“Knicks, Knicks, Knicks”. O anúncio do ambulante em frente ao Madison Square Garden entra nos ouvidos como um som metálico, uma agulha invadindo os tímpanos. Como ele, outros oferecem camisas e bonés do clube de Nova York, a uma vitória do título da NBA que não vem há mais de 50 anos. Esta é a trilha sonora das calçadas daquela que é uma das metrópoles mais famosas do mundo. O azul e o laranja estão por todos os lados. Mas, em meio a eles, é possível ver camisas da seleção brasileira de futebol, como a do México, além de painéis divulgando a Copa do Mundo. E, assim, em meio à badalação das finais da liga de basquete e da possível conquista do time da cidade, o torneio da Fifa ocupa uma brecha das atenções.
Independentemente dos times envolvidos, as finais da NBA costumam parar os EUA. E elas coincidiram com o começo da Copa. Então, já não seria fácil atrair as atenções dos donos da casa. Para completar, os Knicks cresceram nos playoffs, e o título que tantas vezes escapou se tornou alcançável desta vez. Logo, justamente na cidade que mais atrai as atenções do planeta, o Mundial vai ter que esperar para ser protagonista.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/C/p/CkjAw5RWe07KzjSU7LeA/whatsapp-image-2026-06-12-at-22.56.49-1-.jpeg)
— Eu não sabia onde havia um campo de futebol até ver Ted Lasso — admite um torcedor dos Knicks, referindo-se à série de sucesso sobre um técnico americano que se aventura a dirigir uma equipe da Premier League. — Não entendo muito de futebol. Mas estou animado para a Copa do Mundo e fico feliz que ela tenha chegado aqui.
No dia seguinte ao jogo 4, em que os Knicks venceram após estarem 29 pontos atrás do San Antonio Spurs (a maior virada da história das finais), a loja da NBA estava lotada. Segundo funcionários, costuma ser assim na época dos playoffs que define o campeão. Mas o fenômeno azul e laranja pôde ser percebido quando as camisas com o número e o nome de Jalen Brunson, destaque do time, se esgotaram antes do meio-dia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/G/4/jj0jiNRceAooJYdiEUpg/whatsapp-image-2026-06-12-at-22.56.51.jpeg)
Mesmo na loja da Nike, fornecedora de material esportivo da seleção brasileira, a força da NBA se faz presente. Embora a única pentacampeã do mundo no futebol tenha um espaço de destaque no local, são os produtos dos Knicks que são exibidos como porta de entrada para os clientes que chegam.
E não é só na loja que o Brasil vai competir com os Knicks por atenção. O jogo 5 das finais contra o San Antonio Spurs, que pode valer o título, também será hoje. Começa às 21h30 (de Brasília), meia hora depois do apito final da estreia de Vini Jr. & cia. contra o Marrocos. Nas ruas, ninguém duvida de qual jogo irá mobilizar mais os nova-iorquinos.
— Esta é uma situação bem difícil. Neste momento, preferimos a NBA, porque temos os Knicks e estamos na final — afirmou Benson Lee. — Mas, logo depois disso, vou assistir à Copa do Mundo. Temos os Estados Unidos. E tem o Brasil, tem a Argentina…
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/i/u/R9fJO1SOCfcSkuavAT0A/whatsapp-image-2026-06-12-at-22.56.48.jpeg)
A resposta dele ajuda a mostrar como a Copa pode até estar em segundo plano em Nova York. Mas não ignorada. Um exemplo disso é o fato de que o famoso restaurante Planet Hollywood, perto da Times Square, programou para hoje uma watch party em que o público poderá acompanhar tanto Brasil x Marrocos quanto Spurs x Knicks.
Os turistas já estão dando a Nova York o colorido das camisas das seleções da Copa. As de Brasil e México são maioria. Mas a reportagem também flagrou marroquinos, colombianos, alemães, entre outros. A Times Square, inclusive, já vem sendo tomado por bandeiraços e batucadas. E, entre os visitantes, alguns sequer sabem o que é NBA.
— Isso aqui é uma arena de basquete, é? — questionou, de forma sincera, o amazonense Heraldo Couto, que passava em frente ao Madison Square Garden.

