BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Trump quer usar Fed para reduzir custo da dívida dos EUA. Economistas dizem por que é uma péssima ideia

BRCOM by BRCOM
agosto 28, 2025
in News
0
Jerome Powell, presidente do Fed, no Simpósio de Jackson Hole — Foto: David Paul Morris / Bloomberg

Com o aumento dos esforços do presidente americano Donald Trump para controlar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), os investidores temem que ele use ferramentas da autoridade monetária para resolver algo que não deveria ser um problema da instituição: a crescente dívida americana.

  • Editorial: Intervenção de Trump no Fed trará retrocesso
  • Global: Por que o embate entre Fed e Trump mexe com o mundo todo?

Trump disse, na terça-feira, que está pronto para uma disputa legal em sua tentativa de destituir a diretora do Fed Lisa Cook e espera ter uma “maioria” no conselho do banco central. Isso poderia impulsionar a campanha do presidente por taxas de juros mais baixas, o que, segundo ele, economizará “centenas de bilhões” de dólares para o país.

Há duas razões principais pelas quais os custos da dívida do governo dispararam ultimamente: déficits orçamentários maiores e juros mais altos. Pelo menos uma delas terá que ser revertida para que a conta volte a cair. Mas a maioria dos economistas diz que a solução está em emprestar menos, por meio de uma combinação de gastos menores e impostos mais altos — em vez de pressionar o Fed para baratear o custo da dívida.

  • Especulações: Quem vai suceder Jerome Powell na presidência do Fed?

Este último caminho é perigoso para os banqueiros centrais cujo objetivo é conter a inflação. A tarefa pode ser ainda mais difícil quando os políticos continuam a impulsionar a economia ao injetar dinheiro. Isso corre o risco de se tornar impossível se as taxas de juros – a principal alavanca para conter as pressões sobre os preços – se transformarem em uma ferramenta para manter a solvência do governo.

O termo que os economistas usam para esse tipo de cenário é “dominância fiscal”. É tipicamente associado a países de mercados emergentes, onde a política monetária está mais sujeita à pressão política. Com a campanha de Trump contra o Fed se intensificando, muitos analistas veem os EUA a caminho de uma direção semelhante.

  • Entenda: Trump pode demitir a diretora do Fed Lisa Cook?

Eric Leeper, professor de economia na Universidade da Virgínia, acredita que o país já está lá.

“Em última análise, é a política fiscal que precisa ser implementada corretamente se quisermos manter a inflação sob controle”, diz Leeper, ex-economista do Fed. Em vez disso, “o que ouvimos é que precisamos de juros mais baixos porque os pagamentos de juros estão explodindo”, afirma ele. “É admitir que a política fiscal não vai se ajustar sozinha, e por isso estão tentando encontrar outra saída. Isto é dominância fiscal.”

É claro que mesmo os investidores e economistas que se preocupam com tais riscos não iriam tão longe.

Não há sinais de que as decisões sobre as taxas de juros tenham sido influenciadas pelo cenário fiscal dos EUA. Para conter a inflação pós-Covid, as autoridades do Fed realizaram os maiores aumentos de juros desde a década de 1980 – embora isso tenha adicionado centenas de bilhões de dólares em custos de dívida ao orçamento.

Este ano, enquanto o Fed manteve as taxas estáveis em meio à preocupação com a inflação causada pelas tarifas, o presidente da autarquia, Jerome Powell, insistiu que a política monetária se baseia exclusivamente na perspectiva econômica, um ponto que ele reiterou no simpósio em Jackson Hole, na semana passada.

Jerome Powell, presidente do Fed, no Simpósio de Jackson Hole — Foto: David Paul Morris / Bloomberg

Powell frequentemente afirma que a dívida dos EUA está em um caminho insustentável. Mas ele disse a repórteres, no mês passado, que “não seria bom” definir a política monetária em função das necessidades fiscais do governo, e acrescentou que “nenhum banco central de economia avançada faz isso”.

Ainda assim, há uma preocupação crescente de que o Fed acabe fazendo exatamente isso.

Trump escolherá o sucessor de Powell, cujo mandato como presidente do Fed termina em maio de 2026. O presidente já nomeou o conselheiro econômico do governo, Stephen Miran, para preencher uma vaga no conselho do Fed, e criará outra vaga se sua tentativa de demitir Cook por suposta má conduta financeira for bem-sucedida.

A equipe de Trump sinaliza uma reforma mais ampla e busca maneiras de exercer mais influência sobre os 12 bancos regionais do Fed. Por trás de tudo isso, há uma constante demanda por taxas de juros mais baixas.

Trump pressiona para que a governadora do Fed Lisa Cook renuncie ao cargo — Foto: Bloomberg
Trump pressiona para que a governadora do Fed Lisa Cook renuncie ao cargo — Foto: Bloomberg

“O Fed está agora sujeito a riscos crescentes de dominância fiscal”, escreveu George Saravelos, chefe global de pesquisa de câmbio do Deutsche Bank, em um relatório na terça-feira. “O que é ainda mais surpreendente para nós é que o mercado não está mais preocupado.”

Os Treasuries com vencimento em 30 anos e o dólar registraram quedas na terça-feira, enquanto Trump prosseguia com a tentativa de destituir Cook. Ambos ainda são negociados bem acima das mínimas alcançadas antes neste ano, em meio a preocupações com os planos comerciais e orçamentários dos EUA.

Os receios de uma mudança no foco do Fed prejudicariam o dólar e aumentariam os rendimentos dos títulos de dívida, ao mesmo tempo em que, potencialmente, gerariam interesse em criptomoedas e ouro como alternativas, de acordo com Steve Barrow, chefe de estratégia do G-10 no Standard Bank, em Londres.

Mais da metade dos gestores de fundos em uma recente enquete do Bank of America disseram esperar que o próximo presidente do Fed recorra à flexibilização quantitativa ou ao controle da curva de rendimentos — políticas que envolvem a compra de títulos do governo para limitar as taxas de juros — para aliviar o peso da dívida dos EUA.

Trump quer usar Fed para reduzir custo da dívida dos EUA. Economistas dizem por que é uma péssima ideia

Previous Post

o que muda no aeroporto internacional do Rio?

Next Post

dez razões para brindar os 10 anos do Bar Madrid

Next Post
Bar Madrid, na Tijuca — Foto: Luiz Antônio Simas

dez razões para brindar os 10 anos do Bar Madrid

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.