Há mais de um mês, em meados de abril, o arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926) ganhou as manchetes. Desta vez, não pelas obras de valor inestimável que viraram uma das maiores atrações de Barcelona e que fazem parte do Patrimônio Cultural da Humanidade. O maior nome do modernismo catalão, movimento artístico que surgiu entre 1880 e 1930, foi declarado “venerável” pelo Vaticano, dando um primeiro passo no caminho para a canonização. Para que ele seja beatificado é preciso que um milagre seja atribuído ao idealizador da Sagrada Família. Depois disso, é ainda necessário um segundo milagre para o arquiteto ser declarado santo. “Ele vivia para o trabalho e para a religião”, diz o historiador e guia turístico espanhol Gonzalo Salaya. Arcebispo de Barcelona, o cardeal Juan José Omella ressaltou: “É um reconhecimento não só de sua obra arquitetônica. Gaudí deixou um testemunho para todos nós”.
De fato. O arquiteto, um católico fervoroso, foi atropelado por um bonde, em Barcelona, aos 73 anos, e levado para o hospital como indigente. Foi reconhecido só à beira da morte, três dias depois. Se a sua origem foi uma família catalã abastada, o “arquiteto de Deus”, como passou a ser chamado, tornou-se extremamente devoto com o passar dos anos e levou uma vida simples. O autor do Park Güell, da Casa Batlló e de La Pedrera dedicou 40 anos à construção da Sagrada Família. A catedral, cujas obras começaram em 1882, segue inacabada: a previsão de conclusão é 2033. “Mas em 2026 será a inaugurada a Torre Jesus Cristo, em comemoração aos cem anos de morte de Gaudí”, frisa Gonzalo Salaya.
O reconhecimento da faceta piedosa do arquiteto pode gerar ainda mais desejo em turistas de todo o mundo de passearem pelas Ramblas. “A junção da possível canonização de Gaudí, totalmente identificado com a cidade, com a finalização da torre central da Sagrada Família vai desencadear o turismo religioso em Barcelona”, opina a especialista em turismo de luxo Nólia Palermo, que cria roteiros personalizados. “Fora isso, os brasileiros adoram a Espanha, sua gastronomia e clima e, em especial, a capital catalã”, emenda.
Mergulhar na estética de Gaudí é uma experiência sensorial. Além da Sagrada Família, o roteiro inclui também a Casa Milà (La Pedrera), construída entre 1906 e 1912, a Casa Batlló, reformada entre os anos 1904 e 1906, e o Parque Güell, erguido entre 1900 e 1914 e inaugurado como parque municipal em 1926. Todos na área central da cidade, nas redondezas do bairro de Gracia.
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Algumas curiosidades atiçam a experiência: a Casa Milà é, na verdade, um edifício. “Foi encomendada para ser a residência de Pere Milà e Rosario Segimon: a intenção do casal era ocupar o andar principal e alugar o restante”, explica o guia Gonzalo. Em 1984, foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, restaurada e, em 1996, aberta como centro cultural. Ingressos: a partir de 29 euros (adultos). “Já a Casa Batlló é um prédio de 1877 remodelado por Gaudí a pedido do industrial Josep Batlló i Casanovas”, diz Gonzalo. “A fachada em ‘escama de peixe’ se mistura a vitrais e referências art nouveau.” Os ingressos custam de 25 a 59 euros.
Para finalizar o tour de Gaudí, reserve uma manhã para passear no Parque Güell (a partir de 10 euros) e uma tarde para se inspirar na Sagrada Família (a partir de 36 euros).
Localizado no Passeig de Gràcia, mesma badalada avenida da Casa Milà e Batlló, o Majestic Hotel & Spa Barcelona, assim como Gaudí, tem sua história entrelaçada à cidade de Barcelona. Foi fundado em 1918 por uma família catalã, que segue à frente do empreendimento. Ao longo das décadas, abrigou nomes icônicos como os pintores Joan Miró e Pablo Picasso, o poeta Federico García Lorca e o escritor Ernest Hemingway.
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Em suas 258 suítes (a partir de 400 euros, a diária) — a penthouse possui 469 metros quadrados, sala de jantar, dois terraços panorâmicos e acesso a serviços exclusivos —, a tradição convive harmonicamente com a modernidade do espaço wellness, construído em 2023, com piscina jacuzzi e academia. A gastronomia se divide entre o La Dolce Vitae, no rooftop, de onde se avista a Sagrada Família, e o restaurante Solc, que oferece brunch aos domingos. “A gastronomia do Majestic segue a filosofia ‘farm to table’. Peixes, frutas, verduras, carnes e até o chocolate vêm de produtores locais. O hotel pretende ser o mais sustentável possível e reduzir o impacto ambiental que produz no planeta”, diz o gerente de comunicação e de relações públicas do Majestic, Santiago Martín. Que tal?

