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Citando integrantes e ex-integrantes do governo americano, a NBC afirmou que o Comando Central dos EUA, responsável por operações no Oriente Médio, desenvolveu um plano de ataques com seis alvos, que se prolongaria “por várias semanas”. A proposta era similar a uma desenvolvida ainda no governo de Joe Biden, e envolvia uma ação conjunta contra instalações nucleares, defesas aéreas e de mísseis balísticos.
— Seria uma campanha aérea prolongada — disse um dos integrantes do governo americano à NBC.
Trump, afirma a emissora, foi consultado sobre o plano e o rejeitou, afirmando que ele contrariava sua política de reduzir a pegada militar americana. O presidente questionou o alto número de vítimas civis e militares, uma vez que a retaliação iraniana seria voltada às bases dos EUA no Oriente Médio, além de países aliados, como Israel e as monarquias do Golfo Pérsico.
— Estávamos dispostos a ir até o fim com nossas opções, mas o presidente não quis — disse uma das fontes ouvidas pela NBC.
Naquele momento, Israel e Irã travavam uma guerra aérea lançada pelos israelenses e que tinha como alvo o programa nuclear iraniano, acusado de ter fins militares, o que Teerã nega. Do lado do Irã, instalações ligadas ao enriquecimento de urânio, como Natanz, e ao desenvolvimento de mísseis foram atingidas, e boa parte da cúpula militar e dos cientistas nucleares do país morreu. Do lado israelense, projéteis e drones iranianos causaram estragos em áreas urbanas e, de acordo com relatos independentes, bases militares e ligadas aos serviços de inteligência.
No dia 22 de junho, enquanto pressionava os dois lados por uma trégua, Trump decidiu por um ataque ao Irã, mas com uma opção menos ousada do que a sugerida pelo Pentágono, que envolvia bombardeios contra as instalações de Fordow, Natanz e Isfahã. Ao invés de semanas de guerra, os EUA lançaram uma ofensiva de algumas horas — na ocasião, o presidente afirmou que os locais foram “completamente obliterados”, apesar de não haver informações mais claras sobre o que aconteceu.
Pelo menos até agora. Segundo a NBC, uma das instalações, Fordow, localizada debaixo de uma montanha e virtualmente inacessível às armas israelenses, sofreu danos consideráveis causados por 12 bombas GBU-57, de 14 toneladas e capazes de penetrar instalações subterrâneas a até 60 metros de profundidade. Dados do Pentágono e da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) apontam que milhares de centrífugas usadas para enriquecer urânio foram destruídas.
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Retomar o trabalho no local, dizem especialistas, poderia levar mais de dois anos, mas parece pouco provável que os iranianos, caso decidam retomar as atividades de enriquecimento, o farão ali mais uma vez. Dentro do governo dos EUA, alguns acreditam que os ataques atrasaram o programa nuclear iraniano, e um potencial desenvolvimento de uma bomba atômica, em dois ou três anos.
Já Natanz e Isfahã, também atingidas pelas bombas americanas, não mereceram o mesmo destaque nas últimas semanas desde o ataque, e segundo a NBC, os estragos nos locais, embora importantes, não foram tão extensos ou tampouco “obliteraram” o programa nuclear.
— Estamos muito presos às histórias sobre os três grandes locais, Fordow, Natanz e Isfahã, quando, na verdade, as capacidades do Irã são muito mais amplas e sofisticadas, e incluem muitos locais que os EUA e Israel não bombardearam — disse Rosemary Kelanic, especialista do centro de estudos Defense Priorities, ao New York Times. — Focar demais nos três grandes locais ignora o ponto principal: mesmo que esses três locais e seus conteúdos, centrífugas, estoques, fossem destruídos, o Irã provavelmente ainda conseguiria se reconstruir rapidamente.
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Em resposta à NBC, a Casa Branca afirmou que “como o presidente disse e especialistas comprovaram, a Operação Martelo da Meia-Noite destruiu totalmente as capacidades nucleares do Irã”, e que “os Estados Unidos e o mundo estão mais seguros graças à sua ação decisiva”. O Pentágono foi um pouco menos amistoso.
“A credibilidade da mídia de notícias falsas é semelhante à do estado atual das instalações nucleares iranianas: destruídas, em ruínas, e levará anos para se recuperar. O presidente Trump foi claro e o povo americano entendeu: as instalações nucleares do Irã em Fordow, Isfahã e Natanz foram completa e totalmente destruídas. Não há dúvida sobre isso”, disse, em comunicado, o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell.
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Após o fim da guerra com Israel, as negociações sobre um novo acordo nuclear com o Irã estão virtualmente paralisadas. Teerã não quer abrir mão do enriquecimento de urânio (como exigem EUA e Israel), e pede garantias de que não será mais uma vez atacado pelos israelenses.
Na segunda-feira, chanceleres dos EUA, França, Alemanha e Reino Unido concordaram em dar até o fim de agosto para que um plano seja firmado, sob ameaça de reimposição de sanções da ONU suspensas por um acordo anterior, de 2015, e rasgado por Trump em seu primeiro mandato. Em resposta, Teerã disse que o retorno das medidas significará o fim do papel da Europa nas negociações nucleares.