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veja pontos da cidade marcados como cenários de filmes do diretor

BRCOM by BRCOM
março 15, 2026
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Rua José Moreira Leal, no Recife, foi cenário de "O som ao redor", de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução

Foi ao assistir “Amarelo manga” (2002), de Cláudio Assis, que o então crítico Kleber Mendonça Filho se impactou com o registro singular do Recife numa tela de cinema, em uma época pré-políticas de descentralização no audiovisual nacional, na qual Rio de Janeiro e São Paulo predominavam ainda mais como os cenários principais de filmes, séries e novelas brasileiras.

Na medida em que foi desenvolvendo sua trajetória como cineasta, inicialmente com curtas como “Vinil verde” (2004) e “Recife frio” (2009), até chegar em longas cultuados como “O som ao redor” (2012), “Aquarius” (2016) e “Retratos fantasmas” (2023), Kleber fez da capital pernambucana seu cenário favorito. Ao longo dos anos, locações de seus filmes passaram a ser tratadas como pontos turísticos locais, o que só aumenta com “O agente secreto” (2025), indicado a quatro estatuetas no Oscar 2026.

Relembre alguns espaços do Recife registrados pelo cinema do cineasta pernambucano.

  • Filmes: “O agente secreto” e “Retratos fantasmas”

“O agente secreto” se passa em inúmeros espaços da cidade, como a Ponte Duarte Coelho, vista por Marcelo/Armando (Wagner Moura) da janela do Cinema São Luiz.

— O ponta talvez seja o maior cartão-postal do Recife. Ela está em “Retratos fantasmas” e agora em “O agente secreto”. É o lugar onde o Brasil inteiro vê o Galo da Madrugada no sábado de carnaval — conta Kleber ao GLOBO. — Eu fico muito feliz de usar o Recife nos meus filmes, como tantos filmes usam Los Angeles, Nova York e outras cidades.

  • Filmes: “O som ao redor” e “Eletrodoméstica”
Rua José Moreira Leal, no Recife, foi cenário de “O som ao redor”, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução

O bairro Setúbal, na Zona Sul do Recife, foi cenário do primeiro longa de ficção de Kleber Mendonça Filho: “O som ao redor” (2012). A obra contou com filmagens na rua José Moreira Leal, palco da cena de abertura do filme. Na trama, moradores de classe média, incomodados com o aumento da violência na região, contratam os serviços de seguranças particulares. E foi na mesma rua, no número número 207, apartamento 102, que o diretor morou com a família a partir de 1979 e onde começou a fazer filmes.

  • Filme: “Aquarius” e “O som ao redor”
Irandhir Santos e Sonia Braga em "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho — Foto: Divulgação
Irandhir Santos e Sonia Braga em “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Divulgação

Cartão-postal do Recife, a Praia de Boa Viagem está presente em vários dos filmes de Kleber, como “Recife frio”, “O som ao redor” e, é claro, “Aquarius”. No longa de 2016, Sonia Braga vive uma moradora da orla que frequenta a praia e acaba desenvolvendo uma relação com o salva-vidas Roberval. A localização também é conhecida pelos tradicionais ataques de tubarão na cidade, frequentemente citados nas obras do diretor e parte relevante da trama de “O agente secreto”.

  • Filmes: “Recife frio” e “Retratos fantasmas”
Ponte da Boa Vista em "Recife frio", de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução
Ponte da Boa Vista em “Recife frio”, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução

A Ponte da Boa Vista, também conhecida como Ponte de Ferro, também já foi vista em diversos filmes de Kleber. Cenário marcante do Centro da cidade, a ponte aparece no documentário “Retratos fantasmas” (2023), mas é no curta-metragem “Recife frio” (2009) que ela se mostra mais presente. A característica metálica conversa bem com o tom cinzento proposto pelo diretor no curta, que trata de uma onda de frio atingindo o Recife e abalando a natureza turística da região.

Sonia Braga diante do Edifício Oceania em cena do filme "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho — Foto: Divulgação
Sonia Braga diante do Edifício Oceania em cena do filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Divulgação

Localizado na Av. Boa Viagem, 560, o Edifício Oceania virou cartão-postal e recebeu o título de Imóvel Especial de Preservação após ser destaque em “Aquarius”. Na trama, Sonia Braga vive uma mulher que resiste à tentativa de uma imobiliária de comprar seu apartamento.

— O prédio virou um ponto turístico obrigatório para que curte cinema. Estou cansado de passar pela frente e ver pessoas fazendo selfies — conta o crítico pernambucano Luiz Joaquim, curador do cinema da Fundação Joaquim Nabuco.

  • Filmes: “Retratos fantasmas” e “Homem de projeção”
Cine Art Palácio em "Retratos fantasmas" — Foto: Divulgação
Cine Art Palácio em “Retratos fantasmas” — Foto: Divulgação

Apaixonado pelos antigos cinemas do Recife, Kleber retratou o imponente (e hoje abandonado) Cine Art Palácio no documentário “Retratos fantasmas” (2023), com registros da inauguração em 1940 e o fechamento em 1992. Nos dois últimos anos de atividade do cinema, o diretor filmou o local com sua câmera pessoal. O resultado está no doc e no curta “Homem de projeção” (1992), focado na figura de Seu Alexandre, projecionista que inspirou personagem de “O agente secreto”.

Lula Terra e Sonia Braga em "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução
Lula Terra e Sonia Braga em “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho — Foto: Reprodução

Fundado em 1882, o Restaurante Leite, localizado no número 147 da Praça Joaquim Nabuco, no Centro do Recife, já era um ponto turístico da cidade antes de aparecer em “Aquarius”, em cena com os atores Lula Terra e Sonia Braga.

— Este restaurante centenário é uma instituição da cultura pernambucana e ele fica próximo do antigo Cinema Moderno, mostrado em “Retratos fantasmas” — explica Joaquim.

  • Filmes: “Retratos fantasmas” e “O agente secreto”
Cine São Luiz, no centro do Recife, no início dos anos 1980 — Foto: Divulgação/João Carlos Lacerda
Cine São Luiz, no centro do Recife, no início dos anos 1980 — Foto: Divulgação/João Carlos Lacerda

A relação entre Kleber e o Cinema São Luiz é como unha e carne. O cinema é retratado em “Retratos fantasmas” e ganha vida quase como personagem em “O agente secreto”. É no cinema que trabalha Seu Alexandre (Carlos Francisco). Da fachada à sala de cinema, passado por bilheteria e sala de projeção, vários espaços do São Luiz são explorados no longa. O cinema também é sede do Janela Internacional de Cinema do Recife, festival de cinema produzido por Kleber e Emilie Lesclaux.

  • Filme: “O agente secreto”
Parque Treze de Maio em cena de "O agente secreto" — Foto: Reprodução
Parque Treze de Maio em cena de “O agente secreto” — Foto: Reprodução

Maior área verde do Centro do Recife e primeiro parque urbano da cidade, o Parque Treze de Maio é palco de uma das mais comentadas sequências de “O agente secreto”: o ataque da perna cabeluda. O momento quase surrealista traz uma perna decrépita, como representação do Estado conservador, atacando homens e mulheres que aproveitavam a escuridão do local para viver experiências libertárias e sexuais. O parque foi inaugurado em 1939 e passou por inúmeras mudanças ao longo dos anos.

  • Filme: “O agente secreto”
Thomas Aquino e Wagner Moura em cena de "O agente secreto" — Foto: Divulgação
Thomas Aquino e Wagner Moura em cena de “O agente secreto” — Foto: Divulgação

Prédio responsável por abrigar os “refugiados” de “O agente secreto”, todos sob o cuidado de Dona Sebastiana (Tânia Maria), o Edifício Ofir também é cenário importante do filme indicado a quatro estatuetas do Oscar. Assim como o Oceania, em “Aquarius”, o Ofir é alvo da especulação imobiliária no Recife. Em janeiro, Kleber apresentou uma sessão no edifício para conscientizar as pessoas sobre as ameaças sofridas pelo edifício.

  • Filme: “O agente secreto”
Kayoni Venâncio em'O agente secreto' — Foto: Divulgação/Victor Jucá
Kayoni Venâncio em ‘O agente secreto’ — Foto: Divulgação/Victor Jucá

Uma das mais tradicionais instituições de ensino do Brasil, o Ginásio Pernambucano tem em seu quadro de ex-alunos nomes como Clarice Lispector e Ariano Suassuna. Fundado em 1825, o espaço serviu de cenário para diversos ambientes em “O agente secreto”, como a repartição pública em que trabalha Marcelo (Moura), a delegacia e o pátio em que se encontra o orelhão característico da obra. O edifício fica localizado na Rua da Aurora, 703, no Centro do Recife.

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