O Presença Festival retorna em 2025 ocupando diferentes palcos do Rio de Janeiro com uma programação que celebra a diversidade em sua forma mais ampla. Na abertura dos shows, marcada para o dia 6 de junho no Circo Voador a partir das 19h, o protagonismo é de duas artistas trans que se destacam na cena da música contemporânea brasileira: Urias e Jaloo. Elas inauguram uma edição que promete amplificar vozes plurais em espetáculos, teatro, dança, literatura, gastronomia e cultura quilombola — além das balls inspiradas na cena ballroom de Nova York.
- Meghan Markle diz que recebeu conselho para usar peruca em ‘Suits’; veja por quê
- Segredos de beleza curiosos das famosas: o que dá certo e o que faz mal para a pele
“É uma grande honra! Eu acho muito incrível essa plataforma que está me sendo entregue. De performar, de falar sobre a minha verdade. E sobre a minha existência, em meio a tantas outras vivências trans”, afirma Jaloo.
A artista paraense, que transita entre o indie, o eletrônico e o pop experimental, é conhecida por seu trabalho sensível e disruptivo. Mais do que entreter, ela quer tocar, representar, ser ponte. “E ainda tem a questão de ser uma inspiração para as que estão chegando, que estão vindo. Isso me deixa muito feliz”, completa.
Já Urias, leva ao palco um recorte inédito de sua nova fase artística. “Esse próximo show será uma introdução de um novo capítulo da minha carreira, uma primeira impressão de algo maior, que está por vir. Decidimos chamar essa fase que antecede o lançamento do álbum de ‘Epígrafe’, pelo próprio significado da palavra. Estamos muito ansiosos para saber como o público desse festival vai se sentir”, adianta.
Criado para valorizar a diversidade nas artes e no empreendedorismo, o Presença Festival chega à sua quarta edição com o patrocínio master da Shell e programação espalhada por três espaços: o Teatro Ipanema Rubens Corrêa, o Circo Voador e o Centro de Movimento Deborah Colker Glória. Ao longo de oito dias, o festival oferece ao público atividades gratuitas de teatro, música, dança, literatura, gastronomia, cultura quilombola e a exuberância das balls — eventos inspirados na cultura ballroom de Nova York.
O line-up do Circo Voador, por si só, já diz muito: Urias, Jaloo, Rico Dalasam, Lia Clark, além de DJs como Valentina Luz e Aurora Borealis, formam uma constelação artística que reflete a pluralidade brasileira. Haverá ainda a Pink & White Ball – Mainstream Ball, com performances e desfiles da cultura ballroom, que trazem visibilidade à comunidade trans.
A escolha curatorial não foi por acaso. “Tivemos um cuidado especial na curadoria da noite de abertura, pensando em como o Presença Festival pode ser também uma plataforma de visibilidade e protagonismo para artistas trans, não-bináries e de gênero fluido”, explica José Menna Barreto, diretor artístico e curador do evento. “Essas artistas têm produzido trabalhos potentes, inovadores e profundamente conectados com o nosso tempo e merecem ocupar cada vez mais espaços como este.”
Travestilidade, fluidez e a arte como afirmação
Jaloo, que lançou em 2023 o disco “MAU”, traz ao festival um repertório que passeia majoritariamente por esse trabalho, mas sem deixar de fora seus clássicos. “Sobre as músicas do repertório, a gente passeia muito mais sobre o disco MAU, que foi lançado em 2023, mas é impossível que eu não cante algumas músicas inesquecíveis do meu repertório. Então podem ficar tranquilos quanto a isso!”, diz, rindo.
Sobre sua identidade, Jaloo faz questão de pontuar que vive a travestilidade. “Eu acho ‘mulher trans’ um lugar muito higienizado. Mas é a minha opinião, né? Em relação a mim mesma. Eu acho que todos têm o direito de serem o que quiserem ser. Mas, eu não estou buscando cisgeneridade. Não estou buscando nada disso. Eu sou terrorista de gênero, como diz a Linn da Quebrada. Meus pronomes são femininos. Eu me identifico como travesti. Mas, tenho gênero fluido sim! É muita coisa junto. Porque eu não me prendo a signos do feminino. Não vou me prender. Nunca.”
Ser travesti, para Jaloo, é também trilhar um caminho possível para quem está chegando. “Eu tive muitas inspirações quando eu era mais jovem e hoje ver que, de certa forma, eu sou também uma para pessoas que estão na adolescência, que estão entrando na fase adulta, verem que é possível ser travesti e lutar pela sua felicidade de forma digna. Isso é muito legal e eu fico muito feliz por isso.”
