O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou nesta quarta-feira a soltura do funkeiro Poze do Rodo, preso no mês passado no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, apostas ilegais e movimentações financeiras com criptoativos envolvendo MCs. Na decisão, a desembargadora Louise Vilela Leite Filgueiras apontou excesso de prazo nas investigações, ausência de denúncia formal do Ministério Público Federal e afirmou que a prisão preventiva não pode servir como instrumento para facilitar a produção de provas.
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O habeas corpus, para revogar a prisão preventiva, foi concedido mediante a imposição das seguintes medidas cautelares:
Comunicar à Justiça, em até 10 dias, o endereço correto e informar qualquer mudança;
Comparecer a todos os atos do processo;
Não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial;
Comparecer mensalmente em juízo para comprovar suas atividades;
Não sair do país sem autorização da Justiça e entregar o passaporte, se houver.
Ele está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde ocupa uma cela no Presídio Joaquim Ferreira, anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8.
Prisão preventiva
Há duas semanas, a Justiça decretou a prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e do criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira. A medida, atendendo a pedido da Polícia Federal, manteve os investigados presos por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
A decisão ocorreu após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus em favor de Diogo Santos de Almeida, o Diogo 305 — também investigado —, medida que havia sido estendida inicialmente ao trio de famosos. O novo pedido da Polícia Federal requeria que as prisões preventivas durassem 30 dias. Foi justamente o problema com o prazo inicial das prisões que motivou as defesas a recorrer ao STJ.
No rito do sistema penal brasileiro, a liberdade de um investigado pode ser restringida antes de qualquer sentença condenatória por meio de duas ferramentas cautelares: as prisões temporária e preventiva. Enquanto a primeira é voltada à fase de apuração, servindo como instrumento para a obtenção de provas com duração de cinco ou 30 dias, passíveis de renovação, a segunda tem prazo indeterminado.
Sobre a Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 16, resultou na apreensão de veículos de luxo avaliados em pelo menos R$ 4,8 milhões, podendo chegar a cerca de R$ 6,9 milhões, segundo estimativas com base em modelos recentes de mercado. A ação também levou à prisão dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias, que é agente de Ryan, e Raphael Sousa, dono da página “Choquei”.
De acordo com cálculos baseados na listagem de mercado dos modelos mais recentes, a soma mínima dos veículos apreendidos — incluindo modelos como Land Rover Defender, Porsche Panamera Turbo S, Porsche 911, Porsche Cayenne, Mercedes-Benz Classe C e BMW X1 — varia entre R$ 4,82 milhões e R$ 4,9 milhões. Já na estimativa máxima, os valores podem alcançar entre R$ 6,76 milhões e R$ 6,88 milhões.
Veja lista dos carros de luxo apreendidos pela PF:
Land Rover Defender (2025) – Entre R$ 717 mil e R$ 830 mil
Porsche Panamera Turbo S – Entre R$ 1,57 milhão e R$ 1,62 milhão
Porsche 911 – Entre R$ 990 mil e R$ 2,1 milhões
Porsche Cayenne – Entre R$ 830 mil e R$ 1,49 milhão
Mercedes-Benz Classe C – Entre R$ 384 mil e R$ 445 mil
BMW X1 – Entre R$ 330 mil e R$ 390 mil
Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de esquemas de lavagem de capitais. As investigações apontam que os envolvidos utilizavam um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de recursos, com operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais, incluindo criptomoedas.
A operação mobilizou mais de 200 policiais federais, que cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos. Ao todo, são 84 ordens judiciais executadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal, com apoio da Polícia Militar de São Paulo.
Além dos carros de luxo, foram apreendidos valores em dinheiro, documentos, equipamentos eletrônicos e um fuzil. Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, como sequestro de bens e restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar recursos para eventual ressarcimento.
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