Taís Araújo decidiu mudar radicalmente o visual aos 47 anos. A atriz contou que estava cansada dos cabelos compridos e adotou um corte ultracurto, mas contou que a transformação foi associada pelo marido e pelos filhos a uma espécie de renascimento.
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— Eles falaram duas coisas que queriam dizer algo como se fosse um renascimento. Como se fosse alguém que quisesse renascer. E tem esse sentido — disse Taís.
A mudança, no entanto, não significa necessariamente uma crise de identidade, como brincou a própria Taís. Segundo especialistas, a menopausa é acompanhada por transformações hormonais, físicas e psicossociais que podem levar algumas mulheres a repensar a relação com o próprio corpo, a feminilidade, o envelhecimento e a própria imagem.
Corte pode representar autonomia e renovação
A ginecologista Grazielly Teles explica que, apesar de não existir uma relação hormonal direta entre a menopausa e a vontade de mudar o visual, é comum que mulheres queiram marcar, no exterior, uma mudança interior.
— A transição menopausal representa um período de grandes mudanças físicas, hormonais e também psicossociais na vida da mulher. Nessa fase, muitas mulheres passam a rever a relação com o próprio corpo, com a feminilidade, com o envelhecimento e até com a própria identidade. Por isso, uma mudança no cabelo, no estilo ou na aparência pode funcionar simbolicamente como uma forma de expressar uma nova fase ou um recomeço — explica.
Para a especialista, a mudança pode favorecer a autoestima, principalmente em um período marcado por alterações físicas que podem afetar a percepção que a mulher tem de si mesma.
— Para algumas mulheres, mudar o cabelo pode trazer sensação de renovação, autonomia e bem-estar. Isso é especialmente relevante porque as alterações capilares da menopausa podem ter impacto emocional importante e estão associadas a estresse, ansiedade e redução da autoestima — explica.
Taís Araujo corta o cabelo estilo joãozinho
Divulgação
A tricologista Anna Ludmila Guimarães também destaca o papel do cabelo na construção da identidade feminina. Segundo ela, os fios podem acompanhar momentos de transformação na vida da mulher.
— A menopausa é uma fase que leva a mulher a ressignificar aspectos da vida e da própria feminilidade. Nesse movimento de transformação, o cabelo, parte essencial da nossa identidade e forma de comunicar ao mundo quem somos e como nos sentimos, acompanha naturalmente essa mudança: afinal, é comum que as mulheres o transformem quando a vida se transforma — afirma.
Por que o cabelo muda na menopausa?
Além dos aspectos emocionais, existem alterações biológicas que podem modificar a aparência dos cabelos durante a menopausa. A redução dos níveis de estrogênio e a mudança na relação entre os hormônios sexuais podem interferir no ciclo dos fios.
— Durante a transição menopausal ocorre redução progressiva dos níveis de estrogênio e uma mudança na relação entre estrogênios e androgênios. Essas alterações podem interferir no ciclo do cabelo. Algumas mulheres percebem redução da densidade, fios mais finos, diminuição do calibre, menor volume e mudanças na textura — explica Grazielly.
Segundo a médica, condições como alopecia de padrão feminino e eflúvio telógeno também podem surgir ou ficar mais evidentes nesse período. Com isso, algumas mulheres podem optar por cortes mais curtos por praticidade ou pela percepção de maior volume.
— Algumas mulheres acabam preferindo cortes mais curtos: eles podem facilitar os cuidados diários e proporcionar uma percepção de maior volume e leveza. Mas é importante destacar que cortar o cabelo não trata a causa da queda — alerta.
Anna Ludmila também aponta que as alterações hormonais, somadas ao envelhecimento dos fios, podem modificar densidade, espessura e textura. Algumas mulheres ainda percebem mais ressecamento e mudanças na resposta do cabelo à rotina de cuidados.
— Cortar o cabelo não trata a causa da queda nem altera seu crescimento na raiz. Quando há perda persistente ou afinamento progressivo, é importante investigar — explica.
A ginecologista Alyk Vargas, que atua na assistência à saúde da mulher, considera que a redução do estrogênio pode estar relacionada a alterações na pele e nos cabelos.
— Os fios podem ficar mais finos, secos, frágeis ou perder densidade, e isso pode influenciar a decisão de adotar um corte mais curto, inclusive pela praticidade — diz.
A especialista, porém, alerta que uma queda intensa ou progressiva não deve ser automaticamente atribuída à menopausa.
— Se a paciente percebe uma perda intensa de fios, afinamento progressivo ou áreas com menor densidade, eu não considero adequado atribuir tudo automaticamente à menopausa. É importante avaliar outras possíveis causas e, quando necessário, fazer uma investigação em conjunto com o dermatologista.
