Em alta na Copa do Mundo de Clubes por ter conduzido o Botafogo às oitavas de final do torneio ao superar o “grupo da morte”, Renato Paiva está no centro das atenções nos debates que envolvem o alvinegro. Sem Gregore, pilar do sistema defensivo, que terá que cumprir suspensão contra o Palmeiras amanhã, às 13h, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, o técnico português tem, dentro do elenco, diversas opções que podem suprir a ausência do volante. Entre elas há também variações táticas que podem ou não encaixar com o que o time deve enfrentar em relação ao alviverde de Abel Ferreira.
Nos dois treinamentos realizados desde que o Botafogo chegou na Filadélfia, na noite de terça-feira, Renato Paiva indicou que voltaria a utilizar a dupla de laterais com Alex Telles atrás e Cuiabano posicionado no ataque. Utilizada pelo técnico português em diversas partidas ao longo da temporada, essa possibilidade também ajudaria a fortalecer a marcação pela esquerda, onde deve estar posicionado o jovem Estêvão. Além disso, com essa alternativa, Savarino, que tem sido improvisado pelo lado do ataque, retornaria ao centro, onde se sente assumidamente mais confortável.
— Acho que a opção com Cuiabano na esquerda e Savarino pelo centro é algo que o time está habituado a fazer e que ajuda a encaixar com a característica do Palmeiras. Contra o PSG, era preciso defender muito o corredor central. Já o Palmeiras busca muito o lado do campo — opina o colunista do GLOBO Carlos Eduardo Mansur.
Outra alternativa que favoreceria ao estilo de jogo do camisa 10 venezuelano e tornaria o Botafogo ainda mais ofensivo é escalar um ponta ou meia que atue pela esquerda. Santi Rodríguez, utilizado vindo do banco nas três partidas da fase de grupos do Mundial de Clubes, e Álvaro Montoro, que entrou no decorrer dos jogos contra PSG e Atlético de Madrid, despontariam como os principais nomes.
O jovem argentino de 18 anos, aliás, tem sido bastante elogiado internamente. Acionado pela primeira vez com a camisa do clube logo contra os atuais campeões da Champions League, Montoro agradou pela personalidade, qualidade técnica com os dois pés e por já estar com bom ritmo de jogo, já que vinha atuando pelo Velez Sarsfield antes de se juntar ao Botafogo.
— Ele está se adaptando. A camisa do Vélez é muito pesada e o garoto já era titular. Sabíamos o que estávamos trazendo. É um jogador com muita qualidade e personalidade — falou Paiva.
— Creio que vai ser um jogo difícil, como todos nessa competição. (Botafogo e Palmeiras) são times que se enfrentam de igual para igual, independente de ter maior ou menor expectativa. Quando entra no campo, são 11 contra 11. Vamos nos preparar como temos nos preparando, analisar o rival, assim como eles também farão, e demonstrar porque chegamos até aqui — falou Montoro.
Paiva tem ainda outras duas possibilidades para escalar o Botafogo, mas essas são mais improváveis. A mais cautelosa seria a manutenção do esquema três volantes, como foi contra PSG e Atlético — nesse caso, Newton, que também foi bem ao entrar na segunda etapa contra os europeus, e Danilo Barbosa seriam os nomes disponíveis —, ou o retorno da tática com dois centroavantes, utilizada contra o Seattle Sounders. Contratado recentemente, Arthur Cabral, que teve alguns minutos contra os americanos, poderia ser o escolhido, apesar de ainda carecer de ritmo de jogo.
De todo modo, a definição final por parte de Renato Paiva será feita após a atividade de hoje, que, assim como as duas últimas, será realizada no CT do Philadelphia Eagles, atual campeão da NFL (Liga de Futebol Americano).