O ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a conversa com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vai ser “difícil”, diante dos desdobramentos nas negociações que culminaram com o tarifaço sobre produtos brasileiros. Ele disse também que o governo Lula vai para a reunião aberto a discutir todos os temas, como etanol, açúcar e fertilizantes, por exemplo.
Mercado de trabalho: Emprego com carteira bate recorde em julho, mas número de informais também segue em alta, diz IBGE
Contas públicas: Ministro do Planejamento calcula economia de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 com ‘gatilhos’ para conter despesas
O encontro da semana que vem foi marcado após uma conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump, há cerca de duas semanas.
A reunião com Greer será virtual e está prevista para segunda-feira, às 14h30 (horário de Brasília). O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, também vai participar. A expectativa é que a conversa marque a retomada das negociações, paralisadas em 14 de julho, desde a aplicação do tarifaço sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Foram aplicadas taxas de 25% e de 12,5% sobre o Brasil.
Habib’s, Casas Bahia, Grupo Toky: Por que cresce a lista de empresas pedindo recuperação judicial no país? Entenda
— Vai ser um diálogo difícil, porque já foi no passado difícil, mas nós já sabemos qual o caminho a percorrer — disse o ministro, acrescentando:
— O presidente Lula diz o seguinte: “Não há nenhum tema que o Brasil não possa discutir. Não há proibição para nenhum tema, não há interdição para nenhum tema. Mas há a premissa, o interesse do povo brasileiro, disse o ministro, após receber a delegação da Confederação da Indústria Indiana.
Ele explicou que, como em toda negociação, os dois lados precisam dialogar para chegar a um acordo.
Entenda: Desemprego no Brasil estaciona no piso. Cinco fatores explicam
— Imaginem vocês como é que como é que seria um acordo envolvendo o setor produtivo brasileiro e dos Estados Unidos. Alguém vai falar bens, máquinas, bens industriais, o outro vai falar de setor químico, autopeças, não é? E o etanol, e o açúcar, e os defensivos, e os fertilizantes? Ou seja, o hall é interminável. Ou você com na regra do jogo ou não vai ficar pronto nunca — disse o ministro.
Márcio Elias descartou que a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, que está em processo no Brasil, não será tema da reunião.
Análise: Mercado de trabalho está estruturalmente mais saudável
—Na segunda-feira nós não vamos tratar disso, vamos retomar o diálogo, né? A conversa. Depois é que nós definir qual o caminho que nós vamos percorrer. A discussão será de um acordo, por setores listas de exceções.
Segundo o Ministério, 8,6 mil empresas estão sujeitas ao tarifaço. O levantamento aponta que 52,7% da pauta exportadora para os Estados não enfrentam imposição de sobretaxa e 47,3%, sujeitos a alguma tarifa.

