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novembro 1, 2026
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Uma janela para a paz: a oportunidade para reduzir o ódio político e promover o debate democrático

Por · novembro 1, 2026
Uma janela para a paz: a oportunidade para reduzir o ódio político e promover o debate democrático


Em nome de nossos filhos, de seu futuro, precisamos iniciar, com urgência, um movimento de pacificação da sociedade.
Nos últimos dias, a hostilidade política que já conhecemos das redes se agravou, evoluiu para a prática de crimes nas ruas e se alastrou para as escolas.
Entre o fim de semana da eleição e esta semana, o governo federal mapeou, de forma preliminar, 45 ocorrências de violência com motivação política, sendo dez delas homicídios, ainda sob investigação. O Ministério Público do Trabalho recebeu 3.290 denúncias de assédio eleitoral neste ano, 1.143 delas nos três dias seguintes ao segundo turno. Listas de comerciantes “petistas” para boicote circularam em cidades de pelo menos oito estados. Parlamentares pedem a empresários que demitam empregados pelo voto, e todos estão sendo advertidos pela Justiça e pelo MPT. Grupos judaicos circularam listas pedindo boicote a um grupo de 1.300 nomes de judeus que apoiaram a reeleição de Lula.
Pesquisas apontam que a perseguição a professores se intensifica em anos eleitorais. Em Maringá (PR), mensagens de um grupo de alunos de um colégio particular circularam com uma lista de professores apontados como petistas, desejos de morte a apoiadores do PT e menções a bombas nos banheiros. A Câmara da cidade encaminhou o caso ao Ministério Público. Em Botucatu (SP), conversas entre estudantes de um colégio misturavam ameaças, preconceito contra nordestinos e ofensas de gênero e religião; a PM e o Ministério Público foram acionados. Em Salgueiro (PE), ainda antes do segundo turno, policiais entraram numa escola estadual por causa de adesivos e camisas vermelhas, e uma aluna teria sido retirada da sala. A Corregedoria apura.
São casos envolvendo adolescentes, pessoas em formação. Eles não inventaram esse ódio. Aprenderam em casa, nas telas, na voz dos adultos que amam e admiram.
Nesse momento, abre-se uma janela para iniciarmos um processo de pacificação. O candidato derrotado fugiu do país, onde é alvo de investigações por diversos crimes. Segundo diversos cientistas políticos, esse movimento enfraquece o bolsonarismo, uma ideologia extremista e baseada na disseminação do ódio, sem que isso diminua necessariamente a força política da direita. Afinal, uma oposição vigorosa é parte da democracia. Mas abre espaço para que lideranças conservadoras escolham disputar ideias sem o combustível do ódio, do pânico moral e do golpismo.
As crianças absorvem o tom das discussões, muito mais que o conteúdo político. Assimilam a raiva com que o pai fala do vizinho, o desprezo com que a mãe comenta sobre a professora, o riso diante do vídeo que humilha alguém. Quando um adolescente escreve que deseja a morte de quem votou diferente, ele repete uma atitude que ouviu, ou que viu ser aplaudida.
Temos uma oportunidade de pacificação, e ela depende de cada um de nós. Peço aos leitores que deixem de engajar vídeos que incitam violência ou humilhação, de qualquer lado: nem curtida, nem comentário crítico, já que, como sabemos, o algoritmo trata ódio e aplauso do mesmo jeito. Afaste-se de influenciadores que vivem da hostilidade; o negócio deles é o seu ódio. Em casa, dê sua opinião sem desumanizar quem pensa diferente. Mostre a seus filhos de que o debate de ideias é a base da democracia. Verifique o que circula nos grupos da escola de seus filhos e, diante de ameaça ou do assédio, acione a direção ou mesmo a polícia; desde 2024 a lei trata bullying e cyberbullying como crime. Cobre das escolas o cultivo da convivência democrática, onde se pode discordar sem agredir.
Uma sociedade plural promove a troca de ideias e reprime quem dissemina o ódio e a mentira. Uma escola plural acolhe filhos de famílias conservadoras e progressistas, e recusa intimidação de ambos os lados. Que nossa herança para crianças e adolescentes seja o debate democrático, e não o ódio.

Uma janela para a paz: a oportunidade para reduzir o ódio político e promover o debate democrático