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outubro 8, 2026
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Um roteiro por Lugano, onde Suíça e Itália se encontram nos Alpes

Por · outubro 8, 2026
Um roteiro por Lugano, onde Suíça e Itália se encontram nos Alpes


Organização suíça, astral mediterrâneo. Assim guias de turismo costumam descrever Lugano, maior cidade do Cantão de Ticino, o único entre os 36 estados da Suíça onde a língua oficial é o italiano. E estão certíssimos. Encrustada entre o lago de mesmo nome (chamado de Ceresio na Itália) e os Alpes, perto da fronteira, a cidade é uma pequena joia que mistura referências culturais dos dois países.
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Fica mais perto de Milão (cerca de 80km, ou uma hora de trem) do que de Zurique (200km, ou duas horas de trem), e é uma boa opção de passeio para quem está no Norte da Itália — e também uma alternativa ao vizinho Lago de Como, mais famoso, mais caro e mais concorrido. Quem está em Milão pode até fazer um bate e volta. Mas a cidade merece mais do que apenas um dia.
Vilarejos charmosos com casas de pedra, vilas debruçadas sobre a água, passeios de barcos, vistas dignas de cartão-postal, trilhas nas montanhas ou à beira do lago. No inverno, o branco da neve toma conta da paisagem. Mas é no verão — e na meia-estação — que a região fica mais convidativa aos muitos passeios que oferece. O cardápio de atrações, de beleza natural e arquitetônica, é vasto e merece ser saboreado com calma.
Centro antigo
Piazza della Riforma, o coração do centro antigo de Lugano, maior cidade do Cantão de Ticino, a parte ‘italiana’ da Suíça
Inês Amorim / O Globo
A charmosa e colorida Piazza della Riforma é o point da cidade. Com palacetes renascentistas de sacadas floridas e bares e restaurantes frequentados por gente que quer ver e ser vista, fica movimentada dia e noite. Fechadas ao trânsito, as ruas são um convite a flanar sem destino, descobrindo pequenos tesouros como as bonitas e antigas fontes de água natural espalhadas pela cidade. Uma das mais movimentadas é a Via Nassa, onde turistas vão para bater perna e namorar vitrines de lojas de grife como Prada, Louis Vitton, Patek Philippe e Rolex.
Ao menos duas igrejas ali no centrinho merecem uma visita. A primeira é a Catedral de São Lourenço, que guarda a cidade do alto. Erguida no século XI e reformada em 1517, tem estilo gótico renascentista com bonitos afrescos. Mas o mural mais relevante da cidade fica na de Santa Maria degli Angioli, na beira do lago, aonde se chega descendo por ruelas de pedestres e caminhando cerca de 700 metros. De fachada simples, o templo foi construído no início do século XVI e abriga um importante afresco renascentista, “Paixão e crucificação” (1529), de Bernardino Luini, discípulo de Leonardo da Vinci.
A cidade vista do alto
A cidade de Lugano vista a partir do Monte San Salvatore, nos Alpes Suíços
Divulgação
Os Alpes que emolduram a cidade são um parque de diversão de moradores e turistas, que vão ali tanto para praticar esportes quanto para curtir a vista. Neste segundo quesito, quase impossível ir a Lugano e não visitar pelo menos um desses pontos turísticos: Monte Brè e Monte San Salvatore, o “Pão de Açúcar suíço”. O apelido dado pelos luganeses seria uma referência a uma suposta semelhança com o cartão-postal carioca — exagero é pouco. Mas isso é detalhe: o que importa é que a vista é bonita — em ambos. Para chegar ao topo dos dois montes, que ficam em lados opostos do lago, um de frente para o outro, é preciso pegar simpáticos planos inclinados. No alto, lanchonetes, cafés e trilhas completam o programa.
Monte Brè
Plano inclinado que leva do centro de Lugano para o alto do Monte Brè, nos Alpes Suíços
Divulgação
A dica para quem for ao Monte Brè é voltar por outro caminho. Em vez de descer de funicular, dá para fazer uma curta caminhada — com vista para o lago —, de cerca de 15 minutos, descendo por uma trilha bem marcada, e pavimentada, até a vila de mesmo nome, Brè. Pequenina, com casario de pedra, parece um cenário parado no tempo. Perca-se nas ruazinhas com ateliês e cafés. Depois, é só pegar um ônibus de volta para cidade em uma estradinha cheia de curvas, muitas curvas.
Passeios de barco
Os pedalinhos ‘vermelho Ferrari’ são uma das melhores formas de passear pelo Lago Lugano, na Suíça
Inês Amorim / O Globo
Todos os caminhos levam ao lago, o coração da cidade. E os barcos levam a todos os lugares. Dos pedalinhos com design retrô “vermelho Ferrari” (que só entram em atividade nas temporadas mais quentes) a taxi boats e embarcações maiores para passeios mais longos, são muitas as opções. Dá para pegar o barco na cidade, saltar num ponto, passear, pegar o barco novamente — quase como um ônibus hop-on hop-off. Bem mais legal ir pela água para os imperdíveis vilarejos de Gandria e Morcote — um mais charmoso do que o outro — do que de ônibus, por exemplo.
Gandria
Orla do vilarejo de Gandria, à margem do Lago Lugano, no Cantão de Ticino, na Suíça
Divulgação
Casinhas coloridas equilibradas na encosta, ruas estreitas (onde carros não entram), sacadas para o lago, uma “igrejinha” (São Vigílio) do século XVI. A antiga e pequenina vila de pescadores, aos pés do Monte Brè, é quase um clichê de tão bonita. Para quem gosta de caminhar, uma opção para chegar até lá é ir a pé pela panorâmica trilhas das oliveiras, que sai do bairro de Castagnola (colado ao centrinho) e vai margeando o lago por cerca de três quilômetros até o pitoresco vilarejo. Mas, se a preguiça falar mais alto, é só ir (ou voltar) de barco — escolha da maioria dos viajantes. Há, claro, diversos restaurantes para completar o passeio.
Morcote e Vico Morcote
Essa é outra parada imperdível para quem vai a Lugano. Na base do Monte San Salvatore , pode ser ser acessada de barco, carro ou ônibus. O calçadão à beira do lago é um convite ao passeio e basta atravessar a rua para chegar a lojinhas restaurantes sob arcos dos prédios baixos que margeiam a orla, onde píeres recebem os barcos que vêm de Lugano. Pertinho fica Vico Morcote, onde se destacam, na parte alta, as ruínas de um castelo de 1450, hoje parte da bonita vinícola Tenuta Castello di Morcote, que oferece degustações e passeios.
Restaurantes e ‘grottos’
Um dos ‘grottos’, restaurantes típicos da região de Lugano
Divulgação
A cena gastronômica em Lugano é farta e variada. De um lado, sofisticação. Do outro, tradição. No primeiro time, estão 12 restaurantes referendados com uma estrela no Guia Michelin. Na maioria, a cozinha é italiana ou mediterrânea, sempre com pegada contemporânea. Na lista, estão, por exemplo, o I Due Sud, no belíssimo Hotel Splendide Royal, e o Meta, que ano passado sediaram jantares do S. Pellegrino Sapori Ticino, festival anual de gastronomia em que chefs renomados de outros países comandam jantares na cidade. Em 2025, a cozinha do Brasil foi a homenageada da vez, e entre os cozinheiros estavam Rafa Costa e Silva (Lasai, RJ), Alberto Landgraff (Oteque, RJ), Ivan Ralston (Tuju, SP) e Felipe Schaedler (Banzeiro, SP e MA). Já a edição de 2026, a 20ª da história, realizada em setembro, teve a culinária da própria Suíça como o foco.
No outro time, da tradição, estão os grottos, um capítulo à parte do quesito culinária. São restaurantes mais rústicos instalados em antigas adegas — usadas para armazenar não só vinho, mas queijos e embutidos. Os mais interessantes ficam à beira do lago, do lado oposto à cidade, e só funcionam durante os meses mais quentes. Para chegar lá, só de barco, o que faz da refeição um programa completo.
Também há, claro, alternativas no meio do caminho culinário, como o bonito Ristoranti Grand Café al Porto, fundado em 1803, em que um dos salões abrigava o refeitório de um convento medieval, com afrescos de séculos XVI no teto.
Hospedagem
Hotel Splendide Royal, um clássico com mais de 130 anos às margens do Lago Lugano, na cidade ‘italiana’ da Suíça
Divulgação
A vida da cidade gira em torno do lago — literal e metaforicamente. Então, nada como escolher um hotel debruçado (ou quase) sobre a água. Entre os clássicos, cinco estrelas, estão o imponente Hotel Splendide Royal, que há mais de 130 anos ocupa um palacete da Belle Époque e se destaca na paisagem da orla, e o elegante Grand Hotel Villa Castagnola, também num palacete de 1885. Como tem um grande jardim na frente, este último fica um pouco recuado da orla, mas, em compensação, tem um posto avançado na beira do lago: um lido (como chamam as áreas pra banho) com espreguiçadeiras, bar e escadinha de acesso à água, transparente.
Na leva dos modernos, também cinco estrelas, destaque para o sofisticado The View Lugano, no alto do morro e com uma vista digna no nome. Uma opção mais econômica, e prática, é o quatro estrelas Dante, que fica na praça junto ao plano inclinado que leva à estação de trem —na medida para quem planeja uma estadia curta. Já quem procura algo mais charmoso, exclusivo e sossegado pode se refugiar, no bucólico Relais Castello di Morcote, na vila de mesmo nome.
Inês Amorim viajou a convite de Lugano Region via Hub Pronto.

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