O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) falou que o túnel do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, “deveria ter sido fechado” na última quarta-feira (14), quando houve fortes chuvas na Região Metropolitana. O local ficou alagado, e veículos e ônibus ficaram ilhados. Historicamente, o túnel é fechado quando há previsão de chuvas fortes, mas nesta quarta isso não ocorreu.
O prefeito da capital, Ricardo Nunes, falou na manhã desta quinta (15) que o “protocolo funcionou”, e que o volume de chuva não havia sido previsto pelos meteorologistas, e por isso o túnel não foi bloqueado. Tarcísio, entretanto, afirmou nesta tarde que o local deveria ter sido fechado e que o sistema de bombeamento de água não dava conta de tanta água.
— Ontem, houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não fechado, tinha que ter sido, porque chega uma hora que mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, etc, a sua capacidade de suportar é inferior a quantidade de água que está chegando – falou o governador durante evento no Palácio dos Bandeirantes, no qual anunciou medidas relativas ao El Niño.
Pela manhã, o prefeito afirmou que a cidade vive “um momento de mudança climática”, disse ter ficado “chateado” com o episódio, e prometeu melhorias.
— Começou o alagamento no Anhangabaú às 16h10. Quando era 16h40, eu já estava com os caminhões, com mais bombas, fazendo a sucção da água. Então a prefeitura fez um grande investimento. O protocolo funcionou. A gente vive um momento de mudança climática. Cair 40% da chuva prevista para o mês inteiro, em poucos minutos? A gente, obviamente, tem uma situação que é diferente de um padrão normal. O que a gente vai fazer agora é melhorar os nossos protocolos, talvez ampliar o volume das nossas bombas — disse após inaugurar novas instalações na UBS Jardim Helena, na Zona Leste.
Nesta quarta-feira, o túnel do Anhangabaú, no Centro da capital, ficou alagado e carros e ônibus ficaram ilhados. Na Brasilândia, Zona Norte da capital, uma mulher de 47 anos morreu após um deslizamento de terra atingir sua casa.
Nesta quinta, o governo de São Paulo instaurou um gabinete de crise para acompanhar os efeitos do El Niño no estado, que tem causado chuvas fortes fora de época. O monitoramento sazonal que era feito por meio da Operação Chuvas, geralmente instaurado no verão, foi antecipado e agora será contínuo até o fim de 2027, para mapear e responder a eventos extremos como tempestades, ondas de calor, incêndios florestais e secas.
Tarcísio falou dos investimentos que fez para garantir mais resiliências climáticas e na Defesa Civil, mas destacou que a população precisa “recepcionar as previsões da Defesa Civil” e seguir as orientações em casos de grandes chuvas, por exemplo. Ele ainda disse que as chuvas cada vez mais fortes são “o novo normal” do estado, e os efeitos são intensificados pelo El Niño.
— Ontem, tivemos essa chuva forte na cidade de São Paulo e a gente vai conviver com isso, e a gente vai ter que entender que esse é o novo normal. O que está se prevendo, a severidade dos efeitos são chuvas mais potentes, acumulados fortes, e a gente não pode esquecer que há pessoas que moram em áreas de risco, áreas suscetíveis a deslizamentos. às vezes tem acumulados fortes e a gente suspende a operação da Tamoios, o pessoal fica bravo, mas aquela operação é para prevenção porque a gente não consegue prever exatamente onde vai ter deslizamento — falou.
O gabinete especial vai reunir representantes do governo, concessionárias de água, energia e gás, integrantes das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. O governo também anunciou atualizações no painel SP Sempre Alerta, que vai incluir informações que vão indicar a direção das chuvas e estimar o tempo que as tempestades vão chegar a outros municípios.
Diariamente, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil paulista vai produzir boletins com previsão meteorológica, classificação de riscos de cada área, com alertas e avisos específicos a depender da gravidade. A depender do mapeamento de eventos climáticos, as regiões do estado serão classificadas com cores: verde quando se tratar de estado de observação, amarelo significa estado de atenção, laranja é alerta e vermelho significa emergência.
Para esta quinta, a previsão é de chuvas intensas em várias regiões do estado, especialmente para a Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e Vale do Ribeira, onde são esperados volumes de chuva de até 80 milímetros. Há possibilidade de ventos fortes, raios e granizo.
Tarcísio diz que túnel que alagou com chuvas 'deveria ter sido fechado'; Nunes afirma que 'protocolo funcionou'
