Apontado como autor do assassinato de dois policiais e foragido por sete meses na Austrália, um homem identificado como Desmond Christopher Filby, ou Dezi Freeman, de 56 anos, foi morto a tiros pela polícia australiana após um confronto que durou horas em uma propriedade rural no estado de Victoria, na manhã desta segunda-feira.
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Segundo informações divulgadas pela rede BBC, a polícia cercou uma estrutura descrita como semelhante a um contêiner por volta das 5h30 (horário local). Após três horas e repetidos pedidos de rendição, um homem saiu da estrutura e foi morto a tiros.
A polícia acredita que se tratava de Freeman, de 56 anos, embora a identificação formal ainda não tenha sido divulgada. Segundo o chefe da polícia, Mike Bush, o objetivo era realizar a prisão.
— Nosso objetivo final era prender a pessoa. Houve uma oportunidade para que ele se rendesse pacificamente, mas ele não o fez — afirmou.
De acordo com as autoridades, o homem saiu envolto em um cobertor e estaria com uma arma de fogo, possivelmente uma das que foram tomadas dos policiais mortos anteriormente. Nenhum agente ficou ferido na ação, que será investigada, como ocorre em casos de disparos feitos por policiais.
A primeira-ministra de Victoria, Jacinta Allan, afirmou: “Acabou”.
— Hoje um homem maligno está morto.
Freeman era suspeito de matar os sargentos Neal Thompson e Vadim de Waart em agosto do ano anterior, em sua propriedade na cidade de Porepunkah. Os policiais estavam no local para cumprir uma busca relacionada a uma investigação de crimes sexuais.
As famílias das vítimas foram as primeiras a serem informadas sobre a morte. Segundo Mike Bush, a confirmação da identidade do corpo levaria entre 24 e 48 horas. Ele afirmou: “Se [sua identidade] for confirmada… isso traz um encerramento para o que foi um evento trágico e terrível”.
A Associação de Polícia de Victoria declarou que a morte representa um “passo à frente”, mas não um “encerramento”.
“Isso não diminui o trauma, não devolve os futuros que foram cruelmente tirados nem reduz o medo coletivo e o luto que esse evento trágico instilou na polícia e no público em geral”, comunicou a corporação.
Freeman se identificava como um “cidadão soberano”, movimento que rejeita a autoridade do governo e as leis, e era descrito como teórico da conspiração. Ele vivia com a esposa e dois filhos em Porepunkah, uma cidade turística ao pé do Monte Buffalo.
Após o duplo homicídio, ele fugiu para uma área de mata densa, onde a polícia realizou buscas extensas. Foi oferecida recompensa de 1 milhão de dólares australianos pela localização dele. A região incluía terrenos íngremes, cavernas e minas, e Freeman tinha habilidades de sobrevivência.
No mês anterior à sua morte, as buscas foram retomadas com uso de cães farejadores de cadáveres. A polícia afirmou que acreditava “fortemente” que ele estava morto. Mike Bush disse que havia “muitos indícios de que Freeman havia tirado a própria vida”, embora outras possibilidades tenham sido mantidas em aberto.
Freeman tinha histórico de confrontos com autoridades, com ideias registradas em conteúdos online e documentos judiciais.
Durante a pandemia de Covid-19, suas posições se tornaram mais extremas. Ele chamou a polícia de “bandidos terroristas”, tentou prender um magistrado durante um processo judicial e, em 2021, tentou levar o então primeiro-ministro de Victoria, Daniel Andrews, a julgamento por traição, mas o caso foi rejeitado.
Repercussão e debate sobre extremismo
A operação policial que terminou na morte dos dois agentes, em agosto, não contou com apoio especializado, apesar da avaliação de risco. Dez policiais foram enviados à propriedade, entre eles Neal Thompson, que já conhecia Freeman.
As mortes geraram questionamentos sobre o crescimento de grupos anti-governo.
A polícia federal australiana apontou que esses grupos têm “capacidade subjacente de inspirar violência”. Um caso semelhante foi registrado em 2022, quando três pessoas com crenças similares mataram dois policiais e um civil em Queensland
A deputada Helen Haines afirmou que a cidade vivia sob tensão desde o crime e declarou que a morte de Freeman “encerra esse incidente prolongado e devastador”. Um amigo de uma das vítimas, John Bird, afirmou: “É um bom dia”. Ele acrescentou que isso “não muda muita coisa”, mas trouxe alguma sensação de encerramento.

