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setembro 23, 2026
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Thiago Lacerda lembra comparação com Tarcísio Meira e 'perseguição' divertida a atores veteranos

Por · setembro 23, 2026


Thiago Lacerda contou que, aos sete anos uma professora o apelidou de Tarcísio Meira por conta da semelhança entre os dois. Anos depois, quando Lacerda – que não planejava ser ator, mas gerente de banco – estreou na TV, adivinha a quem o compararam? Voilá, ao marido de Glória Menezes. Em entrevista ao videocast do GLOBO ‘Conversa vai, conversa vem’, no ar no Youtube e no Spotify, o ator comentou sobre esse paralelo e sobre, mais tarde, ter contracenado com Meira em duas novelas… Leia trecho:
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Quando começou, te comparavam ao Tarcísio Meira…. Antes de tudo, uma professora de escola já tinha te apelidado assim…
Essa história é impressionante e uma das pistas originárias quando me refiro à maneira como a vida me convoca, como a vida me conduz. Tinha sete anos quando uma professora de matemática, ao me ver pela primeira vez, disse: “Menino, você é a cara do Tarcísio Meira”. E nunca mais me chamou de Tiago. Ninguém pode dizer que sou parecido com o Tarcísio se existe o Tarcisinho (risos), meu irmão, meu amigo. Tenho saudades, inclusive. Nos falamos recentemente, por ocasião da partida da Glória. Gozo do carinho da família. Gozei do carinho e do afeto do casal Glória e Tarcísio, do respeito do Tarcísio. Isso me envaideceu, trouxe responsabilidade. Mas sempre foi uma coisa gostosa. Nunca foi uma provocação, uma intimidação ou um peso. E foi assim, naturalmente, até que o Maneco (o autor Manoel Carlos) coloca a gente em cena, como pai e filho…
Thiago Lacerda e a repórter Maria Fortuna no estúdio da redação de OGLOBO
Ana Branco
Isso em “Páginas da vida”, mas antes teve o “Beijo do Vampiro”….
Isso, como antagonistas. Como uma situação bastante breve. Tive alguns momentos com o Tarcísio no ‘Beijo do Vampiro’ e tive, especialmente, a companhia de Glória fora de cena. Ficamos amigos nas gravações do ‘Beijo do Vampiro’. O Tarcísio gravava muito, e acabava que a Glória era minha companheira. Tenho saudade, criei esse vínculo com a família…
E depois veio “Páginas da Vida”, em que foram pai e filho…
Pai e filho. O Maneco me deu de presente a possibilidade de, em todo bloco, ter uma cena que era nossa. Era um exercício do Maneco, de propósito, botar a gente juntos, conectados por um lugar de uma intimidade que poucas vezes eu tive em cena. Nossas cenas, as minhas e do Tarcísio, eram lindas.
Thiago Lacerda
Ana Branco
Você levava um leitezinho quente para ele…
Eu levava um leite com caramelo, uma receita que talvez fosse do Maneco, mas que fiz pros meus filhos, levei para eles essa memória com ele em cena. Olhava para ele e pensava: “Cara, eu tô compartilhando com esse cara um texto lindo sobre amizade, paternidade, sobre amor entre pai e filho, sobre carinho. Olha que coisa linda, eu dividindo a cena com esse gigante”.
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E, no cinema, você fez Capitão Rodrigo, personagem ícone dele na TV, na serie ‘O tempo e o vento’…
Assim que (o diretor) Jaime Monjardim me chamou para fazer esse papel, pensei: “Como vai ser isso?”. Me lembrava de “O tempo e o vento”, do Tarcísio em cena muito jovem. Sabia o tamanho da responsabilidade. Um personagem que tem essa capacidade de movimentar o inconsciente coletivo de um povo, que talvez seja um dos cinco personagens masculinos mais importantes da literatura brasileira, que tinha registro audiovisual definitivo… Saí de lá completamente mexido, e a primeira pessoa que vi foi Tarcísio. Entro no camarim e ele está lá, sentadinho no sofá lendo. Me sentei ao lado e, com toda calma, contei a ele. Ele fechou o livro, deu uma pausa que, para mim, durou uma semana, virou e disse: “Você vai fazer muito bem, está na idade para fazer!”. Foi muito especial.
Já mencionou aprendizados com outros atores veteranos, como Mário Lago, e uma ‘perseguição’ a Paulo Autran…
Capricorniano psicopata, né? (risos). Foi quando me apaixonei pela profissão e falei: “Cara, preciso aprender”. Quando, olhei eu estava do lado do Mário Lago e do Paulo Autran (em “Hilda Furacão”). Disse: “Meu Deus! Como a vida pode ser generosa, me fazer descobrir esse amor e me dar de presente essa oportunidade?” Porque era a única maneira que eu tinha de aprender. Eu não tinha formação de ator, né? Assim, a minha formação foi com a bola rolando, convivendo com essas figuras. Mário era impressionante porque eu, aos 19 anos, sabia quem era o Mário Lago mas não tinha a menor condição de estabelecer um diálogo. Voltava de van com com ele para casa. Ele morava no Rio Comprido e eu no finzinho da Tijuca. Eu ia olhando pra ele e, quando ele olhava pra mim, eu fugia. Ele queria conversar, contar história com aquela sabedoria… E eu nervoso. Lembro dessa presença e do que esse tipo de oportunidade é capaz de produzir num menino.
E o Paulo, você perseguiu pelo Projac…
Com Paulo, tive a grande aula da minha carreira, sozinho, no camarim com ele uma grandeza. Na primeira cena da minha vida, ele me colocou sentado no sofá, no camarim do lado dele, e passou a cena comigo. Me dizendo do que se tratava o nosso ofício. E essa é uma aula e uma experiência que eu nunca mais vou esquecer. Cheguei pra gravar, e me lembro de estar abotoando minha a minha camisa, olhando no espelho e, de repente, tô vendo que ele está ali. E ele vira. Ouço uma voz assim: “Thiago, você decorou sua cena? O que você acha do seu personagem”. Parei no botão três e pensei: “Meu Deus, dessa resposta depende da minha carreira, né?”. Comecei a falar e de repente, disse: “Seu Paulo, não tenho a menor ideia do que eu acho do meu personagem?”… Ele começou a rir, ele falou “senta aqui” e começou a passar o texto. Fez de umas quatro maneiras diferentes. Quando terminou, me entregou o texto e disse: “Pronto, agora você escolhe?”. Guardei esse ensinamento.
Depois, passou a segui-lo… (risos)
Depois, olhava o roteiro para ver os dias em que ele gravava. Eu gravava pouco, mas ia para o Projac todo dia. Esperava ele na recepção, mas não deixava ele me ver. E eu ficava observando: “Ah, ele fala com as pessoas, traz um livro, conversa, passa o texto, troca de roupa, fica no camarim, sai”. Comecei a aprender o que um ator admirável fazia, como se comportava, de que maneira lidava com o ofício, qual a relação com o texto. Paulo era um devoto da palavra e do ofício, talvez, o maior entre todos nós? Pra minha geração, imenso. E ter tido o privilégio de poder aprender com um ator como o Paulo… Sou muito grato à vida, por como as coisas aconteceram, me sinto cuidado, acarinhado. Um privilegiado mesmo.

Thiago Lacerda lembra comparação com Tarcísio Meira e 'perseguição' divertida a atores veteranos