Um dia após o mar avançar sobre a praia em diferentes pontos do Rio de Janeiro, moradores e frequentadores das praias ainda sentem os efeitos da forte ressaca que atingiu o litoral. Em Copacabana, em trechos como o da altura da Rua Santa Clara, a faixa de areia amanheceu nesta quarta-feira (30) ainda alagada, formando grandes piscinas. A Marinha mantém o alerta de ressaca até as 21h desta quinta-feira (31), mas a expectativa é que o fenômeno perca força até amanhã.
— Fiquei impressionada. Não é comum ver esse tipo de ressaca por aqui. A Praia de Copacabana tem uma faixa de areia extensa, e mesmo assim as ondas estavam fortes e avançando. Começamos a ver os efeitos das mudanças climáticas na porta de nossa casa — afirmou a jornalista Alessandra Carneiro.
A ondulação que atingiu a orla do Rio foi considerada extremamente forte, com registros de ondas acima de 5,5 metros na boia do sistema de monitoramento oceânico localizado em Copacabana. Surfistas chegaram a pegar onda no Posto 6, trecho da orla normalmente calmo. Segundo especialistas, a direção do swell, vinda do quadrante sul, trouxe ventos intensos que favoreceram o acúmulo de água e a elevação momentânea do nível do mar. Mesmo com a larga extensão de areia, Copacabana foi atingida frontalmente pela força das ondas, o que evidencia a gravidade do fenômeno. A combinação entre a elevação do nível da água, a força do vento e ondas de grande porte resulta no avanço do mar sobre a faixa de areia, fenômeno que pode ser visto como uma analogia do que pode ocorrer em escala permanente com a elevação do nível do mar nos próximos anos.
Em Copacabana, a urbanização substituiu áreas naturais, como dunas e restingas, por quiosques, guarderias de pranchas, ciclovias e até mesmo o calçadão, que hoje está a apenas quatro metros acima do nível do mar, uma altura relativamente baixa para conter eventos extremos.
— Fenômenos como esse mostram o que pode acontecer futuramente com a elevação do nível do mar. Copacabana foi ocupada historicamente de forma intensa, eliminando as dunas e restingas. Na Barra, ainda há áreas preservadas que protegem a orla, mas já vemos sinais do mesmo processo de ocupação avançando. Se continuarmos substituindo a proteção natural por construções, o que já acontece no Posto 2 da Barra, onde inclusive o G-Mar quer construir uma piscina olímpica na areia, poderá se estender por toda aquela praia — alerta a geógrafa marinha Flavia Lins de Barros, do Departamento de Geografia da UFRJ.
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A ressaca que atingiu com mais força o Leblon, na terça-feira (29), provocou danos na orla e surpreendeu moradores. A água arrastou caçambas de lixo, equipamentos de ginástica, danificou portões de prédios e forçou o fechamento da Avenida Delfim Moreira por segurança. Nesta quarta pela manhã, a via continuava interditada. No Posto 6, surfistas aproveitaram para pegar ondas no local que é conhecido pelo mar calmo.
Também ontem, em Barra de Guaratiba, a ressaca chegou a movimentar ônibus parados num ponto junto à orla. Em outros locais do litoral fluminense, como Niterói, Maricá e Araruama, também foram registrados os efeitos da ressaca.