A popularização dos medicamentos usados no tratamento da obesidade mudou a relação de muitas pessoas com o emagrecimento. Para além dos números na balança, porém, uma perda significativa de peso pode trazer outras transformações: redução de volume no rosto, flacidez, excesso de pele e mudanças na composição corporal. É nesse momento que surge uma segunda etapa do cuidado, que envolve entender como o organismo se adapta à nova condição.
Seu bumbum mudou depois do emagrecimento? Entenda o ‘efeito esvaziado’
Depois das canetas, o espelho: por que o rosto pode mudar com o emagrecimento
A velocidade e a quantidade de peso perdido influenciam esse processo, assim como idade, genética, alimentação, atividade física e composição corporal anterior. Nem todas as pessoas terão excesso de pele ou alterações importantes na aparência, e a necessidade de qualquer intervenção estética deve ser avaliada individualmente.
“Flacidez, excesso de pele e desproporções podem aparecer depois de um emagrecimento significativo e afetar a autoestima. O acompanhamento médico é importante para avaliar não apenas a redução do peso, mas também a preservação de massa muscular, o estado nutricional e a saúde da pele”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez.
O corpo pode mudar mais rápido que a pele
Quando o organismo perde uma quantidade expressiva de gordura, os tecidos que acompanhavam aquele volume precisam se adaptar. A pele, que passou anos distendida, nem sempre consegue acompanhar imediatamente a nova dimensão corporal.
A redução de gordura também pode ser percebida no rosto. Bochechas, têmporas e outras regiões que antes tinham maior volume podem apresentar uma aparência mais esvaziada, enquanto a pele pode parecer menos firme.
“Os compartimentos de gordura da face são responsáveis por parte do volume, sustentação e contorno do rosto. Quando existe uma redução importante desse tecido, a pele pode perder parte desse suporte”, observa a dermatologista Paola Pomerantzeff.
O processo não se restringe à aparência. Uma perda rápida de peso também pode vir acompanhada de redução de massa muscular, especialmente quando a alimentação não fornece proteínas e energia suficientes ou quando não há atividade física adequada.
Por isso, o acompanhamento durante o emagrecimento não deve se limitar ao peso corporal. A composição do organismo é um dos parâmetros importantes para avaliar se a perda está acontecendo de maneira adequada.
E a pele, como fica?
A pele também pode apresentar mudanças na textura, hidratação e elasticidade após uma perda significativa de peso. Isso acontece em parte pela alteração do volume dos tecidos e pela capacidade individual de retração da pele.
Idade, exposição solar acumulada, genética e quantidade de peso eliminada influenciam a resposta. Quanto maior a perda, maior pode ser a sobra de pele em determinadas regiões, mas não existe uma relação automática entre quantidade de quilos eliminados e necessidade de cirurgia.
Para a dermatologista Daniela Aidar, o cuidado deve considerar o momento e as características de cada pessoa. “O corpo muda mais rapidamente do que alguns tecidos conseguem se adaptar. Por isso, depois de uma perda importante de peso, a avaliação deve considerar a qualidade da pele, a quantidade de tecido excedente e a composição corporal”, afirma.
Nem todo excesso de pele precisa de procedimento
A estética pode fazer parte da recuperação da autoestima depois de um emagrecimento importante, mas não deve ser tratada como uma etapa obrigatória. Algumas pessoas se adaptam à nova aparência sem necessidade de intervenção; outras podem se incomodar com a flacidez ou com o excesso de pele e procurar alternativas.
Atividades físicas, alimentação adequada e manutenção do peso podem contribuir para a saúde e para a composição corporal, embora não sejam capazes de eliminar todo excesso de pele quando ele é significativo.
Nos casos em que existe indicação, procedimentos não cirúrgicos podem ter objetivos diferentes dos de uma cirurgia. A escolha depende do grau de flacidez, da quantidade de pele excedente, da região envolvida e das condições de saúde do paciente.
Quando há grande quantidade de pele sobrando, especialmente após perdas expressivas de peso, a cirurgia pode ser considerada. Nesses casos, o objetivo não é apenas modificar a aparência, mas também lidar com questões funcionais, como desconforto, dificuldade de mobilidade ou irritações provocadas pelo excesso de tecido.
O rosto também entra nessa equação
A perda de volume facial é uma das mudanças que podem chamar mais atenção depois de um emagrecimento acelerado. Isso acontece porque a gordura do rosto participa do contorno e da sustentação dos tecidos.
Mas recuperar volume não significa necessariamente buscar a aparência anterior ao emagrecimento. Qualquer intervenção deve levar em conta as proporções do rosto e a condição da pele, evitando resultados desproporcionais.
O mesmo vale para o corpo. Técnicas que utilizam a própria gordura do paciente podem ser consideradas em situações específicas, mas a indicação depende de avaliação individual, assim como acontece com outros procedimentos.
O cuidado começa antes do resultado estético
A alimentação tem papel importante durante e depois do processo de emagrecimento. A ingestão adequada de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes ajuda a preservar a massa muscular e fornece elementos necessários para diferentes funções do organismo, inclusive a manutenção dos tecidos.
“Manter um aporte adequado de proteínas, vitaminas e minerais, além de uma hidratação adequada, pode contribuir para a preservação da massa magra e para a recuperação dos tecidos. Quando há necessidade de suplementação, ela deve ser definida de acordo com as características e necessidades de cada pessoa”, orienta Marcella.
A atividade física também entra nessa etapa, especialmente os exercícios que ajudam a preservar ou recuperar massa muscular. O objetivo é fazer com que a redução do peso não seja acompanhada por uma perda desproporcional de músculo.
Mais do que pensar em como o corpo ficará depois do emagrecimento, portanto, a questão é acompanhar as transformações ao longo de todo o processo. A redução de peso pode representar uma mudança importante para a saúde, mas o resultado não termina quando a balança chega a determinado número.
Para algumas pessoas, a adaptação será gradual e suficiente. Para outras, o excesso de pele ou a perda de volume podem levar à busca por tratamentos ou cirurgias. Em todos os casos, a avaliação individual é o que determina se existe necessidade de intervenção e qual caminho faz sentido para aquele corpo.
Uma grande perda de peso muda apenas a balança? Entenda
