Começou nesta sexta-feira o funcionamento do Rio Rotativo Digital, novo sistema de pagamento pelo uso de vagas públicas da capital fluminense. Os antigos talões de papel deram lugar ao aplicativo Jaé, que irá concentrar as operações dos motoristas. Guardadores, por sua vez, mudaram de função e agora são “agentes de verificação”, e não receberão mais dinheiro em espécie. O GLOBO foi para a Lagoa Rodrigo de Freitas — onde começa o projeto-piloto do novo sistema, das 7h às 23h, de segunda a domingo — nas primeiras horas do dia e testou a ferramenta.
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A chegada ao estacionamento e as informações básicas
Usuário do Jaé desde a sua implantação — principalmente para escrever sobre ele —, fui para a rua com o primeiro passo já feito: meu login já estava pronto, com CPF e senha cadastrados. Na última quarta-feira, o app atualizou e passou também a oferecer a opção “Rio Rotativo” na tela inicial.
Chegamos no estacionamento do Parque dos Patins (que concentra 358 das 667 vagas públicas de todo o entorno da Lagoa) pouco antes das 9h. Um painel de LED instalado na entrada também trazia a mensagem de que, com o novo sistema, o pagamento é feito apenas pelo Jaé.
Painel de LED na entrada do estacionamento do Parque dos Patins com informações sobre o Rio Rotativo Digital
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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A antiga tarifa cara nos estacionamentos explorados por empresas privadas na Lagoa — que deixaram o local nesta semana, após o fim do contrato com a prefeitura, e que cobravam até R$ 75 em fins de semana e feriados — deu lugar à cobrança de R$ 2 por cada período de duas horas (o total permitido é de seis horas).
Assim que estacionamos, um guardador devidamente identificado — com colete amarelo com numeração pessoal, assim como os logotipos da prefeitura e do Rio Rotativo Digital — apareceu na janela e perguntou se conhecíamos o novo sistema. Caso contrário, ele explicaria que o pagamento seria feito só pelo Jaé.
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Pedi ao motorista do GLOBO as informações sobre o carro: além da placa, marca e cor, precisei encontrar certinho o modelo (Cobalt LTZ 1.4 8V Flex Power) no app. Tudo resolvido em poucos segundos. Caso não se lembre da placa, também é possível escaneá-la, apontando a câmera para ela, a partir de uma opção no aplicativo do Jaé.
Com tudo cadastrado, precisei apenas escolher o período — duas, quatro ou seis horas — e pagar. O valor é debitado da sua própria conta no Jaé. Uma mensagem na tela foi exibida em seguida (“Pagamento realizado com sucesso”), detalhando o período pelo qual tínhamos pago, além do aviso de que dez minutos antes do período vencer eu receberia um aviso.
(Eu já tinha saldo no Jaé, mas, caso você não tenha, é preciso recarregar com PIX ou cartão de crédito: o valor mínimo de recarga é de R$ 10)
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O guardador: da ajuda às dúvidas
Do lado de fora, ao desembarcarmos, acompanhamos o trabalho do guardador Diego Sousa, que até então trabalhava em Botafogo. Ele fotografou as placas dianteira e traseira do veículo: com seu celular, o profissional — agora chamado de “agente de verificação” — enviou as imagens para o sistema do Rio Rotativo. Essa é a forma de confirmar se paguei pela vaga.
Guardador verificando placa de carro estacionado na Lagoa durante primeiro dia do Rio Rotativo Digital
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
A orientação é que o motorista pague assim que estacionar. Caso contrário, ele tem oito horas para fazê-lo (o tempo é contado a partir dessa verificação do guardador): nesse caso, no entanto, é cobrado o dobro do valor da vaga. Se o motorista não pagar pelo estacionamento dentro desse período, a multa é de R$ 195,23.
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Ao deixarmos o Parque dos Patins, nosso próximo destino foram vagas no canteiro central da Avenida Epitácio Pessoa, na altura da Rua Vinícius de Moraes. Curiosamente, no local, os guardadores ainda estavam bem confusos e aprendendo a mexer no app. A rotatividade era grande, a todo momento chegavam mais motoristas, também repletos de dúvidas.
Foi numa dessas que o projetista Hélio Viana ouviu do guardador — que foi treinado na véspera, assim como os demais colegas — que deveria perguntar “ao rapaz ali” (apontando para este repórter que aqui escreve). Ao assistir à TV pela manhã, o motorista soube que precisaria do Jaé e baixou o app em casa. Sua pergunta era se precisaria informar também a placa do veículo (respondi um “sim”).
— Baixei o aplicativo em casa e, chegando aqui, perguntei ao guardador se precisava cadastrar a placa. Ele não soube responder — relata Hélio, que conseguiu preencher as informações corretamente após o auxílio. — Comigo foi tranquilo, porque sou jovem (tem 49 anos). Uma pessoa de idade entrar aqui e ali (no aplicativo) vai ser mais complicado.
Hélio Viana recebeu ajuda ao parar o carro na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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Reforço no local após muitas dúvidas
Hélio não foi o único. O coordenador administrativo Jorge Machado, que tentava aproveitar o dia de folga com a filha, Mariana, tomou conhecimento do novo sistema ao chegar ao local. A família precisou colocar crédito no Jaé na hora, além de todo o cadastro de placa e modelo do veículo, o que fez com que o processo fosse um pouco demorado.
— Achei estranho porque não avistei nenhum guardador, também achei mal sinalizado. Ao descer do carro, quando perguntei a dois guardadores, ele nem soube informar e já partiu para o tom de agressividade: “Tem que pagar!” — conta Jorge, também ajudado pela equipe do GLOBO. — Se essa forma vingar, é melhor. Evita contratempos de pagar o que eles (flanelinhas) querem.
Após ter carro cadastrado, bastou escolher período e pagar pela vaga na Lagoa
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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Quem também passou perrengue foi a engenheira de alimentos Giovanna Outeiro. Moradora da Vila da Penha, ela já havia enfrentado o trânsito até Ipanema para levar a prima, Camilla Outeiro — que trabalha numa universidade na França e passa férias no Rio — à praia. Em seguida, não encontrou vagas na orla, tampouco nas ruas internas do bairro. O jeito foi parar na Lagoa.
— Quando, enfim, encontrei a vaga (na Epitácio Pessoa), achando que seria só fazer um PIX ao flanelinha, ainda tive que baixar um aplicativo — reclamou Giovanna, ainda se familiarizando com o novo sistema.
As primas Camilla e Giovanna Outeiro ao chegar à Lagoa
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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Procurada, a Secretaria municipal de Transportes (SMTR) informa que treinou os guardadores e que distribuiu equipes na região, justamente para a orientação neste início do novo sistema. Após tomar conhecimento da confusão presenciada pelo GLOBO, a pasta observa que reforçou o atendimento no local.
Por fim, já no estacionamento do Parque do Cantagalo, onde também conseguimos parar e pagar com facilidade, o guardador Haroldo Silva — que anteriormente atuava no Centro — foi quem nos recebeu. Diferentemente do que vivemos na Epitácio Pessoa, ele soube explicar direitinho o seu serviço.
— O nosso procedimento é explicar para o usuário como funciona (o novo sistema). Quando ele chega, a gente informa, se ainda não tem, que precisa baixar o aplicativo Jaé. O pagamento é realizado através do aplicativo Jaé. Realizamos a filmagem da placa do veículo dele e enviamos para a prefeitura. Todo o pagamento é feito pelo aplicativo, nós não pegamos em dinheiro — detalhou.
Guardador Haroldo Silva fazendo a verificação de placa no Parque do Cantagalo, na Lagoa
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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