O Catar estreia na Copa do Mundo neste sábado contra a Suíça, às 16h (horário de Brasília), com Julen Lopetegui no comando. Esta poderia ser considerada sua terceira Copa — ou quase isso. Para ele, porém, é a primeira “de verdade” e o principal motivo de ter aceitado o desafio de dirigir o país. Terceiro goleiro em um Mundial e demitido na véspera de outro, o espanhol considera que terá, enfim, a chance de disputar uma Copa desempenhando um papel relevante.
A primeira vez foi em 1994, também nos Estados Unidos. Meses antes, numa partida contra a Dinamarca que selou a classificação espanhola, ele sofreu uma lesão nas costas que o deixou fora de forma durante todo o torneio.
“Tinha duas hérnias de disco. Liguei para o Javier Clemente e disse que não estava em condições de ser convocado. Ele respondeu: ‘Não seja bobo. Como se um velho fosse pegar gripe numa segunda-feira (fazendo referência a Andoni Zubizarreta, goleiro titular da equipe)’. Eu disse: ‘Sim, mas e se ele pegar gripe?’ ‘Certo, vou chamar aquele garoto do Celta, o Santi’, ele me respondeu.”, disse Lopetegui em entrevista ao The Guardian.
Santi Cañizares foi convocado e, por ironia do destino, Zubizarreta foi expulso aos dez minutos de jogo. O “garoto do Celta” jogou bem e consolidou sua vaga na seleção, como segundo goleiro.
Meses depois, mesmo fora de forma e ainda se recuperando da lesão, Lopetegui acabou convocado para o Mundial na posição de terceiro reserva, como um reconhecimento de Clemente à honestidade do goleiro, que colocou o grupo acima do próprio interesse.
Vinte e quatro anos se passaram até a Copa da Rússia, em 2018, quando Lopetegui comandaria a seleção espanhola no torneio. O trabalho do técnico à frente de “La Fúria” era bom, com mais de dois anos de invencibilidade. Os espanhóis, inclusive, eram um dos favoritos ao título. No entanto, faltando um dia para o início da Copa, o treinador foi demitido após acertar com o Real Madrid para comandar a equipe ao final do Mundial.
O episódio foi marcante na carreira do treinador, que virou o centro das atenções na época. A experiência, considerada por Lopetegui como traumática, fez com que ele se tornasse mais resiliente e, apesar de tudo, o técnico afirma que não se arrepende da decisão.
“Desde o episódio, não parei de trabalhar. Não se olha para trás, e essa experiência te torna mais resiliente. Você aprende com as dificuldades também. Mas, se me perguntassem: ‘Você faria tudo de novo?’, eu responderia que sim, com toda certeza. Por quê? Porque sempre tomamos o que achávamos ser as decisões certas, partindo de uma posição de profundo respeito pelas nossas responsabilidades”, contou ao The Guardian.
Em seu lugar, quem comandou a seleção espanhola no Mundial foi Fernando Hierro. A campanha, entretanto, foi decepcionante, com a eliminação para a Rússia nas oitavas de final.
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Pelo Catar, Lopetegui já conseguiu um feito que ninguém havia alcançado antes: levar o país a uma Copa do Mundo. Em 2022, por ser anfitrião, o país se classificou diretamente, sem disputar as eliminatórias. Neste Mundial, os cataris estão no Grupo B, que também conta com Suíça, Canadá e Bósnia e Herzegovina.

