O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que a Marinha americana realizou um terceiro ataque a uma embarcação no Caribe, mas não forneceu mais detalhes sobre a operação. Trump, segundo o jornal espanhol El País, fez as declarações pouco antes de embarcar no helicóptero presidencial, Marine One, acompanhado da primeira-dama, Melania, rumo ao Reino Unido.
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— Vocês [a imprensa] só sabem de duas, mas na realidade eram três — disse ele, sem fornecer mais detalhes sobre a operação no Caribe, que, segundo a Casa Branca, mira embarcações envolvidas no tráfico de drogas entre a Venezuela e os EUA.
Na segunda-feira, Trump já havia anunciado um segundo ataque a um suposto barco com drogas de origem venezuelana, que resultou na morte de três pessoas — “três terroristas homens”, escreveu ele em sua plataforma Truth Social. Esta terça-feira marca duas semanas desde que os militares americanos afundaram o primeiro barco, dessa vez com 11 tripulantes a bordo. Todos morreram.
Trump aproveitou a declaração para enviar um recado ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
— Parem de enviar drogas para os Estados Unidos — alertou. — Parem de enviar seu povo, seus prisioneiros, para o nosso país.
Esse é o terceiro ataque dos Estados Unidos contra uma embarcação no Caribe em menos de duas semanas. Na primeira ação, executada no dia 2 de setembro, o presidente americano afirmou que 11 pessoas foram mortas em um barco supostamente usado por traficantes de drogas, o que gerou preocupações sobre uma possível violação do direito internacional por Washington.
Três dias depois, em 5 de setembro, Washington ordenou o envio de dez caças F-35 para um campo de aviação em Porto Rico. A revelação sobre os F-35 surgiu poucas horas depois de o Departamento de Defesa dos EUA afirmar que dois aviões militares venezuelanos voaram perto de um navio da Marinha americana em águas internacionais no dia 4 de setembro.
A confirmação do segundo ataque a uma embarcação no Caribe, feita por Trump na segunda-feira, aconteceu logo após Maduro afirmar que seu país se defenderá contra o que chamou de “agressão” dos Estados Unidos.
“Esta manhã, sob minhas ordens, as Forças Militares dos Estados Unidos realizaram um segundo ataque (…) contra cartéis de narcotráfico e narcoterroristas extraordinariamente violentos”, publicou Trump em sua rede social Truth Social. “O ataque ocorreu enquanto esses narcoterroristas confirmados da Venezuela estavam em águas internacionais transportando narcóticos ilegais (uma arma mortal que envenena os americanos!) com destino aos EUA”, completou.
Trump foi questionado se planeja fornecer provas de que as pessoas mortas pelos EUA no ataque eram traficantes de drogas a caminho dos Estados Unidos.
— Basta olhar para a carga que ficou espalhada por todo o oceano — respondeu o presidente a repórteres durante declarações no Salão Oval.
Em declarações aos repórteres em Caracas, Maduro afirmou que o ataque de 2 de setembro, que matou 11 pessoas, violou as leis dos Estados Unidos e internacionais. Ele destacou que, se os Estados Unidos acreditavam que os passageiros do barco eram traficantes de drogas — como afirmaram as autoridades americanas —, “eles deveriam ter sido capturados”.
O líder venezuelano classificou a ação americana como “ataque militar a civis que não estavam em guerra e não representavam ameaça militar a nenhum país” e declarou que os Estados Unidos estão tentando levar a Venezuela a uma “grande guerra”. O objetivo americano, segundo Maduro, é a “mudança de regime em troca de petróleo”.
Os Estados Unidos justificam a presença de navios militares no Caribe sob o argumento de combate ao tráfico de drogas. Fontes da Casa Branca afirmam que não se descarta a possibilidade de ataques à Venezuela contra instalações atribuídas a cartéis, classificados como organizações terroristas pelo governo Trump.
As declarações de Maduro marcam mais um episódio da recente escalada de tensão com os Estados Unidos de Donald Trump, cujos navios patrulham águas próximas ao território venezuelano desde o fim de agosto.
No último domingo, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que os Estados Unidos triplicaram em agosto o envio de aviões espiões “contra” a Venezuela, além de posicionar navios de guerra no Ca a uma “grande guerra”. O objetivo americano, segundo Maduro, é a “mudança de regime em troca de petróleo”.
egundo Padrino, autoridades venezuelanas detectaram, na noite de sábado, aviões-tanque que fornecem combustível às aeronaves espiãs RC-135. De acordo com o ministro, esses aviões são projetados para coletar e processar informação em tempo real a até 200 milhas náuticas (cerca de 370 quilômetros). “Ou seja, seu alcance chega ao território venezuelano”, acrescentou.
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— Agora passaram de um padrão diurno para fazê-lo à noite e de madrugada e triplicaram em agosto as operações de inteligência e exploração contra a Venezuela — relatou Padrino ao apresentar o balanço de um treinamento militar realizado no sábado para ensinar civis a disparar.
No sábado, Caracas denunciou que militares americanos retiveram por oito horas um barco pesqueiro que navegava em águas do Caribe venezuelano, pouco depois de os Estados Unidos deslocarem oito navios de guerra para o Caribe.
Na sexta-feira, “o navio venezuelano ‘Carmen Rosa’, tripulado por nove humildes pescadores de atum (…) foi atacado de maneira ilegal e hostil por um destróier da Marinha dos Estados Unidos, o USS Jason Dunham”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela em um comunicado.
— Sabemos a mobilização que eles têm no mar do Caribe com toda a intenção de semear uma guerra na região, uma guerra que não queremos os venezuelanos e não querem os povos do Caribe — declarou Padrino López.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse em entrevista na última terça-feira que Maduro tem “muitas decisões a tomar” em resposta à operação militar dos EUA no sul do Caribe. Além disso, a autoridade americana acusou o líder bolivariano de estar envolvido no tráfico de drogas, ao ser questionado sobre a atual recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 265 milhões) que Washington mantém pela rendição do ditador.
(Com AFP e The New York Times)