe, é algo real. Posso sentir quando ela está chateada, e ela pode sentir quando eu estou — disse ao The Guardian.
Como gêmeas podem ter pais diferentes?
O fenômeno descoberto pelas irmãs é conhecido como superfecundação heteropaterna.
Ele ocorre quando uma mulher libera mais de um óvulo durante o mesmo ciclo menstrual e tem relações sexuais com parceiros diferentes nesse período. Os óvulos podem ser fecundados por espermatozoides de homens distintos, fazendo com que os bebês se desenvolvam juntos no mesmo útero, mas tenham pais biológicos diferentes.
A condição só pode ser identificada por meio de testes de DNA. A diferença de paternidade não pode ser determinada apenas pelo fato de os bebês serem gêmeos. Segundo reportagem do La Nacion, apenas 20 casos haviam sido confirmados no mundo.
Mãe morreu sem revelar quem era o pai
Quando Michelle e Lavinia descobriram que tinham pais diferentes, a mãe já havia morrido. Com isso, as duas não conseguiram descobrir quem era o pai biológico de Michelle.
As irmãs, porém, afirmaram compreender as circunstâncias que podem ter levado a mãe a esconder a informação durante tantos anos. Natural da Jamaica, ela teve uma infância e juventude marcadas por situações difíceis.
— Hoje, minha mãe seria considerada uma jovem adulta vulnerável. Ela sofreu abusos por parte do padrasto e passou por vários lares de acolhimento e centros infantis porque não era seguro para ela ficar em casa. Ter dois filhos aos 19 anos… não consigo imaginar que tenha sido uma boa época para ela — conta Michelle.
Aos 24 anos, a mãe conseguiu entrar na Universidade de Londres. Durante esse período, deixou as filhas sob os cuidados da mãe de uma de suas melhores amigas, em Nottingham.
Infância marcada por maus-tratos
Em Nottingham, as meninas viveram na casa de uma mulher que chamavam de “avó”. Segundo o relato das irmãs, elas sofreram diversos tipos de maus-tratos físicos.
Desde pequenas, Lavinia e Michelle sabiam que não eram netas biológicas daquela mulher. A percepção, segundo elas, provocava um sentimento de rejeição e de que não eram dignas de receber determinados cuidados.
— Tínhamos plena consciência de que não éramos suas netas biológicas. Havia uma sensação de carência, de não sermos dignas. Mesmo quando criança, eu sabia que colocar água nos cereais não era normal.
Mudança para Londres
Quando tinham 10 anos, as meninas foram levadas pela mãe para morar com ela em Londres. Na época, ela já havia formado uma nova família.
O então marido da mãe aparentemente não aceitava bem a presença das duas. Lavinia relatou que ele tentava afastá-las, mas afirmou que a proximidade com Michelle ajudava a enfrentar a situação.
— Ele sempre tentava se livrar de nós. Foi difícil. Mas eu havia me acostumado e, enquanto estivesse com Michelle, estava tudo bem.
A relação entre as irmãs permaneceu como uma fonte de apoio durante a infância.
A mãe tentou aproximar as filhas de James, homem que elas acreditavam ser o pai biológico das duas. O primeiro contato ocorreu quando elas tinham 14 anos.
A relação foi intermitente. James esteve presente em algumas apresentações escolares e deu presentes de aniversário às meninas, mas depois os contatos voltaram a diminuir. A dúvida sobre a paternidade só reapareceria décadas depois.
Descoberta veio após uma fotografia
Em 2010, Lavinia retomou a relação com a mãe. Mais tarde, aos 54 anos, a mulher desenvolveu demência. A doença reduziu a possibilidade de que ela respondesse às perguntas das filhas sobre a própria história familiar.
Michelle voltou então a pensar em James. Depois de ver uma fotografia dele, percebeu novamente a falta de semelhança física entre os dois e decidiu fazer um teste de DNA.
— Quando minha mãe ficou doente e não conseguiu dar respostas coerentes às minhas perguntas, vi uma foto de James. Fazia muito tempo que não o via e pensei: “Você não se parece nada comigo. Não há nenhuma semelhança. Não vou permitir isso”. Então comprei um kit — explica.
O resultado confirmou a suspeita: Michelle e Lavinia eram gêmeas, mas tinham pais biológicos diferentes.
Uma história sem resposta completa
A descoberta esclareceu uma parte da história familiar, mas deixou outra pergunta sem resposta. Como a mãe já havia morrido, Michelle não conseguiu descobrir a identidade de seu pai biológico.
Apesar disso, Lavinia afirmou que conseguiu construir uma relação diferente com a mãe na vida adulta. Ao relembrar o período em que ela adoeceu, falou sobre uma aproximação que acabou sendo interrompida pela doença.
— Quando adulta, ao olhar para trás e compreender as circunstâncias dela, consegui perdoá-la. Estávamos bem. Eu estava começando a ter com ela a relação que realmente desejava; não era perfeita, mas era boa. Então ela ficou doente e eu a perdi novamente.

Superfecundação heteroparental: como gêmeas inglesas descobriram que tinham pais diferentes após teste de DNA aos 49 anos