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Testes de glicose em escola: quais os riscos de compartilhar agulhas?

O compartilhamento de agulhas pode transmitir infecções como HIV, hepatite B e C e sífilis, alerta o presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles. O risco motivou a orientação para que participantes de testes de glicose durante uma feira de ciências na unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, procurassem atendimento médico. Uma […]

Testes de glicose em escola: quais os riscos de compartilhar agulhas?


O compartilhamento de agulhas pode transmitir infecções como HIV, hepatite B e C e sífilis, alerta o presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles. O risco motivou a orientação para que participantes de testes de glicose durante uma feira de ciências na unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, procurassem atendimento médico. Uma estudante usou a mesma lanceta — instrumento que perfura o dedo para coletar sangue — em até três pessoas.
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Até o fim da tarde de domingo, pelo menos 23 pessoas haviam procurado hospitais para tratamento profilático após a atividade, realizada no sábado. O Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, confirmou 20 atendimentos. A escola informou que outras três pessoas foram atendidas na rede particular.
Quase todos os participantes eram crianças. Pelo menos um adulto também passou pelo procedimento, conforme relatos de pais, confirmados pela instituição.
Quais infecções podem ser transmitidas?
Segundo Alexandre Telles, a avaliação de quem compartilhou agulhas deve considerar se algum dos participantes já tinha uma infecção antes do procedimento.
— O primeiro passo em situações como essa é identificar por exames se a pessoa que teve contato com o sangue já estava previamente contaminada, o que aumentaria o risco de contágio. Existe vacina contra a hepatite B, mas nem todo mundo consegue desenvolver anticorpos e pode contrair a infecção — observou.
A infectologista Margareth Dalcomo ressalta que agulhas jamais devem ser compartilhadas:
— Uma situação dessas é evitável e indesejada, mesmo que o risco de contágio não seja tão grande. Hoje, se trabalha com risco zero. Até alicates e tesouras de unha são de uso individual. Ainda mais, quando se trata de agulhas que jamais devem ser compartilhadas.
Por que a mesma lanceta foi usada em mais de uma pessoa?
O vice-diretor-geral do Tamandaré, Antonio Henrique, afirmou que a mãe da estudante tomou como base uma recomendação do fabricante para testes individuais que, segundo ele, permite utilizar a mesma agulha três vezes. Durante a feira, a troca era feita a cada três exames.
Em comunicado, a própria instituição ressaltou que o material é de uso individual e que o compartilhamento motivou o alerta às famílias.
A escola afirma que os responsáveis pela estudante, que tem entre 12 e 13 anos, haviam sido orientados a apenas exibir o aparelho. Segundo o colégio, os testes começaram perto do fim do evento, sem autorização, e nenhum professor, coordenador ou funcionário orientou, ou acompanhou os procedimentos.
Qual foi a orientação para quem participou?
A escola orientou todos os que tiveram o dedo furado no estande sobre diabete a procurar uma unidade de saúde imediatamente. Em novo comunicado, reforçou que as famílias não devem esperar pela visita de uma equipe de profissionais ao colégio, prevista para esta segunda-feira.
O protocolo do Ministério da Saúde citado no caso prevê atendimento em até 72 horas para início da profilaxia pós-exposição, com tratamento por 28 dias. A Secretaria municipal de Saúde informou que todos os que precisavam de medicação foram atendidos dentro do período preconizado.
Após o relato de uma mãe sobre espera pela chegada de medicamentos de outra unidade, a direção do Lourenço Jorge afirmou que havia estoque de profilaxia para os atendimentos relacionados ao episódio e o hospital permanece abastecido.
“Nenhuma pessoa que buscou atendimento ficou sem a profilaxia indicada”, informou a unidade. O hospital também orientou quem teve exposição a material biológico a procurar atendimento quanto antes para avaliação e início dos cuidados necessários.
E se o resultado do teste for negativo?
O vice-diretor informou que, até aquele momento, todos os testes haviam dado negativo. No comunicado, divulgado no domingo, a escola ressaltou que as orientações médicas recebidas durante o atendimento devem ser cumpridas independentemente dos resultados.
Haverá exames ou medicamentos na escola?
Não haverá testagem nem administração de medicamentos durante a visita da equipe do Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho, prevista para esta segunda-feira, das 11h às 14h.
Os profissionais vão esclarecer dúvidas, orientar estudantes e responsáveis e ajudar a identificar participantes que ainda não procuraram atendimento. Caso encontrem alguém que ainda não tenha sido testado, a família será avisada e orientada a procurar o centro municipal de saúde ou o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Lourenço Jorge.
Como será o acompanhamento dos envolvidos?
O colégio anunciou a contratação da infectologista pediátrica Patrícia Guttman para acompanhar alunos e responsáveis. Ela atenderá na própria escola, mediante agendamento, na quinta-feira, dia 17, a partir das 14h30.
Entre as famílias, há relatos de crianças angustiadas após os testes. Uma mãe contou que a filha voltou do hospital chorando, com medo de ter contraído HIV ou outra doença. Outra disse que o filho de 12 anos pergunta repetidamente: “Mãe, eu vou morrer?”
A psicóloga da instituição também está disponível para atendimentos presenciais ou por vídeo. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (21) 3392-5120 ou pelo e-mail direcao.recreioii@tamandare.com.
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BRCOM